Uma viagem eno-astrológica

Tomar de empréstimo o léxico astrológico para fazer analogias entre as características dos vinhos e dos signos solares.

Começo agora uma série de artigos menos técnicos, visando o entretenimento, embora eu pretenda reforçar com eles o conhecimento sobre os vinhos e suas uvas. Há tempos que eu queria fazer essa “viagem” pelas predisposições planetárias dos humores astrológicos associadas aos vinhos, mas, como acadêmica que sou, não posso entrar nessa seara sem antes me defender de qualquer julgamento apriorístico dessa licença literária.

Que fique bem claro que não vou transpor para a análise dos vinhos a mesma lógica da concepção astrológica, isto é: a posição dos astros no momento de nascimento das pessoas é que define os seus signos. Precisaríamos criar uma cédula de identidade dos vinhos para alcançar essa dimensão, e não vou levar essa brincadeira tão a sério assim.

Outro aspecto que deixo bem claro é que não sou uma especialista em astrologia nem a tomo como base para a análise das personalidades. Astrologia para mim é entretenimento, que acabou ganhando uma dimensão coletiva, pela sua ancestralidade e caráter místico, facilmente assimilável e transmissível. Vejo a astrologia como uma linguagem, um léxico que temos à mão para tipificar e identificar certos comportamentos, bem como para exprimir ou explicar um modo de ser e agir. Todo o meu respeito em relação a posições contrárias e até para quem interpreta de forma mais complexa os mapas astrais individuais.

Meu objetivo está longe disso – eu quero justamente tomar de empréstimo o léxico astrológico para fazer analogias entre as características dos vinhos e dos signos solares. E vou me permitir usar aquilo que eu considero fazer mais sentido para tipificar os vinhos.

O signo solar de uma pessoa é determinado pela posição do Sol no dia do seu nascimento, divididos em 12 partes equivalentes a um mês (entre 28 e 31 dias). Em torno do dia 20 de cada mês, há uma mudança de signo, e o primeiro signo (Áries) foi definido por representar o equinócio da primavera do hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul.

Cada signo é regido por um planeta e cada grupo de signos é regido por um desses quatro elementos: Fogo, Terra, Ar e Água, os quais portam certos temperamentos e condições físico-químicas, que podem nos remeter também aos temperamentos e sensações transmitidas pelos vinhos. Então, a minha primeira divisão será pelas características elementares que regem os signos e “potencialmente” os vinhos. Os elementos portam temperamentos principais e aspectos baseados em conhecimentos de alquimia.

Os signos de Fogo são: Áries, Leão e Sagitário – os quais portam um temperamento essencialmente Colérico e que está associado aos aspectos Quente (Intensidade, Vivacidade) e Seco (Tensão, Precisão). Trazem uma energia mais impulsiva, explosiva.

Os signos de Terra são: Touro, Virgem e Capricórnio – os quais portam um temperamento essencialmente Melancólico, associado aos aspectos Frio (Prudência, Controle) e Seco (Tensão, Precisão). Signos de Terra são mais concretos, estáveis e contidos.

Os signos do Ar são Gêmeos, Libra e Aquário – os quais portam um temperamento essencialmente Sanguíneo e que está associado aos aspectos Quente (Intensidade, Vivacidade) e Úmido (Maciez, Harmonia). É como o clima do litoral tropical, que leva à expansão, extroversão e dispersão.

Os signos de Água são: Câncer, Escorpião e Peixes – os quais portam um temperamento essencialmente Fleumático, associado aos aspectos Frio (Prudência, Controle) e Úmido (Maciez, Harmonia). Aqui a chave é a intuição, sensibilidade, acolhimento.

Cada signo, por sua vez, apresenta três decanatos que refinam um pouco o perfil da pessoa daquele signo. Se a pessoa nasce nos primeiros 10 dias do período do seu signo, ela porta as características do seu signo com certa influência do signo precedente. Se nasce nos 10 dias seguintes, ela é a expressão clássica do signo; se nasce nos 10 últimos dias, ela já apresenta sinais da mutabilidade para o signo seguinte.

Falarei dos vinhos pelas suas uvas, incluindo também alguns cortes muito consagrados que nos permitem tipificar os vinhos. Nesse primeiro artigo, estou apenas apresentando o formato. Pretendo associar 9 tipos de uvas/vinhos aos grupos elementares citados acima e, posteriormente, separar 3 uvas/vinhos para cada signo solar e uma uva/vinho para cada decanato do signo solar. Explicarei com o desejável detalhamento buscando justificar tais associações.

 

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Miriam Aguiar
Jornalista, educadora e especialista em vinhos

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