Um recorde a ser capitalizado

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Novíssimo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), divulgado no início de maio, indica que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) na região foi o maior até agora, atingindo US$ 153,4 bilhões. O valor representa 10% do total mundial. A cifra histórica máxima anterior havia sido registrada em 2008, quando os ingressos totalizaram US$ 137 bilhões. Em 2010 foram US$ 120,9 bilhões e em 2009, no pico da crise econômica internacional, os aportes foram menores, alcançando US$ 81,6 bilhões.
A melhor notícia contida no estudo é que o Brasil, com US$ 66,7 bilhões, representando 43,8% do total de fluxos do IED para o continente no ano passado, ficou muito à frente de todos os demais países: México (US$ 19,4 bilhões), Chile (US$ 17,3 bilhões), Colômbia (US$ 13,2 bilhões), Peru (US$ 7,7 bilhões), Argentina (US$ 7,2 bilhões), Venezuela (US$ 5,3 bilhões) e Uruguai (US$ 2,5 bilhões).
Na análise da Cepal, a despeito da incerteza ainda observada nos mercados financeiros globais, é interessante observar que as economias da América Latina e do Caribe atraíram volume expressivo de IED em 2011. Melhor ainda é que, segundo o organismo, os valores deverão manter-se altos elevados em 2012.
O ingresso de elevadas cifras relativas a investimentos produtivos evidencia a confiança internacional na capacidade de a economia brasileira manter-se em crescimento. Trata-se de um indicador importante para se estimar boas perspectivas para os negócios e criação de empregos, com repercussão em cascata no nível de atividade.
É hora, portanto, de aproveitar esse fluxo positivo, de modo que o PIB nacional possa crescer em níveis superiores aos registrados em 2011. Para as empresas, de todos os ramos, os investimentos do ano passado começam a ter efeitos ao longo de 2012 e até mesmo 2013, pois os reflexos dos aportes de recursos em atividades produtivas não são imediatos, tendo maturação geralmente de médio prazo.
Assim, é preciso estar muito bem preparado para capitalizar o recorde de IED que ingressou no Brasil e na América Latina. É pertinente lembrar que tudo se soma a uma onda crescente de investimentos relativos à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016.
Não há dúvida de que as empresas que estiverem mais bem preparadas e estruturadas terão melhores condições de aproveitar melhor os investimentos em curso e suas consequências positivas em todos os ramos de atividade. Ou seja, mais do que nunca é fundamental a boa gestão, fator que possibilita o bom funcionamento de todas as engrenagens das organizações.
Outro fator relevante é a credibilidade conferida pelas boas práticas contábeis, o que reforça o significado dos princípios instituídos pela Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que estabelecem padrões de comparação e confiança em função do reconhecimento dos critérios adotados para a elaboração das demonstrações financeiras. Tais princípios, utilizados anteriormente apenas pelos contadores, tornam-se cada dia mais importantes numa conjuntura de recorde de investimentos estrangeiros produtivos, de economia aquecida e perspectivas positivas de expansão dos mercados.

Vagner Jaime Rodrigues
Sócio da Trevisan Gestão & Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios.
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