Um presidente eleito com déficit de votos

A imprensa norte-americana (com o atrelado apoio da mídia corporativa do Brasil, Argentina e outros satélites) dá suporte à intervenção que os Estados Unidos pretendem fazer, direta ou indiretamente, na Venezuela. Um dos argumentos para condenar a eleição é a baixa representatividade do vencedor, Nicolás Maduro, já que a abstenção alcançou 54%. Maduro teve 68% do total de votos válidos, o que equivale dizer que ele foi escolhido por cerca de 32% do total de eleitores aptos a votar. A votação não é obrigatória.

Trump se saiu melhor quando eleito em 2016? Não. Ele recebeu 46% dos votos válidos, em um pleito que teve abstenção de 40%. Fazendo os cálculos, teve 27% de apoio do eleitorado. E mais: a apuração mostra que Hillary Clinton perdeu a Presidência mesmo recebendo 2,86 milhões de votos a mais que Trump. Nos EUA, além de o voto não ser obrigatório, a eleição é indireta.

Se o problema não é a representatividade, seria então a existência de denúncias de fraudes e perseguições à oposição. Mas no Paraguai houve ambos, o que não impediu que a vitória de Mario Abdo Benítez fosse reconhecida pelos Estados Unidos, Brasil e demais que agora se recusam a aceitar a vitória de Maduro. Desde o golpe que destituiu Fernando Lugo, os oposicionistas paraguaios são perseguidos, e a máquina trabalha a todo vapor – com um combustível que todos podem imaginar qual – para manter a elite no poder. Mesmo assim, a distância para o adversário Efrain Alegre, da coligação Aliança Ganhar, foi de apenas 3,6 pontos percentuais, pouco mais de 95 mil votos. No Paraguai, o voto é obrigatório, mas a abstenção foi de 39%.

Em resumo, o problema não é a eleição na Venezuela. O problema é que o eleito não agrada. A oposição lá mostra déficit de apoio popular e elevada disputa pelos recursos distribuídos por órgãos norte-americanos. Até informes de funcionários do governo norte-americano ironizam os opositores. Assim, os EUA seguem seus planos de derrubar Maduro, do jeito que for possível. De preferência, antes da eleição no Brasil.

 

Ataque aos direitos

O amplo direito de defesa, assegurado pela Constituição Federal, e as prerrogativas da advocacia estão sendo constrangidos por ações de combate à corrupção. A acusação foi feita pela presidente nacional do Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), Rita Cortez, nesta terça-feira, em Brasília, na sessão ordinária do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Rita cobrou da OAB uma ação conjunta para agir contra esse ataque aos direitos. Afirmou, ainda, que “IAB e OAB precisam se unir em defesa do estado democrático de direito, ajudando na construção de uma agenda positiva para o país, que vive um momento muito difícil da sua história, lutando contra o desrespeito às garantias individuais e a criminalização da advocacia”.

 

Manual de sobrevivência

Seu emprego existirá no ano que vem? Sua profissão sobreviverá à disrupção? São as perguntas que os executivos experientes fazem e optam por migrar para a consultoria, segundo Luiz Affonso Romano, presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO), que ministrará, em 8 e 9 de junho, na Barra da Tijuca, mais uma turma do Curso de Desenvolvimento de Consultores.

 

Segurança e turismo

A Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ, presidida por Claudio Castro, realiza nesta quarta-feira, no Sofitel Ipanema, café da manhã para o Corpo Consular. O evento, coordenado pelo professor Bayard Boiteux, vice-presidente-executivo da Associação, abordará a “Segurança e o Turismo no Rio de Janeiro”.

Entre os convidados confirmados estão a comandante do BPTur, tenente coronel Luciana Oliveira, o coordenador do projeto Lagoa Presente, major Douglas Andrade, e o chefe de operações da Deat, Andre Schelegel. Claudia Mota, primeira bailarina do Teatro Municipal, receberá o título de Embaixadora do Rio.

 

Rápidas

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) vai realizar o curso “Noções básicas de compliance” em sua sede no Rio de Janeiro, 6 e 7 de junho. Telefone: (21) 2262-5566 *** O Grupo Show de Bola apresenta roda de samba nesta sexta-feira, no Caxias Shopping (RJ) *** A FGV Eaesp fará, na sede em São Paulo, 6 de junho, às 8h, um debate sobre os principais desafios e perspectivas para o Brasil. Participam, entre outros, LI Ylnsheng, CEO da China Three Gorges, e Francisco Fortes, vice-presidente de RH, TI e Industrial da Gerdau.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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