Retrospectiva
Início Opinião Éfeso, cidade da Virgem Maria

Éfeso, cidade da Virgem Maria

1168

Éfeso foi uma das grandes cidades dos jônicos na Ásia Menor, situada no local onde o Rio Caister deságua no Mar Egeu. Era o centro comercial, religioso e político da Ásia Ocidental. Foi fundada por colonos provenientes principalmente de Atenas. Ciro, o Grande, incorporou a cidade ao Império Persa e Alexandre libertou-a em 334 a.C.. Com o surgimento do Cristianismo, Éfeso foi uma das primeiras cidades alcançadas pela pregação dos apóstolos. Situa-se próxima à atual Selçuk, na Turquia.
Em Éfeso existia um dos maiores teatros do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 mil a 500 mil habitantes. Era a quinta mais populosa cidade do império. Também em Éfeso surgiram as condições para uma mudança fundamental no pensamento do Ocidente, durante os séculos VII e VI a.C. Éfeso e Mileto, também na Ásia Menor, são berços da filosofia. Em 133 a.C., Éfeso foi declarada capital da província romana da Ásia, mas pesquisas arqueológicas revelam que Éfeso já se constituía em centro urbano antes de 1000 a.C., quando era ocupada pelos jônios. É considerada a mais antiga cidade do mundo.
Sua riqueza, contudo, não era apenas material. Nela se destacavam iniciativas culturais como escolas filosóficas; escola de magos e muitas manifestações religiosas, sendo a mais significativa em torno de Ártemis; a deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da fertilidade. É dedicado a Ártemis o maior templo nela encontrado por arqueólogos austríacos. Ao lado do templo de Ártemis, com 80 metros de comprimento e 50 metros de largura, foram encontrados suntuosos palácios romanos. Outras descobertas incluem uma bela casa de banho, de mármore, com muitos quartos, uma magnífica biblioteca, a “Catacumba dos Sete Adormecidos”, onde foram encontrados centenas de locais de sepultura, e um templo dedicado à adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador que exilou João na ilha de Patmos e perseguiu aos cristãos. Como é comum em praticamente todas as cidades ao redor do Mediterrâneo, também Éfeso acumulava em sua tradição traços religiosos orientais, egípcios, gregos, romanos e do judaísmo.
O antigo geógrafo Estrabão, que viveu de 64 a.C. a 25 d.C., descreveu-a como “o maior centro de comércio exterior que havia na Ásia”. Os arqueólogos encontraram uma inscrição em pedra (talvez erigida por ordem do imperador), que premiava Éfeso como a “mais ilustre de todas as cidades” da Ásia.
Nos tempos apostólicos, Éfeso foi uma das cidades do Império Romano onde o cristianismo mais se difundiu. Os apóstolos Paulo e João pregaram na cidade. A igreja que havia em Éfeso no fim do primeiro século de nossa era foi uma das sete igrejas mencionadas no Apocalipse, ao lado de Esmirna, Pérgamo, Sardes, Tiatira, Filadélfia e Laodicéia. A cidade também foi sede de dois concílios. Nela se localizam ruínas da Basílica de São João, o Teólogo. O católico, em Éfeso, sente algo especial. É que no alto de uma das suas colinas encontra-se localizada a casa em que a Virgem Maria viveu, depois da morte de Cristo. Fortemente guardada por policiais armados, esse templo sagrado já foi visitado pelos Papas João XXIII e João Paulo II. O Papa Bento XVI esteve, recentemente, por lá e rezou uma missa, permitindo, a partir da sua visita ao local, que outros sacerdotes passassem também a celebrar missas nesse local, cercado por uma vegetação exuberante. Não somente as ruínas impressionam, mas a simbologia dessa cidade absolutamente incrível e única. Verdadeiramente emocionante!

Paulo Alonso
Reitor do Anglo-Americano.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui