À beira do abismo

A defesa do Felipão é que nem os fundamentos da política econômica do ministro Malan: a gente sabe que a qualquer hora vai à breca; só falta saber quanto.

Sonho americano
A busca dos Estados Unida pela hegemonia mundial não se dá apenas nas áreas militar, econômica e política. A disputa no campo simbólico é parte fundamental desse projeto. Ano passado, os filmes norte-americanos – que dominam 90% do mercado mundial – faturaram US$ 8,4 bilhões, 9,8% mais que em 2000. Em 2001, os EUA lançaram 482 filmes, com custo médio de US$ 47,7 milhões, incluindo produção e exibição.
A propaganda do modo norte-americano domina o mercado na Europa desde os anos 90. Em 1994, os filmes dos EUA abiscoitaram 70,3% das bilheterias da Europa, mesmo em países cuja importância histórica do cinema não permitiria tal resultado, como Inglaterra, na qual os norte-americanos ficaram com 90,2% do mercado.
Um dos raros países a escapar da hegemonia dos filmes hollywoodianos é a França, que mantém há anos média de 45% da bilheteria interna para produções domésticas. No Brasil, onde a produção nacional ressurgiu com força depois do genocídio collorido, a maior resistência à ampliação do mercado para filmes locais vem dos distribuidores, cujo monopólio obriga a que filmes sem produções milionárias façam sucesso num fim de semana para não serem retirados de cartaz na segunda-feira.

Peemedebistas de Taubaté
Até quando oposicionistas sinceros do PMDB, como o senador Roberto Requião, vão acreditar na sinceridade e no fervor patriótico de peemedebistas como o senadores José Sarney e Iris Resende ou o vice-governador de Minas, Newton Cardoso? É melhor – e menos doloroso – crer em Papai Noel.

Espelho
Em palestra, ontem, na Firjan, Luiz Inácio Lula da Silva ironizou a tentativa do Planalto de atribuir o acirramento da crise à oposição: “Após FH ser empossado depois de reeleito, US$ 6 bilhões deixaram o país na crise de cambial de janeiro de 1999”, lembrou Lula, acrescentando que o próprio FH admitiu ter sido “o mercado que desvalorizou o real e não a equipe econômica”.
Lula não taxou Serra de candidato do sistema financeiro, mas afirmou não ter dúvidas de que “os especuladores gostariam de continuar com o atual sistema”.
O coordenador do debate, jornalista Márcio Moreira Alves, também colaborador da Firjan, disse considerar inevitável que o próximo presidente tenha de repactuar os prazos de vencimento das dívidas. “Temo mais o “risco Malan” que o “risco Lula””, afirmou, classificando o presidente FH de “nosso Luiz XV em matéria econômica”.

Raízes da crise
Convidado especial de Lula ontem na Firjan, o senador José Alencar (PL-MG) disse que só há espaço para o terrorismo financeiro do governo devido “à fragilidade dos fundamentos de nossa economia, diferentemente do que diz o governo”. Para Alencar, enfrentar “juros altos, a dívida e o passivo externo altíssimos”, não exige quebra de contratos, mas mudança “para uma postura menos submissa e combater a corrupção”. O senador mineiro apontou  a dolarização da dívida interna como mais um fator de fragilização da economia e disse que, caso a situação saia de controle, “os credores sempre vão querer negociar, pois não confiam nos submissos”.

Construção
O candidato à Presidência da República pela coligação PPS-PTB-PDT, Ciro Gomes, apresenta hoje o seu programa de governo na 3ª Confic – Conferência Nacional da Indústria da Construção Civil, em Brasília, na sede da Confederação Nacional da Indústria. A palestra de Ciro está programada para 14h15. No painel “A Indústria da Construção no Futuro Governo”, o presidenciável vai apresentar suas propostas para o setor.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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