Os líderes dos Estados-membros da União Europeia não discutiram os nomes dos candidatos, mas apenas o processo para escolher o novo presidente da Comissão Europeia, disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.
Durante uma conferência de imprensa após o jantar informal dos líderes, Tusk disse aos repórteres que a discussão confirmou o acordo alcançado pelos líderes em fevereiro do ano passado, no qual "o Conselho Europeu exercerá seu papel ao eleger o presidente da Comissão, significando, de acordo com os Tratados, que não pode haver automatismos".
"Ao mesmo tempo, ninguém pode ser excluído: ser um candidato principal não é uma desqualificação, pelo contrário, pode aumentar as suas possibilidades. O Tratado é claro: o Conselho Europeu deve propor, e o Parlamento Europeu deve eleger," ele disse durante a conferência de imprensa.
"Portanto, o futuro presidente da Comissão deve contar com o apoio de uma maioria qualificada no Conselho Europeu e de uma maioria dos membros do Parlamento Europeu", ele notou.
O cenário da política europeia está mudando à medida que políticos de extrema-direita e nacionalistas obtiveram fortes ganhos nas eleições para o Parlamento Europeu, embora as partes comprometidas com o fortalecimento da União tenham retido mais de dois terços dos assentos.
As eleições deste ano tiveram um comparecimento recorde, já que quase 51% dos 426 milhões de eleitores elegíveis no bloco de 28 membros votaram entre os dias 23 a 26 de maio.
"Estamos muito felizes com a participação, que foi a mais alta em 25 anos. Isso prova que a UE é uma democracia pan-europeia forte, da qual os cidadãos se preocupam. Quem liderar as instituições europeias, terá um genuíno mandato das pessoas", disse Tusk.
Enquanto isso, Angela Merkel, a chanceler alemã, disse aos repórteres que a discussão desta noite foi "harmoniosa". Ela disse que os líderes concordaram em tentar estabelecer um candidato para o presidente da Comissão até a próxima cúpula, no final de junho.
Ela disse que Tusk foi encarregado de consultar entre os líderes e "muito de perto" com o Parlamento Europeu.
Antes deos líderes iniciarem o jantar informal, o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, mostrou publicamente seu apoio a um processo de escolha de presidentes, Spitzenkandidat.
"Da última vez, o Spitzenkandidat tornou-se o presidente da Comissão Europeia. Também deveria acontecer desta vez", disse ele em sua conta no Twitter.
Esta longa palavra alemã significa essencialmente "candidato principal" e refere-se a um sistema no qual os grupos políticos europeus apresentam um candidato para liderar a sua lista de candidatos. Isso faz do Spitzenkandidat algo do "rosto" da campanha de um grupo político.
O Spitzenkandidat também pretende representar a escolha de um grupo político europeu para o próximo presidente da Comissão Europeia, para tomar o lugar de Juncker quando ele deixar o cargo neste outono. Em teoria, o grupo político europeu que ganhar lugares suficientes no Parlamento Europeu para formar uma coalizão de governo teria seu Spitzenkandidat se tornar o próximo presidente da Comissão Europeia, desde que ele ou ela seja aprovado pelo Conselho Europeu.
Juncker foi o primeiro presidente da Comissão Europeia a ser eleito desta forma, como o Spitzenkandidat para o grupo político do Partido Popular Europeu em 2014. Ele também pode ser o último, uma vez que nem todos os líderes da UE concordam que o sistema deve continuar.
O presidente da França, Emmanuel Macron, é um dos líderes recentes a sugerir que ele não apoiaria a abordagem, dizendo em uma coletiva de imprensa em Sibiu, na Romênia, no dia 9 de maio, que não "se sente obrigado pelo princípio do Spitzenkandidat". Macron foi acompanhado pelo primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, mostrando algumas dúvidas sobre o sistema.
Não haverá renegociação de acordo do Brexit, diz UE aos britânicos
Enquanto crescem os temores de que o sucessor de Theresa May possa iniciar um confronto com o bloco, Juncker disse que "a União Europeia não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May".
O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou sua renúncia, provocando uma disputa de liderança no Partido Conservador, que poderá levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais decisiva com a UE.
Um dos candidatos, o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disse que buscar um Brexit sem acordo seria um "suicídio político", uma reprimenda ao favorito, Boris Johnson, que disse na semana passada que o Reino Unido deveria deixar a UE com ou sem acordo até o fim de outubro.
Hunt, que votou para permanecer na UE no referendo de 2016 mas agora aceita o Brexit, disse que tentaria buscar um novo acordo que tiraria o Reino Unido da união alfandegária com a Europa, "respeitando preocupações legítimas" sobre a fronteira com a Irlanda.
A UE, no entanto, afirmou que não haverá renegociação.
"Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação", observou Juncker antes de um encontro de líderes da UE em Bruxelas.
O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo.
"Bem, há um risco crescente de não acordo. Há possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada", afirmou a jornalistas.
Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico. Além disso, uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda a muitos parlamentares, deve ser encontrada.
Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo "backstop", que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte e Irlanda.
Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.
Com informações da Xinhua e da Agência Brasil, citando a Reuters
















