Usiminas confirma reajustes de 9% a 12% em seus produtos

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A Usiminas confirmou que fará reajustes de preços em produtos para a rede de distribuição a partir de dezembro, conforme havia afirmando nesta terça-feira o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro.
Os reajustes serão de 12% para laminados a quente, 10% para laminados a frio e 9% para galvanizados. Trata-se do quinto aumento de preços do aço feito pela siderúrgica neste ano.
O aumento ocorre devido à disparada dos preços do carvão mineral no mercado externo, além de preços também elevados do minério de ferro. Segundo o presidente da companhia, Rômel de Souza, o reajuste já cobre grande parte dos aumentos de preços das duas matérias-primas para a fabricação de aço e deve ser aceito dentro da cadeia de consumidores.
Questionado, após reunião Apimec com investidores, Souza não quis afirmar se serão necessários novos reajustes no ano que vem. Cerca de 70% do carvão comprado pela Usiminas é negociado em contratos trimestrais e o restante comprado no mercado à vista.
A companhia também está negociando reajustes do preço do aço com o setor automotivo a partir do ano que vem. Segundo o vice-presidente comercial da siderúrgica, Sérgio Leite, a negociação está em andamento e deve ser da ordem de 25%. A maioria das siderúrgicas possui contratos anuais com as montadoras.

Carvão

Após uma disparada dos preços do carvão mineral no mercado externo, a Usiminas acredita que a tendência a partir de agora é de queda de preços, diante de uma normalização das condições de produção principalmente na China, afirmou Souza.
Segundo Souza, que faz apresentação para investidores em reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), o preço do minério de ferro também tende a se estabilizar. O aumento de preços das principais matérias-primas para a produção de aço (carvão e minério de ferro) tem levado as siderúrgicas a reajustarem o preço do aço.
A confirmação do reajuste, o quinto aplicado neste ano e que deve elevar os preços do aço em cerca de 50% ante o final de 2015, ocorreu após executivos da Usiminas terem afirmado no final de outubro que viam espaço para novos aumentos diante da elevação dos preços internacionais da liga e de altas expressivas em insumos como carvão e minério de ferro nos últimos meses.
Leite afirmou que espera que o mercado de aço plano no Brasil apresente alta de 5% no próximo ano ante o nível de consumo aparente de 9 milhões de toneladas previsto para 2016, menor nível desde o pico de 14,7 milhões atingido em 2013.
“A queda no salário médio e o crescimento no nível de desemprego impacta o consumo das famílias e não temos perspectivas de crescimento no curto prazo. Não identificamos neste momento nenhum setor (da economia) que possa vir a despontar com crescimento representativo. Todos os setores consumidores de aços planos seguirão afetados em 2017”, disse Leite.

Negócio

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A Usiminas vem adotando medidas de ajuste de capacidade produtiva desde 2014. Atualmente, a empresa mantém paralisada a produção de aço bruto na usina de Cubatão (SP) e amplia a compra de placas de terceiros para serem laminadas na unidade.
Rômel Erwin de Souza, afirmou que a empresa elevou para 395 mil toneladas a compra de placas para Cubatão no atual trimestre ante 295 mil toneladas no terceiro trimestre. As compras são feitas junto a fornecedores como a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e a russa Severstal, afirmou Souza.
Segundo o executivo, se os custos das placas compradas continuarem subindo, diante da conjuntura de aumento nos preços do minério de ferro e carvão, a Usiminas poderá “ter que repensar o negócio”. Ele não citou valores, mas disse que até agora a empresa tem conseguido operar com margens positivas desta forma.
Por outro lado, o crescimento nos preços do minério de ferro, que entre setembro e este mês subiram quase 34%, para US$ 75 a tonelada, está incentivando a empresa a retomar suas exportações da commodity.
Porém, uma retomada exigiria a reativação de pelo menos uma das três plantas de minério de ferro paradas da Usiminas. A companhia tem quatro unidades e atualmente apenas uma está operando, fornecendo minério para consumo próprio da companhia.
“Sem dúvida, estamos analisando com bastante afinco a possibilidade de eventualmente voltarmos com uma das plantas”, disse o diretor de mineração da Usiminas, Wilfred Bruijn, durante a reunião. Segundo ele, o nível de preço atual do minério de ferro já permitiria uma retomada das exportações, mas em contrapartida os preços do frete marítimo também estão avançando.
Sobre a renegociação com credores, o diretor financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, afirmou que a companhia espera concluir no início do próximo ano discussões com detentores de bônus, que vencem no começo de 2018. A siderúrgica concluiu em setembro negociação envolvendo R$ 6,3 bilhões, representando 92% da dívida da companhia, a um custo de CDI mais 3% ao ano.

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