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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Ônus

Sem espaço para propor políticas econômicas que provocaram grandes crises nas últimas décadas, o FMI se volta para defender os interesses das grandes potências através do aparato ambientalista. Em estudo que será divulgado semana que vem, o Fundo defende que países emergentes arquem com o mesmo custo que as nações ricas no combate à poluição. Seria algo semelhante a propor que um morador de um prédio de luxo na Av. Atlântica pagasse a mesma taxa de lixo que alguém que vive na Rocinha, além de dividir por ambos o ônus de desativação do “lixão” de Gramacho.

Doença
No momento em que o estado convive com uma das piores epidemias de dengue dos últimos anos, o Governo do Rio de Janeiro orgulha-se de, apenas no primeiro bimestre do ano, ter desviado R$ 1,3 bilhão da arrecadação do estado para pagar juros – perversão social a que economistas chamam de superávit primário. O dinheiro esterilizado com essa intenção foi 68,9% maior do que no mesmo período de 2007.

“Sex appeal”
Para que se tenha uma noção das prioridades do governador Sérgio Cabral (PMDB) e seu secretário de Fazenda, Joaquim Levy, informe-se que, também no primeiro bimestre do ano, a dupla investiu R$ 48,5 milhões em Saúde e Educação. Isso significa 0,37% do dinheiro destinado ao pagamento de juros. Em artigo publicado 11 de dezembro passado, Levy vaticinara: “Tem coisa que não tem sex appeal, mas faz muita diferença. Responsabilidade fiscal é uma delas.” Imagine se tivesse.

2009 tranquilo
Pelos comentários que o prefeito Cesar Maia faz em seu Ex-Blog, esta coluna se arrisca a traduzir a estratégia da Prefeitura do Rio no combate à dengue: deixar os cariocas adoecerem para adquirirem imunidade ao vírus. Veja-se o comentário de Maia divulgado na quarta-feira: “Um surto epidêmico forte num ano produz, numa linguagem leiga, uma proteção alta às pessoas, por um período seguinte ou mais. São Paulo, por exemplo, no primeiro trimestre de 2007 teve 44.760 casos comprovados. Neste primeiro trimestre estes números caíram muito.”

À frente
Humberto Barbato foi eleito presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec). Barbato, que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, pretende priorizar as demandas da indústria em relação ao incentivo à pesquisa e à inovação.

Coisa de louco
Um presidente de estatal está sendo acusado de transformar a empresa num cabide de empregos. O mais recente candidato à admissão é o psiquiatra do dirigente.

Turismo na telinha
Será realizado nesta segunda, no Rio, o I Seminário sobre e-commerce da UniverCidade, organizado pela Escola de Turismo e Hotelaria, para discutir a importância de tal atividade e seus reflexos nos canais de distribuição e venda dos produtos turísticos. Entre os presentes, o diretor da Ticket Travel, Rafael Gherardi. O evento será aberto pelo professor Bayard Boiteux. Inscrições e informações através do e-mail eventur@univercidade.br

Kamelmania
A obsessão da TV Globo pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parece não ter fim. Ao ilustrar um texto sobre as mentiras que se contam no 1º de abril, a primeira imagem de político a ser exibida pela emissora foi a do presidente venezuelano. O curioso é que a maior parte das críticas dos adversários a Chávez é justamente por cumprir o que promete. Ou seja, o criticam, e duramente, por discordar do que faz, não por não cumprir o que promete.

Belo canto
O Teatro Municipal de São Paulo traz a ópera  Falstaff, de Verdi. A temporada lírica estréia neste sábado, às 20h30. Fazem parte do musical o barítono Licio Bruno, a soprano Laura de Souza, a meio-soprano Regina Elena Mesquita, além do barítono argentino Leonardo Estévez.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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