Uma discussão oportuna

A polêmica extinção do Ministério da Cultura levantou a discussão da política cultural do Estado brasileiro. Esta coluna – concordando com Ricardo Boechat, da Band – não considera um crime a incorporação da pasta ao MEC (que ainda mantinha o C de um tempo em que o setor não era necessariamente mais deixado de lado do que agora). Noves fora a existência ou não do ministério, o Brasil tem sido errático ao tratar da cultura, com iniciativas isoladas, programas que não têm acompanhamento adequado e falta de discussão de temas como a predominância estrangeira na internet e nos canais de televisão fechados, onde predomina uma via de mão única. No cinema, os poucos sucessos nacionais estão ligados às igrejas ou a comédias descartáveis.

Um dos programas que merece uma discussão profunda é a Lei Rouanet, iniciativa importante e com saldo positivo, mas que contém várias armadilhas. Talvez a mais visível seja o patrocínio de espetáculos de artistas com total capacidade de se financiar através de patrocínio e bilheteria. Há outros problemas: empresas criam suas próprias ONGs para aliviar o pagamento de imposto de renda, ao mesmo tempo em que sujeitam a parte artística ao setor de marketing – dessa forma, a isenção patrocina as ações de publicidade da companhia.

A captação do patrocínio é outra face do problema: encarece o valor do projeto em 10%, está sujeita a “panelinhas” e acaba desvirtuando o apoio cultural. Patrocina-se um filme ou uma peça porque tem um ator global, não pela importância do projeto; gasta-se centenas de milhares de reais em livros de arte que nunca chegarão à população, ficando restritos a grupos de interesse. Por outro lado, sem estes recursos, belos projetos ficariam no papel. Em suma, há muito a se aperfeiçoar.

ESG

O Omni Def, boletim semanal da Escola Superior de Guerra, traz em destaque um trecho de uma declaração do tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, comandante da Aeronáutica, feita na sede da Saab, na Suécia: “O Gripen NG é mais um passo em direção à aeronave de superioridade aérea almejada nos últimos 20 anos”.

Entre os cortes ameaçados pela equipe econômica, está o programa de compra do caça sueco. Além disso, com Serra no Itamaraty, as “relações carnais” com os Estados Unidos podem levar os aviões a uma mudança de base.

Sardinha

Da série “pesquisas que não são bem o que parecem”: enquete mostra que, para “80% dos presidentes e diretores consultados, o Brasil deve buscar mais tratados internacionais de forma unilateral, mesmo à revelia do Mercosul” e que “a prioridade deve ser o acordo Brasil–EUA”.

O diabo mora na amostra: 90 empresários que participavam de debate sobre acordos comerciais na sede da Câmara Americana de Comércio (Amcham-SP), em São Paulo.

Na telinha

O BNDES lança aplicativo voltado ao público do setor de agronegócio, que permite consulta rápida sobre os melhores produtos e taxas oferecidos. Até o fim de junho, o recurso incorporará a função de simulador para indicar as melhores linhas de crédito aos clientes, considerando o perfil de cada um. Este é o primeiro app do BNDES e foi desenvolvido pela agência de publicidade nova/sb.

Linha com ruído

O ICMS sobre serviços de comunicação responde hoje por 20%, em média, das receitas dos estados, sendo o principal financiador das atividades estaduais”, comenta André Mendes Moreira, sócio do Sacha Calmon – Misabel Derzi Consultores e Advogados e professor adjunto de Direito Tributário na Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Com a demanda por alguns serviços de telecomunicações em queda, não somente as operadoras têm problema, mas o caixa dos estados – que já não vão bem – podem ser seriamente afetados.

Na terça-feira, Mendes Moreira lança em São Paulo o seu mais novo livro, A Tributação dos Serviços de Comunicação, partir das 19h, na sede da Editora Noeses (Rua Bahia, 1.282, Higienópolis).

Rápidas

A JET e-Business, empresa de tecnologia em e-commerce, realiza, na terça-feira o webinar “Como monitorar o conteúdo digital no e-commerce de A a Z”. As inscrições são gratuitas: attendee.gotowebinar.com/register/6146882801881882114 *** Começa neste sábado o Inta 138th Anual Meeting, em Orlando, nos Estados Unidos, reunindo especialistas em marcas e propriedade industrial de todo o mundo. O advogado Gabriel Di Blasi, do escritório Di Blasi, Parente & Associados, será moderador do debate “The Intersection Between Design and Trademark Rights in Latin America”, na segunda-feira *** A FGV realiza dia 30 o seminário Educação e Desenvolvimento Econômico, que visa discutir políticas públicas e iniciativas do setor privado para a melhoria da qualidade educacional no Brasil. É aberto ao público, que pode se inscrever em http://www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=2790&P_IDIOMA=0 *** O professor e jornalista Paulo Alonso receberá, nesta segunda, o Prêmio Cultura do Lions Clube, em cerimônia na Confederação Nacional do Comércio.

Artigo anteriorPorta para cartéis
Próximo artigoDisputas intestinas
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

G20 analisa aumentar taxação de corporações, mas…

Proposta tem que ser vantajosa para todos, não só para as sedes das multinacionais.

Botes salva-vidas para a classe A

No mundo de negócios, é tudo uma questão de preço.

Mortes dos essenciais

Aumentam em mais de 50% óbitos de caixas, frentistas e educadores.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Eleição no Peru está indefinida. Empate técnico entre 5 candidatos

Primeiro turno será no domingo. segundo turno está previsto para o dia 6 de junho.

Equador: Não haverá contagem rápida no domingo de eleições

Arauz, candidato do ex-presidente Rafael Correa lidera as pesquisas com 37% das intenções de voto contra 30% do candidato do Aliança Creo, o banqueiro Guillermo Lasso.

Indicador econômico global mantém trajetória de recuperação

Segundo FGV, fato reflete avanço das campanhas de vacinação contra a Covid.

Brasil movimentou R$ 2 tri em transações com cartões em 2020

Transações digitais foram impulsionadas por modernização do mercado e pandemia.

IPCA de março variou abaixo da expectativa do mercado

Nossa projeção para o ano que vem permanece de 6,5%, podendo ser antecipada para este ano.