Urbanização e desenvolvimento sustentável

A relação entre urbanização e sustentabilidade, examinamos os desafios para um desenvolvimento urbano inclusivo e ambientalmente consciente

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Foto aérea tirada em 17 de junho de 2022 mostra a sede do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco dos BRICS, em Shanghai, leste da China. (Xinhua/Fang Zhe)

Vive-se hoje uma transição para um mundo eminentemente urbano. A previsão é que 2/3 da humanidade passe a viver em centros urbanos até 2050. A relação entre urbanização e desenvolvimento dependerá cada vez mais da ação dos governos e da sociedade. O exemplo da Covid-19 demonstrou o efeito devastador da propagação da doença em locais mais pobres, sem saneamento básico ou água potável. As mudanças climáticas, que causam com mais frequência secas e inundações, expõem as dificuldades enfrentadas por populações mais vulneráveis, especialmente em áreas de risco.

O rápido crescimento urbano levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a reconhecer os desafios econômicos, sociais e ambientais que as cidades enfrentam e traçou, dentre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o ODS 11, que aponta a necessidade de ações integradas e de base local que estimulem o progresso socioeconômico, não podendo deixar ninguém para trás.

Se, por um lado, a expansão urbana gera desenvolvimento, ampliando a oportunidade de negócios e criando empregos, por outro, aumenta os custos de moradia, marginalizando os mais pobres, além de aumentar a poluição e degradação ambiental. O planejamento urbano é fundamental para que os efeitos negativos do crescimento não superem os positivos.

Ivan Turok, catedrático da Fundação Nacional de Pesquisa da África do Sul em Economias Cidade-Região na Universidade do Estado Livre, aponta cinco dimensões da ligação urbanização-desenvolvimento que requerem uma análise mais aprofundada:

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  1. É importante uma compreensão mais granular da dinâmica da aglomeração, incluindo o âmbito e os limites de onde e quando se aplicam. Precisamos ir além das proposições gerais e agregar métodos analíticos para obter insights mais matizados e análises fundamentadas. Precisamos também distinguir entre diferentes tipos de indústrias, empresas, infraestruturas e instituições urbanas;
  2. As principais características do ambiente econômico mais amplo precisam ser melhor compreendidas. Um aspecto é a oportunidade para as cidades desenvolverem bens e serviços comercializáveis, inserindo-se em cadeias de valor regionais e globais. Outra é o potencial das novas tecnologias digitais para beneficiar as empresas do setor de serviços em cidades emergentes;
  3. As trajetórias populacionais das cidades do Sul requerem mais pesquisas. O que seria necessário para capitalizar o dividendo demográfico das suas populações jovens? Faz alguma diferença se a urbanização resultar do crescimento das cidades existentes ou da consolidação de assentamentos rurais para formar novas vilas e cidades?;
  4. A relação entre o ambiente construído e o desempenho econômico – que impacto têm a habitação informal e os regimes consuetudinários de propriedade na produtividade empresarial, nos empréstimos bancários e no investimento na economia real?;
  5. Várias características da governação urbana afetam a forma como a urbanização evolui, incluindo as capacidades das instituições formais e de outras partes interessadas para preparar o terreno para o assentamento humano, para investir em infraestruturas essenciais, para capturar o aumento do valor da terra através de impostos sobre a propriedade, e para adotar normas realistas e normas na regulação da atividade econômica.

Uma série de blogs e entrevistas com curadoria de David Satterthwaite, associado do International Institute for Environment and Development (IIED), examina diferentes aspectos da mudança urbana global e foram publicados em edição especial da revista Environment and Urbanization (vol. 35), que procura aprofundar os conhecimentos em muitas destas questões. Cópias impressas das publicações podem ser obtidas através do e-mail: [email protected]

O crescimento populacional urbano, que um dia proporcionou melhorias nos níveis de emprego e qualidade de vida, significa atualmente que está cada vez mais difícil encontrar empregos e habitação digna se não forem adotadas medidas urgentes para a universalização do saneamento básico, infraestrutura adequada das cidades e criados postos de trabalho. A tarefa na gestão das cidades torna-se a cada dia mais complexa, requerendo investimentos de grande porte e governos capazes.

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