Um Niemeyer para a nova arquitetura financeira global

Baixo crescimento e elevada desigualdade demandam nova arquitetura financeira e governança global

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Reunião dos ministros de Finanças e presidentes de BCs do G20
Reunião dos ministros de Finanças e presidentes de BCs do G20 (foto G20Brasil)

Como Oscar Niemeyer disse certa vez, “arquitetura é invenção”. A arquitetura econômica e financeira mundial precisa do espírito inventivo para ficar mais equitativa, equilibrada e sustentável, para que outros milhões possam ser beneficiados.

É dessa forma que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, finaliza artigo em que aborda os desafios dos ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais dos países do G20, que se realiza em São Paulo – no Pavilhão da Bienal, projetado exatamente pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Sobre a presidência do Brasil este ano, o G20 buscará meios para reduzir a desigualdade, combater a fome e melhorar a governança global. Os grandes desafios são um mundo em marcha lenta, especialmente as economias desenvolvidas, e a crescente concentração de renda – e poder.

No período 2023–2028, as economias avançadas do G20 devem crescer (mediana) menos de 1% anualmente. Nos países emergentes que compõem o bloco com as maiores economias do mundo, a mediana deve baixar de pouco mais de 3% (2000–2007) para cerca de 2% nos próximos cinco anos; a União Africana deverá ter um crescimento similar.

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A economia real lenta faz aumentar o peso da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dos países. A previsão do FMI é que até 2028 a relação dívida/PIB nas economias avançadas do G20 passe de 120%. Nos países emergentes, essa relação ficará em cerca da metade.

Como salientou o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, nesta segunda-feira, a estabilidade das economias dos países ocidentais é bem inferior aos das nações em desenvolvimento – ele se referiu especialmente ao Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, agora acrescido de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã.

Em relação à concentração de renda, estudo da ONG britânica Oxfam divulgado nesta segunda-feira mostra que, nos últimos 40 anos, o rendimento do 1% mais rico dos países do G20 subiu 45%. No mesmo período, as alíquotas mais altas sobre seus rendimentos recuaram em cerca de um terço (de cerca de 60% em média, em 1980, para 40% em 2022).

“Em países como o Brasil, França, Itália, Reino Unido e EUA, os super-ricos pagam uma taxa efetiva de imposto inferior à do trabalhador médio”, diz o relatório. Os países do G20 abrigam quase quatro em cada cinco bilionários do mundo.

Os membros do G20 arrecadam, em média, apenas 7,6% das suas receitas fiscais através de impostos sobre a riqueza (excluindo a Índia, a Rússia e a Arábia Saudita, para os quais não existem dados disponíveis). O Brasil propõe a criação de uma taxa sobre a riqueza dos super-ricos.

Quase três quartos dos milionários nos países do G20 que responderam a pesquisas apoiam impostos mais elevados sobre a riqueza e mais de metade pensa que a riqueza extrema é uma “ameaça à democracia”; 72% pensam que a riqueza extrema ajuda a comprar influência política.

A construção da nova arquitetura financeira e de governança global vai necessitar, como observou Kristalina Georgieva, da ousadia de um Niemeyer. Será que o mundo terá alguém para assumir esse papel?

Rápidas

A HCC Hotels, com forte presença na região Sul do Brasil, contratou Marcelo Pretti para assumir a gerência geral dos dois novos empreendimentos da operadora, ambos em Salvador (BA), com as marcas Wyndham e Best Western, que somados têm 465 apartamentos *** Luiz Leão (presidente do Instituto Coalizão Rio), Terry Brossmann (diretor comercial GNOZ Mamma Jamma) e Julio Monteiro (sócio da Megamatte e vice-presidente da ABF-Rio) farão palestras na sede do Grupo Soares Pereira, em São Conrado, para o Conselho Consultivo de Varejo e Serviços, nesta quinta, às 18h, sobre a campanha “Eu amo o Rio” e expansão de marcas.

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