Usiminas aprova termos finais de renegociação de dívida com credores

Empresas / 14:23 - 9 de set de 2016

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A Usiminas anunciou nesta sexta-feira que seu conselho de administração aprovou na noite da véspera os termos finais de renegociação de dívida com credores brasileiros e japoneses, mantendo prazo de três anos de carência para início de pagamento de R$ 6,3 bilhões. Entre os termos definitivos estão compromisso de distribuição de dividendos também aos credores, como forma de amortização antecipada de dívida, e recebimento de pelo menos R$ 700 milhões do caixa da mineradora Musa até o final de junho de 2017 sob risco de vencimento antecipado da dívida. Procurada, a Usiminas informou que o recebimento dos recursos da Musa é um "processo que está em negociação". O acordo também deu aos credores brasileiros garantia às dívidas por meio de hipoteca sobre laminadores de tiras a quente e a frio da usina siderúrgica de Ipatinga(MG). Os termos mantêm um pré-acerto obtido meses atrás pela empresa com os credores brasileiros, que além de debenturistas incluem Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As condições foram aplicadas também aos credores japoneses: Nippon Usiminas, Japan Bank for International Cooperation, Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, Mizuho Bank e Sumitomo Mitsui Banking Corporation. A renegociação deu à Usiminas prazo de 7 anos para pagamento das dívidas após os três anos de carência. A empresa, porém, não deu detalhes sobre juros ou valores envolvidos na renegociação, mas afirmou que os R$ 6,3 bilhões envolvem 92% da dívida em discussão da companhia. Do total, 83% refere-se a credores brasileiros e o restante, de japoneses. "As taxas de juros negociadas são competitivas para o prazo de 10 anos", afirmou a Usiminas ao ser questionada sobre os termos financeiros da negociação A siderúrgica encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de R$ 7,2 bilhões e caixa de 2,7 bilhões que foi reforçado por um aumento de capital de R$ 1 bilhão no final de junho. Na terça-feira, a Reuters publicou que somente o Banco do Brasil detém R$ 2,9 bilhões em créditos da Usiminas. A empresa tinha prazo até a próxima semana para conseguir renegociar a dívida com os credores, sob risco de vencimento de um acordo que havia concedido à companhia seis meses de suspensão de obrigações financeiras. “A conclusão desse complexo processo (...) marca um importante passo para a revitalização da Usiminas. Agora, a nossa gestão estará completamente voltada para a melhoria dos resultados da empresa, fator fundamental para a sustentabilidade do nosso negócio”, disse em comunicado à imprensa o presidente-executivo da Usiminas, Sergio Leite. Segundo ele, a renegociação da dívida, juntamente com aporte de capital dos acionistas, demonstra a confiança dos sócios e das instituições financeiras na Usiminas, bem como soluciona o fluxo de caixa da companhia, um dos seus maiores desafios. O executivo comentou ainda no comunicado que a Usiminas tem em andamento planos de aumento de produção. Leite, porém, não deu detalhes sobre como a empresa pretende avançar nesta frente em meio à queda de 12% nas vendas de laminados planos no país no acumulado de janeiro a julho, segundo dados do Instituto Aço Brasil. O presidente da Usiminas afirmou ainda que a empresa está trabalhando em redução de custos na usina de Cubatão (SP) e Ipatinga, revisão e ajuste de contratos vigentes e "aumento de receita por meio de aumento de preços e do volume de vendas".

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