27.6 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, janeiro 15, 2021

Um golpe contra o Brasil

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento do gasto público à variação da inflação por 20 anos, a partir de 2017, com a possibilidade de revisão da regra somente a partir do décimo ano de vigência, apresentada pelo governo interino, é uma catástrofe do ponto de vista econômico e estratégico para o Brasil. Só que há um agravante: em nenhum momento tal exibição explícita de subserviência ao neoliberalismo passou pelo crivo das urnas. Apresentada por um governo que ainda depende da confirmação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, e cujo prazo de validade parece estar vencendo, haja vista a segunda denúncia envolvendo o presidente em exercício, Michel Temer, e propinas pagas por empreiteiras, a PEC não pode ser caracterizada de outra forma que não um golpe daqueles que querem se aproveitar de um período no poder e de um Congresso que mais parece um balcão de negócios para imobilizar o país por duas décadas.

De acordo com a Fazenda, os valores mínimos dos gastos da União com saúde e educação passarão a ser corrigidos pela variação da inflação do ano anterior. Em ambos os setores, isso equivale a propor o fim do atendimento à saúde e do ensino público gratuitos, se não para toda a população, pelo menos para a classe média. A PEC vai na contramão dos que pregam – muitos agora alojados no governo provisório – que o Brasil não tem trabalhadores qualificados, e que isto só poderia ser alcançado com educação a longo prazo. Pois agora este prazo fica 20 anos maior. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “a despesa pública no Brasil tem crescido de forma insustentável”. A despesa que mais tem crescido é a com juros – mas quanto a isto a proposta de Meirelles passa longe.

Engessar o crescimento do país só atende a interesses dos que querem impedir que o Brasil assuma uma posição de destaque no cenário mundial. A proposta consolida a postura de inserção subalterna do país, muito a gosto daqueles que não se sentiram constrangidos a tirar os sapatos para poder passar pela alfândega norte-americana. Ou daqueles que pretendem distanciamento dos Brics, em um momento em que o grupo se apresenta cada vez mais como alternativa aos ditames do sistema financeiro mundial. A pressa dos que querem aproveitar o momento de confusão para impor uma agenda que não passaria por qualquer discussão séria, muito menos pelo crivo das urnas, é um golpe que tem que ser impedido.

Negócio que é batata

O chef Vall Coutinho encontrou em um de seus pratos mais concorridos uma grande oportunidade de mercado e, juntamente com seu filho, Vito Laselva, lançou um serviço de entregas de batatas Rostie. Com pouco mais de três meses de operação, a Batata do Vall já passa de 600 clientes nos bairros cariocas do Grajaú, Andaraí, Tijuca, Méier e Engenho Novo, o que tem levado a empresa familiar a expandir sua área de entrega. As próximas regiões a entrarem no mapa são as de São Cristóvão e Catete. Serão lançadas também batatas congeladas, para cliente final e para comerciantes que desejam revendê-las.

Porto em expansão

O Porto Itapoá, em Santa Catarina, completa nesta quinta-feira cinco anos de operação, consolidando a sua posição como um dos maiores e mais eficientes terminais portuários do país. Itapoá é hoje o sexto maior terminal brasileiro em movimentação de contêineres brasileiro, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Em 2015, o porto registrou um aumento de 14,50% no volume de cargas, com um total de 548.463 TEUs (medida padrão para contêineres) movimentados. O projeto de expansão do terminal está em marcha, dependendo apenas do licenciamento ambiental final, o que deve ocorrer ainda em 2016. Pelo projeto de expansão o porto terá capacidade para movimentar 2 milhões de TEUs ano.

Rápidas

Os economistas Regis Bonelli e Fernando Veloso, da FGV/Ibre, lançam nesta quinta, no Rio, na Livraria Travessa Ipanema, às 19h, o livro A Crise de Crescimento do Brasil (Editora Elsevier). É uma coletânea com textos de Armando Castelar, Samuel Pessôa e Fernando de Holanda Barbosa Filho, entre outros *** A OAB-RJ, em parceria com a OAB Nacional e a Comissão de Direito Previdenciário, discute dia 20, das 9h às 13h, a reforma previdenciária. Vão estar presentes profissionais de diferentes áreas, inclusive um economista que defende que não existe déficit que justifique a reforma. A mesa redonda vai ser realizada no Plenário Evandro Lins e Silva, na Av. Marechal Câmara 150 (4º andar) *** Planejamento estratégico e tomadas de decisão são temas de Enxergando o Óbvio, livro do administrador de empresas e consultor de negócios Roberto Barretto disponível na Livraria Travessa *** O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) vai realizar nesta quinta-feira o Seminário Nacional de Qualificação de Multiplicadores, com o tema Financiamento de Campanha e Prestação de Contas de Candidatos e Partidos Políticos para as Eleições 2016. O Seminário é aberto ao público e abordará, de maneira didática, como realizar a prestação de contas de uma campanha.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

Não foi a disrupção que derrotou a Ford

Mercado de automóveis está mudando, mas montadora sucumbiu aos próprios erros e à estagnação que já dura 6 anos.

Quantas mortes pode-se debitar na conta de Bolsonaro?

Se índice de óbitos por Covid-19 no Brasil seguisse a média mundial, teriam sido poupadas 154 mil vidas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Varejo sente redução no auxílio e alta da inflação

Comércio ficou estável em novembro e quebrou sequência de recuperação.

Senado quer que Pazuello se explique

Pedido de convocação para cobrar ação do Ministério da Saúde no Amazonas.

Lenta recuperação na produção industrial dos EUA

Setor ainda está 3,6% abaixo do nível anterior à pandemia.

Realização de lucros em âmbito global

Bolsas europeias e os índices futuros de NY operam em baixa nesta manhã de sexta-feira.

Desaceleração deve vir no começo do primeiro trimestre

Novo pacote de estímulo fiscal, bem como o avanço da imunização, deve garantir reaceleração em direção ao final do período.