"É preferível ser o primeiro numa aldeia a ser o segundo em Roma."

Empresa Cidadã / 12:23 - 6 de nov de 2001

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(Júlio César, 102?-44a.C.) Situada nos Campos Gerais do Paraná, a cidade de Ponta Grossa é conhecida pelos cenários exuberantes, por sua importância para a economia do Sul do Brasil, pela capacidade da universidade estadual, em processo de estabelecimento em um novo e belo campus, e pela hospitalidade da sua gente. No dia 30 passado, foi instituído o Selo Social de Ponta Grossa, como forma de reconhecimento da responsabilidade social das empresas da região. Para que a empresa alcance a distinção, são condições necessárias a realização de um programa de benefícios aplicado aos seus colaboradores em educação, saúde, criança, adolescente ou meio ambiente e também ao empreendimento de uma contribuição para a sociedade na forma de participação em projetos de saúde, educação, assistência social, cultura, esporte, lazer, meio ambiente, geração de renda ou voluntariado empresarial. Recursos financeiros disponibilizados para os projetos são depositados em um fundo municipal constituído para este fim e os projetos contemplados são aprovados previamente por conselhos municipais nas áreas respectivas. A atribuição do selo é um processo conduzido pelo comitê avaliador, formado por cinco membros de secretarias municipais, dois de órgãos do governo estadual, um de órgão do governo federal, quatro de entidades da representação empresarial, cinco de conselhos municipais e um da imprensa. A instituição do Selo Social pela Prefeitura Municipal revela a complexidade que a discussão sobre a cidadania empresarial oferece. Neste caso, governo, empresas e terceiro setor investem numa parceria para orientar e controlar as contribuições para a sociedade disponibilizadas pelas empresas privadas. Iniciativa recente, a convivência exigirá a criação de mecanismos facilitadores que ainda não estão nos manuais. Alguns requisitos necessários à efetividade da ação social estão presentes, como a legitimidade de uma administração pública eleita, a capacidade empreendedora e administrativa dos empresários e a inclusão setorial das organizações do terceiro setor. A orientação e o controle social dos investimentos na cidadania podem ser potencializados com esta fórmula. Os conselhos temáticos e o conselho avaliador podem ser o nascedouro da solução do conselho municipal de responsabilidade social, capaz de estimular, orientar e controlar o ajuste entre a disposição de investir na sociedade e as necessidades comunitárias mais urgentes. O tempero local de parceria entre os setores ressalta a inexistência de uma receita única de responsabilidade social. Diferenças de porte de empresas e de municípios em que elas operam, de organização popular e de problemas a resolver desaconselham o monopólio do sabor. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ Mantido há dez anos pelo Sindicato da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon), o Programa Alfabetizar é construir alfabetizou mais de 10 mil profissionais do setor. O programa, idealizado por Célia Macieira, habilita para a leitura, para os cálculos numéricos e para a compreensão dos projetos com que os trabalhadores lidam no dia a dia mas tem finalidade mais elevada - despertar a cidadania e a auto-estima dos seus participantes. Paulo Márcio de Mello Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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