Um por todos e todos por um: o planeta agradece

Brasil cumpriu até agora apenas 1,5% da meta de reduzir poluentes e restaurar áreas desmatadas.

Até quando acreditaremos que os danos ambientais são reversíveis, que não somos os causadores dessa desordem climática e que apenas os entes estatais têm deveres em relação à preservação ambiental? A decisão dos brasileiros mudarem padrões de consumo é tão importante quanto a atuação de etnias indígenas para a conservação da biodiversidade; quanto a mobilização de brigadas de incêndio; quanto as indústrias reduzirem a emissão de gases de efeito estufa; quanto os agricultores reduzirem o uso de água para irrigação, a expansão agrícola por meio do desmatamento ilegal e a degradação das terras devido ao uso de pesticidas, fertilizantes e queimadas; quanto a união dos coletadores e conscientização ambiental das comunidades; quanto as pesquisas científicas; quanto as parcerias das empresas para a restauração florestal e para uma economia verde.

Com o desmatamento e consequente aumento de áreas degradadas, especialmente no Cerrado e na Amazônia, vivenciamos um verdadeiro colapso ecológico. A redução das áreas alagadas no Pantanal e das chuvas na Amazônia são consequências da degradação dos ecossistemas e acabam ocasionando um efeito dominó, atingindo o equilíbrio climático das cidades no Brasil e no mundo. Isso propicia a seca e a consequente crise hídrica, alagamentos, incêndios florestais, tempestades de poeira. Já estamos testemunhando esses fenômenos, sobretudo, na região Sudeste e Centro-Oeste.

Os investimentos na proteção da natureza devem ser triplicados com a ajuda do setor privado e de todos os demais atores. Estamos atrasados na proteção da saúde do planeta. O Brasil se comprometeu em reduzir a emissão de poluentes e restaurar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas até 2030. No entanto, cumpriu até agora apenas 1,5% dessa meta segundo o Observatório da Restauração e Reflorestamento. Grande parte de nossos rios e mares está poluído, e atividades ilegais – como o garimpo na Amazônia, o avanço da agropecuária em vegetação nativa, o uso indiscriminado de agrotóxicos, a ameaça a etnias indígenas e a seus territórios – nos dão pouca perspectiva de cumprir a meta estabelecida.

Em junho desse ano, a ONU inaugurou a Década de Restauração dos Ecossistemas 2021–2030. Um grande desafio que se impõe ao Brasil é o de apresentar na Conferência do Clima (COP-26), que será realizada em novembro, em Glasgow, na Escócia, dados e ações efetivas para ajudar a reverter esse estado febril em que vive o planeta, esquentando a cada dia, aumentando a pobreza, a fome e comprometendo a segurança humana.

Como detentor da maior biodiversidade do planeta, o Brasil apresenta grande vulnerabilidade se não houver uma gestão eficiente e políticas públicas para reduzir o desmatamento e contribuir para estancar o aumento global de temperatura. O pagamento por serviços ambientais para o reflorestamento e preservação das florestas, conforme proposta do Governo Federal, pode ser uma solução, unir os poderes estatais e as empresas nessa empreitada pode ser outra solução, mas sem a união de todos, inclusive da sociedade em geral, não construiremos uma governança eficiente nesse estado de emergência climática que ameaça nossa maior riqueza que é a biodiversidade. Façamos a nossa parte. As futuras gerações agradecem, e o planeta também.

Ana Rita Albuquerque
Doutora em direito civil pela UERJ.

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