Último ato

A cortina está sendo fechada, e a presidente afastada Dilma Rousseff encara o final do impeachment. O processo teve um efeito didático: mostrou a tibieza de políticos que sempre tentaram pautar suas imagens no campo progressista, mas que carregam um discurso vazio e oportunista. O senador Cristovam Buarque se apresenta como defensor da Educação. Mas vota pela confirmação de Michel Temer, alegando que Dilma não deixa claro qual seria sua política para o Brasil se voltasse ao poder. O interino, ao contrário, já disse a que veio (e aonde irá): vai arrochar o orçamento, o que se traduzirá em menos recursos para a área tão cara a Buarque. O próprio senador do PPS admite: “Meus eleitores estão revoltados.” E, apesar de temer (sem trocadilho) um “suicídio político”, votará de acordo com sua “consciência”.

Não é caso único. Mas há outras situações ainda piores. Senadores que estão leiloando sua “consciência” em troca de cargos e indicações. Não deixa de ser irônico que Dilma, que governou sob uma coalizão que incluía o que de pior a política brasileira tem a apresentar, mas sempre com uma distância que acabou lhe rendendo o processo de impeachment, dependa do fisiologismo expresso para sobreviver.

É a crise, estúpido!

Os democratas estadunidenses estão perdendo uma parte de sua base tradicional: a classe trabalhadora branca. Não se trata de rejeição a Hillary Clinton; é um processo que vem crescendo com a crise econômica, o desemprego e o achatamento da classe média.

Matéria do Center for Public Integrity, citando pesquisa de novembro do ano passado, mostra que 72% dos norte-americanos (78% no caso específico da white working-class) acredita que os EUA ainda estão em recessão.

Um estudo da Universidade Chicago constatou que, em 2002, pouco menos de 20% dos estadunidenses brancos não tinham qualquer confiança no Executivo federal. Em 2014, este percentual pulou para quase 50%.

Os dados ajudam a explicar a ascensão do republicano Donald Trump e seu discurso pró uma América forte entre eleitores tradicionalmente democratas. Em Ohio, mais de 6 mil eleitores de Mahoning County trocaram o Partido Democrata pelos Republicano nas inscrições para as eleições deste ano, após verem os postos de trabalho da indústria siderúrgica derreterem.

No Estado do Tennessee, após uma fábrica de roupas transferir toda sua produção – e empregos – para o México, um condado que em 2000 e 2004 votou nos democratas se bandeou para os republicanos em 2008 e 2012.

No Kentucky, a derubada da indústria do carvão levou os votos no Partido Republicano saltarem de 31%, nas eleições presidenciais de 2000, para 72%, em 2012.

‘Go out’

Há alguns dias esta coluna publicou nota sobre a teoria da conspiração em torno do jogo Pokémon Go, cujo interesse seria ter acesso, através das câmeras dos celulares dos jogadores, ao interior de seus apartamentos e ambientes de trabalho. Como seguro morreu de velho, grandes corporações, como a Volkswagen, e órgãos governamentais, como o Pentágono, baniram o uso do aplicativo em suas dependências. A desculpa varia entre a segurança do trabalhador e a produtividade.

Retomada

A Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/Eesp) sediará, entre 1º e 3 de setembro, o IX Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira. O evento abordará os desafios para a retomada do crescimento da economia brasileira sob uma perspectiva keynesiana; o crescimento e os padrões de distribuição de renda; e os 80 anos da Teoria Geral Keynesiana.

Entre os palestrantes estarão: Nelson Marconi (FGV/EESP); Elaine Araujo (UEM); Luiz Carlos Bresser-Pereira (FGV/EESP); Roberto Frenkel (Universidade de Buenos Aires); Fabio Terra (UFU); Giuliano Contento (Unicamp); Gabriel Palma (Universidade de Cambridge); Pedro Rossi (Unicamp/SEP); André Cunha (UFRGS); Fernando Ferrari (UFRGS); Louis-Phillippe Rochon (Universidade de Toronto); Gilberto Tadeu Lima (FEA-USP). A FGV fica na Rua Itapeva, 432, São Paulo, capital.

Mudança de humor

Após iniciadas as Olimpíadas, 36% dos brasileiros afirmou que sediar os Jogos Olímpicos é positivo para o país; 33% discorda desta afirmação. Antes do início da Rio 2016, 24% achava que seriam positivos, e 52% não concordava. O levantamento foi feito pelo app PiniOn entre 10 e 12 de agosto.

Concordou com a frase “Os jogos olímpicos estão fazendo com que a população esqueça dos escândalos de corrupção do país” 46% dos entrevistados; 31% discordou desta afirmação.

Rápidas

O Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra realizará, dia 9 próximo, o 5º Seminário de Estudos Estratégicos com o tema “30 Anos Zopacas” *** O Carioca Shopping recebe, no próximo domingo, às 17h, a Orquestra Petrobras Sinfônica, sob a regência do maestro Sammy Fuks. A entrada é gratuita *** Também neste domingo, acontece mais uma edição da Feira do Caxias Shopping (RJ). O evento é um importante polo de venda e divulgação do trabalho realizado pelos produtores rurais da Baixada Fluminense.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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