Uma semana curta nos mercados em função das festividades de fim de ano. Muitos, inclusive, devem “emendar” o feriado do Natal com o do Revéillon, o que deve esvaziar um pouco os negócios desta semana. É provável também um clima esteja mais desanuviado, depois do anúncio de aumento de gastos com consumo nos EUA em novembro. Por ora, o risco de uma recessão nos EUA parece afastado, com a probabilidade de alguns analistas oscilando em torno de 30% a 50%.
Na agenda doméstica, como destaque as contas públicas de novembro e o relatório de inflação do quarto trimestre na sexta-feira, além do IGP-M de dezembro na quinta-feira. Nos EUA, destaque para os preços dos imóveis em outubro, os pedidos de seguro-desemprego e as encomendas de duráveis nesta quarta-feira e as vendas de imóveis novos na sexta-feira. Nesta quarta-feira, houve um certo descolamento dos fatos ocorridos nos EUA e o comportamento do Ibovespa doméstico.
No lado de lá, as vendas do comércio varejista tiveram o pior Natal desde 2002. O alerta é de que as vendas podem até cair em dezembro. Outro indicador veio da queda recorde dos preços dos imóveis, mostrando que o mercado imobiliário deste país “continua horrível”. Os preços de moradias existentes nos EUA tiveram a maior queda anual em outubro, sugerindo que a desaceleração do setor imobiliário norte-americano ainda está longe do fim, segundo dados divulgados nesta quarta-feira.
O índice Standard & Poor”s/Case-Shiller, apurado em dez regiões metropolitanas dos EUA, caiu para 209,68 em outubro, uma baixa de 6,7% sobre o ano passado. Este número superou a queda de 6,3% apurada em abril de 1991.
No Brasil, o Banco Central divulgou relatório mostrando que o volume de crédito total no país cresceu em novembro e atingiu 34,3% do PIB. Além disto, o juro caiu no mês, principalmente no empréstimo para pessoa física. Nesta quinta-feira, o IGP-M de dezembro deve mostrar forte alta sobre o mês de novembro (0,69%), e será divulgado o superávit primário de novembro, com as previsões entre R$ 8,8 bilhões e R$ 10,2 bilhões.
Na pesquisa Focus da segunda-feira, a projeção para o IPCA em 2007 subiu de 4,21% para 4,35%, sendo que há um mês estava em 3,94%. Para 2008, as estimativas foram elevadas de 4,20% para 4,25%, enquanto o IPCA para 12 meses subiu de 4,10% para 4,32%. Há quatro semanas, a projeção era de 3,93%. Para o IGP-DI de 2007, as projeções também subiram, de 7,25% para 7,76%, e para 2008, de 4,20% para 4,50%.
Sobre o crescimento do PIB de 2007, a taxa subiu de 5,06% para 5,12%. e para 2008, de 4,4% para 4,5%. Na taxa de juros, com o crescimento em bom ritmo e faltando infra-estrutura, o mercado está mais conservador, com o juro básico, ao final do ano, em 10,75%, ou seja, uma redução de apenas 0,50 ponto na taxa Selic em 2008.
Julio Hegedus Netto – Economista-chefe Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos
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