Univitelinos

Descolado da Argentina no mundo cor de rosa das colunas do jornalismo econômico local, o Brasil real, no entanto, já sofre os efeitos da quebra do país vizinho. Segundo Marco Palacio, presidente da Associação Argentina de Viagens e Turismo (AAAVyT), apenas na primeira semana de janeiro, a queda nos vôos para o Brasil chegou a 80% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente em dezembro passado, o setor demitiu mil empregados e Palacios prevê dias piores se a situação não melhorar. “Se continuar desse jeito, muitas empresas vão quebrar”, salienta.

Univitelinos II
O quadro é tão grave que o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), Tasso Gadzanis, viajou até a Argentina para acompanhar o desenrolar da crise de perto: “Ano passado houve 817 vôos charter apenas para Florianópolis. Nessa temporada, havia 800 reservas, mas teremos sorte se 30% se confirmarem”, diz Gadzanis.

Riscos
Informa a Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro (CUT-RJ) que o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense denunciou que estão ocorrendo freqüentes paradas de produção na Bacia de Campos, devido às precárias condições das plataformas.

Começar de novo
Esta coluna não se surpreenderá se, dentro do processo de reconstrução do país, desmontado por uma década de neoliberalismo, o novo governo argentino estatizar o sistema financeiro. É isso ou parir um Proer que, guardadas as dimensões das duas economias, faria o Proer tucano insinuar que o ministro Pedro Malan é um tímido defensor da banca.

Fundamentalismo
Enquete da edição eletrônica do jornal argentino El Clarín revela que a manutenção do apoio à conversibilidade, pelo menos entre os internautas, está longe de ser uma unanimidade. Somadas, as três opções contrárias, total ou parcialmente, à paridade com o dólar – totalmente (27,8%), alguma coisa (17,5%) e pouco (9,45) – atingem 54,7% contra 45,4% dos votantes radicalmente contrários à desvalorização do peso. O número expressivo dos que ainda mantêm apoio à paridade não deve surpreender os estudiosos dos fundamentalismos. Afinal, os seguidores de Bin Laden continuam acreditando que, ao morrer, depois de explodirem seus próprios corpos, serão recebidos por virgens no Céu.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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