Umetuká 5782, Shaná Tová!

Temperatura da superfície terrestre subiu com mais intensidade do que em qualquer outro período há 2 mil anos.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) publicou em agosto o relatório “Climate Change 2021: The Physical Science Basis”, contendo as contribuições qualificadas de 234 colaboradores, que evidencia mudanças sem precedentes causadas pela ação do Homem.

Resultaram em um aumento na temperatura média do planeta de 1,07ºC. Este aumento deixa pouca, ou nenhuma, margem de retardo no disparo de urgentes ações, com vistas a contenção do aumento de 1,5ºC a 2ºC. Este é o limite para prevenir catástrofes climáticas, já prenunciadas com enchentes, seca, calor extremo, aumento do nível das águas oceânicas etc. Consta no relatório que a temperatura da superfície terrestre subiu com mais intensidade da década de 1970 até hoje, do que em qualquer outro período de 50 anos, considerados os últimos 2 mil anos.

O IPCC foi criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial. Em 2007, o IPCC e o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore receberam o Prêmio Nobel da Paz. O IPCC não produz pesquisa, mas reúne e critica o conhecimento aplicado ao tema por cientistas gabaritados, vinculados a organizações e governos, ou não.

 

Refazendo as contas

Vamos refazer as contas? Junto a estimativa grosseira referente ao consumo de água doce pelo setor agropecuário (agronegócio incluído) aí por voltas de 70% do total, com a estimativa do mesmo consumo de água pelo uso industrial, em torno de 29%. Resta o consumo doméstico, residual, que não alcança 2%. Toda a comunicação sobre a crise de escassez hídrica refere-se a você, leitor, como responsável por ela. Afinal, você não fecha a torneira enquanto se barbeia, ou quando lava louça. E demora uma eternidade no banho.

Você, bombardeado pela publicidade oficial, resolve colaborar e num esforço consegue reduzir o seu consumo à metade. Consolidadas todas as economias, a sua e as dos seus vizinhos, o resultado seria uma redução de 0,5%, no máximo 1%. É educativo poupar o recurso, mas ineficaz. Aí você se lembra daqueles pivôs enormes usados na irrigação das plantações, formando paredes de água lançadas ao ar, que, muitas vezes, não chegam a tocar o solo, evaporam antes disso. Sequer uma prenda oferecem por isto. Ao contrário, são incentivados com prêmio de renúncia fiscal.

A quem interessa o seu sentimento de culpa? Para que reduzir o seu consumo, leitor? Importante do ponto de vista pedagógico, mas inexpressivo do ponto de vista da materialidade da escassez do bem poupado.

 

Há 10 anos na coluna Empresa-Cidadã

BPC na ONU (7/9/2011)

Em 2010, 232 mil crianças e adolescentes até 18 anos, portadores de deficiência, entre 475 mil atendidos pelo programa de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social na Escola (BPC) frequentavam regularmente a escola. Em 2007, eram apenas 78 mil, entre 375 mil atendidos pelo BPC. A evolução é de 21% para 49%, em três anos.

O sucesso do BPC será relatado na 4ª Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, em Nova Iorque (EUA), neste dia 8 de setembro. Este modelo, no entanto, ainda tem o desafio de se expandir, dos atuais 2.622 municípios brasileiros, para os 5.565, até 2014.

O Programa BPC na Escola (mds.gov.br) foi instituído em 2007 e tem por objetivo promover a elevação da qualidade de vida e dignidade das pessoas com deficiência, beneficiárias do BPC, preferencialmente de 0 a 18 anos de idade, garantindo-lhes acesso e permanência na escola, por meio de ações articuladas da área de saúde, educação, assistência social e direitos humanos.

O programa, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com a participação dos ministérios da Educação, da Saúde e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ressalta a importância da formação de parcerias para garantir, desde o transporte adequado até à matrícula para os seus beneficiários. Provê um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência incapacitante para a vida independente e para o trabalho, que comprove não possuir meios para a própria manutenção, nem de tê-la atendida por sua família.

Os desafios da escolaridade não param por aí. Recentemente, o Movimento Todos Pela Educação, liderado pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope, Fundação Cesgranrio e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), divulgou resultados pouco animadores de um exame realizado entre seis mil estudantes de escolas públicas estaduais e municipais e de escolas privadas, distribuídas por todas as capitais brasileiras.

Mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do ensino fundamental não têm a capacidade de leitura esperada. Assim, não dominam atividades como localizar informações em um texto ou o tema de uma narrativa. A avaliação utilizou a mesma escala de desempenho utilizada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) aos alunos do 5° e 9° ano do ensino fundamental.

(…)

Através de uma redação, os estudantes também foram avaliados em competências como coesão, coerência e adequação do texto a um tema proposto, além do emprego da correta ortografia e pontuação. Em uma escala de 0 a 100, a média nacional alcançou 68,1 pontos. De novo, há diferenças entre os estudantes da rede pública (em média, 62 pontos) e da rede privada (em média, 86 pontos).

Em relação à Matemática, o desempenho dos estudantes alcançou a média nacional de 171,1 pontos, abaixo da pontuação considerada adequada para a resolução de problemas envolvendo a moeda, além das operações de adição e subtração. Apenas 42% dos avaliados atingiram esse patamar, de 175 pontos.

No dia 23/1/2021, o DOU publicou a Lei, originada da MP 1023/20, que reduz de meio salário mínimo para até um quarto de salário mínimo a renda mensal per capita máxima necessária para ter acesso ao BPC. Que covardia…

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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