Urna eletrônica: TSE é acusado de ignorar a ciência

Ausência de um representante do Tribunal ao debate irritou deputados.

Em debate na Câmara dos Deputados semana passada, o professor de Engenharia da Universidade Federal do ABC e professor colaborador de Segurança de Dados da Universidade de São Paulo, Mário Alexandre Gazziro, acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de negar a ciência ao ignorar os avisos sobre problemas de segurança na urna eletrônica e a recomendação do voto impresso.

A ausência de um representante do TSE ao debate, terça-feira, irritou o relator da Proposta de Emenda à Constituição 135/19 – que introduz o voto impresso paralelo à urna eletrônica – deputado Filipe Barros (PSL-PR), cobrou a presença de técnicos do TSE nos debates da comissão especial.

O professor e empresário de Tecnologia da Informação Djalma Inácio da Silva observou que outras democracias abandonaram sistemas de votação unicamente eletrônicos, passando a adotar sistemas que permitem a materialização dos votos. “Não pode ser que todos os países estejam equivocados e somente o Brasil esteja correto nesta postura”, argumentou, de acordo com a Agência Câmara de Notícias.

Em audiência anterior, o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos de Almeida Camargo, ressaltou que até o momento não foi comprovado nenhum tipo de fraude envolvendo as urnas eletrônicas, o que demonstra que o sistema é seguro e competente.

No entanto, ele disse que todo sistema computacional tem suas vulnerabilidades, o que, destacou, não quer dizer que houve ou mesmo que haverá fraudes, mas que é preciso melhorar o sistema para que seja cada vez mais seguro.

Roger Maciel, especialista em auditoria, consultoria e perícia contábil, também se manifestou de forma favorável à proposta, destacando que o voto em cédula seria “olhar para trás”. Mas, para ele, as cédulas acopladas às urnas eletrônicas seriam um aprofundamento da possibilidade de auditoria. Ele disse, ainda, que “todo investimento nessa área não é dinheiro jogado fora”.

“É um sistema dependente de software, ou seja, uma modificação ou um erro não detectado no software pode promover uma modificação ou um erro igualmente não detectado na apuração. É um fato que nós não podemos ignorar”, disse Camargo, observando que a Associação não defende a volta do voto impresso.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Marcos Carmago comete um erro crasso ao citar o “princípio da independência do o sofware” ao mesmo tempo em que NÃO defende o voto impresso, pois é cientificamente aceito que é justamente o advento do voto impresso uma das farramentas clássicas que garante esse princípio.

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