Às escuras

Passado o racionamento, o IBGE continua submetendo seus funcionários e visitantes ao vexame de deixarem em debandada o prédio do instituto às 17h em ponto. Depois disso, as luzes do prédio são apagadas. Quem tiver dor de barriga súbita ou incontinência urinária repentina, que se vire no escuro.

Às claras
Semana passada, os que desejam ouvir visões alternativas às propagadas do Consenso de Washington – ajuste fiscal, metas inflacionárias e superávit primário eterno para garantir o pagamento de juros gordos à banca – ganharam mais uma ferramenta na batalha fundamental pela disputa de corações e mentes. Fruto de uma parceria da edição brasileira do jornal Le Monde Diplomatique e da Agência IPS e produzido com colaboração do movimento Attac, está na rede o portal Porto Alegre 2003 (http://www.portoalegre2003.net).
Além de centenas de textos, em idiomas variados, publicados no sítio Porto Alegre 2002, que o antecedeu, o novo portal será composto de seis sítios independentes e articulados, que estrearão nas próximas semanas. A novidade mais importante para os nacionais, porém, é o sítio Ciranda Brasil, que nasce com a pretensão de se tornar um embrião de agência de notícias alternativas ao pensamento único neoliberal. Se conseguir apenas parte da missão hercúlea a que se propõe representará importante contribuição à dura tarefa de trazer luzes à escuridão obscurantista.
Apesar da batalha desigual, o novo portal nasce com armas importantes. Além do patrocínio da Prefeitura de Belém e da Fundação Rosa Luxemburgo, da Alemanha, seus responsáveis contabilizam cerca de 50 mil páginas visitadas por dia, por leitores de todo o mundo, durante o II Fórum Social Mundial, este ano em Porto Alegre.

Contra-ataque
O candidato à Presidência da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, decidiu responder na mesma moeda aos ataques vindos do PSDB que o comparam ao ex-presidente Collor. Na página oficial de Ciro (www.ciro23.com.br) há uma pequena relação de “colloridos” e sua participação no governo FH ou na campanha do tucano José Serra. Aparecem, entre outros, os nomes de Renan Calheiros (líder de Collor no Congresso e ex-ministro da Justiça de FH), Antônio Kandir (secretário de Política Econômica do governo Collor e que comandou, junto com a então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Melo, o confisco da poupança; foi ministro de Planejamento de FH e é deputado tucano), Armínio Fraga (o presidente do Banco Central foi diretor da Área Externa do BC “collorido”) e Pedro Parente (foi secretário Nacional de Economia do Ministério do Planejamento de Collor e é o atual ministro da Casa Civil). Nem o ministro da Fazenda, Pedro Malan, escapa: ele foi o negociador oficial da dívida externa do Brasil com o FMI à época do ex-presidente.
A campanha de Ciro avisa que, além de ocuparem cargos no governo Collor e no atual, estas pessoas também têm como característica comum apoiar – “por enquanto”, frisa o texto – o mesmo candidato à Presidência da República.

Regra três
Cresce no PSB a expectativa de que o candidato do partido à Presidência, Anthony Garotinho, vai desistir e concorrer ao governo do Estado do Rio de Janeiro, substituindo sua mulher, Rosinha Matheus. A resolução 20.993, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 26 de fevereiro, faculta, no artigo 53, a substituição de candidato considerado inelegível ou que renunciar ou falecer até 24 horas antes do início da votação.

Foto
Existe outra hipótese, um tanto esdrúxula, de Garotinho e Rosinha disputarem o primeiro turno, respectivamente para presidente e governadora, e o ex-governador do Rio, caso mal-sucedido na disputa presidencial, ocupar o lugar de sua mulher no segundo turno – caso ela passe no teste das urnas. Advogados especialistas em direito eleitoral não descartam essa possibilidade, porém lembram que a mesma resolução 20.993 determina, no artigo 54, que, “se entre a realização do primeiro e do segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato a presidente ou a governador, convocar-se-á, entre os remanescentes, o de maior votação” – ou seja, o terceiro colocado. Mas uma definição no caso de renúncia só poderia sair de uma consulta ao TSE.
De concreto é que Garotinho teria até 30 dias antes do pleito para substituir Rosinha na urna eletrônica; após esse prazo, fica a foto e o nome da mulher, mesmo em caso de substituição.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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