Um pouco cedo

Instado a analisar a Revolução Francesa, o então primeiro-ministro da China, Chu En-Lai, que morreu em 1976, ponderou que talvez fosse “muito cedo” para avaliar os efeitos do episódio, ocorrido em 1789. A lembrança da cautela do líder chinês deveria servir para os espíritos menos crédulos observarem que, dez anos depois, os ataques às Torres Gêmeas continuam envolvidos em explicações nebulosas. Desde a inexplicável ausência de um grupo que assumisse a autoria de um declarado ato publicitário de repercussão global até a forma, repentina, com que a Casa Branca começou a atribuir a autoria da ação à Al-Qaeda, explicação replicada pela mesma imprensa global que descartava, até poucos dias antes, a participação da organização no ato, por considerar o anonimato incompatível com o modus operandis fortemente publicista das operações dos comandados de Bin Laden, na sua busca por ativistas e simpatizantes.

Certeza
É possível que apenas nas próximas décadas o mundo venha a saber quem são os responsáveis efetivos pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Por enquanto, sabe-se apenas quem foram os principais beneficiários: o complexo industrial-militar, da definição reatualizada do ex-presidente Henry Truman, bem como os grupos petrolíferos e prestadores de serviços, aqueles alvos de concessões de reservas robustas, estes chamados para “reconstruir” países destruídos pelos mesmos que convocam à reconstrução, financiada, por óbvio, pelas nações atacadas.

Bric no poder
O engenheiro e consultor Osvaldo Nobre faz palestra nesta quarta-feira sobre “Centros de poder e os países do Bric”. Organizada pelo Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), a reunião ocorrerá no auditório do Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro (Praça Mal. Âncora, 15 – Centro, ao lado do III Comar, das 10h às 12h.

Quem paga mais?
Mostrar às pessoas o quanto é pago de imposto em cada produto que elas consomem é o objetivo do Feirão do Imposto. O evento, dia 16 próximo, será realizado em mais de 150 municípios de 20 estados do Brasil. Produtos da cesta básica, eletrodomésticos, eletrônicos e até serviços serão apresentados com o valor de mercado e o montante de imposto que está embutido no preço. Paulo Gontijo Olinto Ramos, da Associação Comercial do Rio (ACRJ) explica que, muitas vezes, as pessoas acham que não pagam taxas porque não fazem declaração de Imposto de Renda.

Fonte
Faz parte da guerra ação de propaganda para desestabilizar o inimigo. Menos óbvio é entender por que, apesar de sistematicamente desmentida pela realidade, a guerra psicológica alimentada pelos integrantes do Conselho Nacional de Transição, na Líbia, é assumida pela velha mídia ocidental como a expressão da verdade. A última notícia dá conta da fuga de Kadafi e colaboradores para o Níger. Em entrevista à TV síria, o líder líbio garantiu que continua no país.

Publicidade involuntária
O antagonismo entre os interesses editoriais da imprensa homogênea tupiniquim e seus leitores produz, cada vez mais, manchetes esquizofrênicas em relação a seus objetivos de desgastar os governos petistas, como a que apresentou como escandaloso ou negativo o fato de o presidente Lula, nos oito anos de sua administração, ter contratado três vezes mais funcionários públicos que seu antecessor FH. Além da recorrente fobia em relação ao Estado – exceto quando se trata de obter verbas publicitárias públicas – esse tipo de jornalismo choca-se com uma das principais ambições do brasileiros: ser aprovado em concurso público. Com isso, acabam fazendo propaganda para Lula.

Fora da pauta?
Vários amigos desta coluna relataram ter enviado cartas aos “jornalões” criticando a corrupção no país, mas nenhuma foi publicada. Tampouco as manifestações que vêm ocorrendo estão sendo noticiadas.

Só para baixinhos
O Metrô do Rio instalou barras de segurança na entrada dos vagões. Qualquer pessoa com mais de 1,80m de altura, se não estiver atenta – e não há alertas ou pintura especial – bate com a cabeça.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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