Ópio virtual

“Parafraseando Marx: “a Internet tornou-se o ópio do povo”. Novos e velhos, empregados e desempregados, todos eles passam horas passivamente contemplando espetáculos, pornografia, vídeo-jogos, consumindo online e até acessando a “notícias”, isolados dos restantes cidadãos e trabalhadores.” A análise é James Petras, professor emérito Binghamton University e um dos principais integrantes do pensamento crítico da atualidade, ao participar, na Turquia, do Symposium on Re-Publicness, patrocinado pela Chamber of Electrical Engineers;

Superabundância
Petras acrescenta que: “Em muitas ocasiões, a superabundância de “notícias” na Internet, absorve tempo e energia, desviando os “observadores” da reflexão e da ação propriamente dita. Assim como a escassa e tendenciosa informação dos meios de comunicação de massas distorce a consciência popular, o excesso de mensagens na Internet pode imobilizar a ação dos cidadãos.

Militância de teclados
Embora reconheça que a Internet, também, permite o acesso a importantes fontes alternativas de análise, bem, como, por ser uma forma fácil de comunicação, pode servir para a mobilização dos movimentos populares, ela não substitui o embate público pelo virtual: “A Internet, propositadamente ou não, “privatizouparticularizou” a vida política. Muitos ativistas potenciais foram levados a acreditar que o envio de manifestos a outros cidadãos é um ato político, esquecendo-se que apenas a ação pública, incluindo a confrontação com os seus adversários no espaço público, nos centros das cidades assim como no campo, é a base da transformação política”, defende o sociólogo.

Lance no escuro
A concessão da área do autódromo do Rio de Janeiro para a construção do Parque Olímpico pode levar a Prefeitura da cidade a bater recorde de irregularidades, se estiver correta a análise do ex-prefeito Cesar Maia (DEM). O local, que passará à iniciativa privada pelo equivalente a R$ 1,4 bilhão em troca da construção dos ginásios, é “várias vezes maior” que o necessário para os jogos. A construtora que ganhar poderá utilizar a área excedente, “de valor potencial não calculado pela prefeitura”, afirma o ex-prefeito.

3,5 Engenhões
De acordo com o ex-prefeito, engenheiros da prefeitura informam que não foi feito qualquer projeto executivo e detalhamento e que a licitação “será no escuro”.
“Como as obras em si não serão licitadas, quem vencer fará e não precisará informar quanto gastou. Estima-se um valor de obras por menos da metade do informado. O resto é lucro imobiliário.” E pergunta: “Esses ginásios desequipados valem três Engenhões e meio totalmente equipados?”

Direto
A Valetur, operadora de turismo do Rio Quente Resorts, quer crescer no mercado fluminense. Fará vôos fretados todos os domingos, a partir de 8 de janeiro, do Rio de Janeiro para Caldas Novas. Antes, o turista tinha de se deslocar para São Paulo. “Teremos saídas no verão com valores de baixa temporada”, destaca o diretor de Experiência em Marketing e Vendas, Manoel Carlos Cardoso.

Cultura
Um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Theatro Municipal do Rio marcará a cerimônia de entrega do Prêmio Barão de Mauá – Cultura 2011, realização da Associação Comercial (ACRJ) nesta segunda-feira.

Neutra, jamais
Para Galbraith, uma teoria econômica não é jamais neutra. Ela serve a interesses particulares, e as relações de poder devem fazer parte integrante da análise econômica. Isso pode ser visto em Introduction à John Kenneth Galbraith (Coll. Repères, La Découverte, 2011, 125 p., 9,50 euros, apenas em francês), de Stéphanie Laguérodie: “O economista norte-americano mais importante para os não economistas”, dizia dele Paul Samuelson, reconhecendo que Galbraith ainda seria lido quando os supostamente grandes economistas estariam “enterrados nas notas de pé de página das prateleiras de bibliotecas empoeiradas”.

Gigantes&anões
Se o momento histórico produz seus líderes, deve ser duro para a Alemanha, que, em momentos de crise, foi liderada por Konrad Adenauer, Otto Bismarck e Willy Brandt ter Angela Merkel à frente do país quando o mundo enfrenta o mais duro teste desde a Grande Depressão, de 1930. A mesma comparação desfavorável vale para todos os demais países mais ameaçados pela crise.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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