A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira que, embora a União Europeia “não seja perfeita”, ela é uma promessa de que “o direito é mais forte que a força” e que “a cooperação é mais forte que o confronto”, princípios que são válidos “também para a Groenlândia”.
Durante seu discurso na cerimônia de inauguração da Presidência cipriota do Conselho da União Europeia, realizada nesta quarta-feira em Nicósia (capital do país), a chefe do Executivo comunitário comemorou que Chipre assuma a tarefa neste momento, pois é um dos poucos países dos 27 que melhor compreende “as consequências da divisão”.
“A própria União Europeia nasceu do conflito. A nossa União não é perfeita, mas é uma promessa: que a cooperação é mais forte do que a confrontação, que o direito é mais forte do que a força. Princípios que se aplicam não só à nossa União Europeia, mas também, da mesma forma, à Groenlândia”, afirmou.
Nesse sentido, afirmou que Chipre traz para a sua Presidência “uma autoridade moral única” como país “na encruzilhada de continentes, culturas e crises”, compreendendo “a importância estratégica da paz e da estabilidade”, bem como “a urgência da segurança num mundo incerto” e “o valor duradouro da paz”.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também proferiu um discurso na abertura da Presidência cipriota da UE, salientando que Chipre “assume o leme” num “momento muito desafiante”, mas que a própria história do país “lhe deu uma compreensão muito concreta do valor crucial do Direito Internacional”.
Para o socialista português, a Europa “não é apenas uma referência geográfica”, mas também “uma comunidade de valores”. “A nossa força coletiva baseia-se numa economia próspera e num maior esforço de investimento na defesa, sim. Mas, acima de tudo, depende da coerência com que defendemos esses valores”, acrescentou.
Por esse motivo, defendeu que a União Europeia “não pode aceitar violações do Direito Internacional”, seja “em Chipre, na América Latina, na Groenlândia, na Ucrânia ou em Gaza”. “A Groenlândia pertence ao seu povo. Não se pode decidir nada sobre a Dinamarca e sobre a Groenlândia sem a Dinamarca ou sem a Groenlândia. Contam com todo o apoio e solidariedade da União Europeia”, prosseguiu durante o seu discurso, afirmando que a Europa continuará a defender o direito internacional e o multilateralismo. “Nós, europeus, aprendemos com a nossa própria história que o unilateralismo é um caminho rápido para o conflito, a violência e a instabilidade”, concluiu Costa.
Otan afirma que segurança de aliado é coletiva e que isso também se aplica ao Ártico
A Otan afirmou nesta quarta-feira que a segurança de um Estado-membro se baseia na “defesa coletiva” e que esse princípio se aplica “em toda a Europa, no Ártico e no Atlântico Norte”, depois que os Estados Unidos reivindicaram a soberania da Groenlândia alegando motivos de “segurança nacional” e por ser “um local muito estratégico”.
Foi o que garantiram à Europa Press fontes da Aliança Atlântica, que lembraram que o Ártico “tem uma importância estratégica crescente” e que a Otan tem “um claro interesse em manter a segurança e a estabilidade na região”. “A segurança da Otan baseia-se na defesa coletiva: a segurança de um aliado é inseparável da segurança de todos. Isto aplica-se a toda a Europa, ao Ártico e ao Atlântico Norte”, argumentaram as mesmas fontes.
A Aliança Atlântica também lembrou que o recente acordo alcançado em 2025 na Cúpula de Haia, no qual os países membros se comprometeram a aumentar os gastos com defesa para até 5% do seu PIB (exceto a Espanha), já implica um reforço da dissuasão e da defesa da Otan, “também no Ártico”.
“A Otan está também a intensificar a sua atenção ao Alto Norte através de uma melhor consciência situacional, treino e exercícios para garantir a preparação em todas as condições, e os Aliados estão a investir em capacidades aéreas e marítimas essenciais”, concluiu a Aliança na sua mensagem.
Com informações da Europa Press

















