Um mundo cada vez mais interdependente

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Uma aparente trégua se fez notar nos mercados nesta segunda-feira, com as principais bolsas operando em alta. Nesta tarde de segunda-feira, até as 16:30m, a Bovespa operava em alta acima de 3,0% depois de fechar na semana passada em baixa de 7,87% pelos temores do setor imobiliário e do crédito de alto risco (subprime) nos EUA. Já o dólar operava a R$ 1,879 na venda.
Nos mercados, as maiores dúvidas se referem ao real estado deste mercado de crédito dos EUA, os riscos de contaminação sobre outras áreas e a extensão de uma provável crise.
Numa breve explicação, um boom de financiamentos imobiliários teve início em 2004, quando o juro de curto prazo estava em 1% anuais e a oferta de crédito abundante, o que aumentou consideravelmente a demanda aplicação em imóveis. Com a elevação gradual do juro, desde 2004, até os atuais 5,25%, a inadimplência acabou ocorrendo, derrubando a venda e as cotações dos imóveis. Como as empresas de financiamento imobiliário revenderam suas carteiras de subprime para os bancos, fundos de pensão, fundos hedge, etc, estas acabaram “contaminadas” pela alta inadimplência neste segmento de alto risco. Como corolário, uma maior cautela na concessão de crédito vem ocorrendo recentemente, o que deve impactar o crescimento da economia norte-americana neste, ainda mais quando se sabe do peso do consumo privado no seu desempenho. Estimativas do FMI, por exemplo, prevêem um crescimento no patamar em torno de 2,0% neste ano e no próximo. Na semana passada saiu a primeira revisão de crescimento do PIB norte-americano no 2º trimestre, acima do esperado, de 3,4% em termos anualizados.  
Neste contexto, a maior receio neste momento é saber a extensão ou profundidade desta crise. Nesta semana que se inicia os investidores terão elementos para avaliar melhor esta crise e como se comporta a economia norte-americana, após a derrubada das principais bolsas do mundo na semana passada.
Nos Estados Unidos, os relatórios mais importantes a serem divulgados, são os seguintes: o índice de preços dos gastos com consumo (PCE) de junho (indicador de inflação preferido do Fed) e de atividade industrial (PMI) de julho na terça-feira, o índice de refinanciamento de hipotecas na quarta-feira, o de atividade industrial (ISM) de julho e os dados do mercado de trabalho (Payroll) de julho na sexta-feira.
Na pauta doméstica, destaque nesta segunda-feira para a divulgação da pesquisa Focus e o IGP-M de julho, que registrou alta de 0,28%, pouco acima da variação de +0,26% de junho. Na quarta-feira sairá o resultado da balança comercial de julho e a Política Fiscal de junho, na quinta-feira haverá a divulgação do IPC-Fipe de julho e a Pesquisa Industrial Mensal de junho. Já a pesquisa Focus veio sem maiores surpresas, com o IPCA previsto em 3,72% neste ano, o câmbio a R$ 1,89 e a taxa Selic a 10,75% ao ano.

Julio Hegedus Netto
Economista-chefe da Lopes Filho & Associados
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