O Brasil volta a ocupar posição de destaque no cenário global como destino de investimentos, impulsionado pela estabilidade macroeconômica, aprimoramento regulatório e políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à inovação. O desempenho do Ibovespa, mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na bolsa de valores do Brasil, tem registrado alguns recordes nas últimas semanas, se aproximando da marca histórica dos 150 mil pontos. Isso reflete, em parte, certo otimismo do mercado, sustentado tanto por fatores internos quanto pelo corte de juros nos Estados Unidos, que torna os ativos brasileiros mais competitivos.
Segundo análise divulgada pelo Banco Central, o país encerrou 2024 com US$ 1,141 trilhão em investimento estrangeiro direto (IED), equivalente a 46,6% do PIB — recorde histórico e evidência da confiança internacional na economia brasileira. Em 1995, essa proporção era de apenas 6,1%; em 2010, de 25,2%; e em 2023, de 45%. Do total, US$ 884,8 bilhões correspondem à participação de estrangeiros no capital de empresas nacionais, e US$ 256,4 bilhões a operações intercompanhia. Os relatórios da B3 confirmam a confiança do momento: o fluxo de investimento estrangeiro foi positivo em R$ 26,9 bilhões no primeiro semestre desse ano, considerando IPOs e follow-ons, o melhor desempenho desde o segundo semestre de 2023. Os Estados Unidos, seguidos por França, Uruguai, Espanha e Países Baixos, lideram a lista de países investidores. Entre os setores mais relevantes estão serviços financeiros, comércio, energia elétrica e extração de petróleo.
O novo ciclo de investimentos não decorre apenas de conjuntura favorável, mas de uma estratégia voltada ao fortalecimento da governança econômica e à previsibilidade regulatória. A redução da inflação, a melhora das contas públicas e as projeções de superávit fiscal criam um ambiente mais estável para o capital de longo prazo.
Entre as iniciativas do governo, destacam-se o Eco Invest Brasil e o Visto de Ouro. O primeiro estimula investimentos em bioeconomia, transição energética e economia circular; o segundo oferece residência a investidores estrangeiros qualificados, ampliando o fluxo de recursos e de parcerias estratégicas. Projetos de infraestrutura devem atrair cerca de R$ 180 bilhões em aportes privados, impulsionando a integração regional e a competitividade das cadeias produtivas.
Com a proximidade da COP 30, o país busca consolidar-se como referência em finanças sustentáveis, apresentando soluções voltadas à preservação ambiental e à mitigação do desmatamento. Nesse contexto, a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), em parceria com a ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), lançou o programa Invest in Brasil Wind Energy, que pretende ampliar a cadeia produtiva de energia renovável e fortalecer a imagem do Brasil como mercado confiável e inovador.
Cooperação internacional e o papel estratégico da governança
O sucesso na atração de investimentos também depende da diplomacia econômica e da capacidade do país de se projetar globalmente. Durante a Conferência Anual de 2025, realizada em outubro, em São Paulo, líderes da diplomacia e do setor produtivo discutiram formas de ampliar a cooperação em transição energética, biocombustíveis e inovação tecnológica.
Entre os participantes, estava Henry Huiyao Wang, fundador do Center for China and Globalization, que enfatizou a necessidade de o Brasil adotar postura mais proativa junto aos investidores chineses. Segundo ele, é essencial divulgar melhor o potencial produtivo e os diferenciais competitivos brasileiros para fortalecer a parceria sino-brasileira e diversificar as fontes de capital estrangeiro.
Apesar do ambiente favorável, o verdadeiro diferencial competitivo do Brasil está na qualidade da governança. Mais do que juros atrativos ou tamanho de mercado, é a governança que converte oportunidades imediatas em crescimento sustentável, assegurando clareza, disciplina e transparência nas decisões, mesmo diante de mudanças econômicas ou políticas.
Ao fortalecer instituições, aprimorar o marco regulatório e manter políticas baseadas em critérios técnicos, o Brasil tem condições de transformar o atual momento em um ciclo duradouro de desenvolvimento. O desafio é equilibrar abertura ao capital internacional com solidez institucional, garantindo que o investimento estrangeiro gere produtividade, competitividade e benefícios sociais de longo prazo.
João Roberto Benites preside Conselhos de Administração de empresas familiares. Atua como Conselheiro Consultivo da Grant Thornton Brasil e do Hospital das Clínicas (SP). É conselheiro certificado pelo IBGC, especialista em expansão estratégica de empresas

















