UE aprova assinatura de acordo comercial com Mercosul

Viana: acordo tem o potencial de incrementar exportações brasileiras para o bloco em cerca de US$ 7 bi

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Jorge Viana, presidente da ApexBrasil (foto de José Cruz, ABr)
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil (foto de José Cruz, ABr)

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia, do acordo de livre comércio com o Mercosul.

“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu em sua conta na rede social X. “A Europa está enviando um sinal forte.

Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou a presidente da comissão responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho Europeu.

Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar para o Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a Presidência rotativa pro tempore do bloco.

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No Brasil, a decisão foi comemorada por lideranças políticas e empresariais. Responsável por promover os produtos e serviços brasileiros no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirma que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.

“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos EUA, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.

Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento.”

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Oposição a Macron apresenta moção de censura por seu papel na assinatur

O principal partido da oposição de esquerda, La France Insoumise (LFI), apresentou nesta sexta-feira uma moção de censura contra o governo do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, para protestar contra a inação do Executivo francês diante do acordo dentro da União Europeia para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul.

Os deputados da LFI acusaram, em comunicado publicado nas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, e seu primeiro-ministro de “não tomarem as medidas necessárias” para “construir uma frente sólida contra o Mercosul” e de “não utilizarem todos os recursos à sua disposição para bloquear o acordo”.

“A humilhação da França em Bruxelas não é outra coisa senão o resultado da estratégia do presidente da República e de seu primeiro-ministro”, afirmaram em um comunicado, acrescentando que o acordo com o Mercosul “exacerbará a concorrência desleal para os agricultores” europeus.

“Como podemos lutar contra os preços baixíssimos dos produtos das imensas fazendas industriais do Brasil ou da Argentina, que não têm os mesmos níveis salariais nem os mesmos padrões de saúde, meio ambiente e bem-estar animal?”, questionaram.

Em resposta, Lecornu criticou a esquerda, alegando que apresentar uma moção de censura nesse contexto é “optar deliberadamente” por “enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa” da agricultura francesa.

“Isso atrasa ainda mais o debate orçamentário, já bloqueado pelos mesmos partidos políticos no contexto da agenda eleitoral, e envia um sinal muito ruim para o exterior, em um momento em que as tensões internacionais exigem seriedade e coesão e a crise agrícola torna urgente a adoção de orçamentos”, argumentou.

O primeiro-ministro destacou que o país “merece algo melhor” do que “posturas partidárias cínicas” por parte da oposição.

“A França tem uma posição clara sobre o Mercosul: votaremos contra, como era de se esperar”, afirmou.

O presidente do partido ultranacionalista francês Agrupamento Nacional (AN), Jordan Bardella, também anunciou na véspera que seu grupo apresentaria uma moção de censura contra o governo diante de “anos de negociações sem nunca defender os interesses franceses”.

Com informações da Agência Brasil e da Europa Press

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