Usura

“O Brasil é o único país no mundo onde agiota empresta dinheiro mais barato do que banco. Não existe isso em outro lugar do mundo, só aqui”, ironizou o candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho. O ex-governador do Rio de Janeiro fez corpo-a-corpo ontem pela manhã na Central do Brasil, no Rio. O candidato fez questão de cumprimentar as pessoas que desde cedo guardavam lugar na fila para poder almoçar no restaurante popular Herbert de Souza, o Betinho, o primeiro dos sete inaugurados por Garotinho enquanto esteve à frente do governo do estado – projeto da então vice e atual governadora Benedita da Silva (PT).

Alta generalizada
Tal qual os grandes laboratórios, os fabricantes de genéricos estão pedindo reajuste extraordinário e imediato dos preços dos remédios. O Grupo Pró Genéricos – entidade que representa 20 empresas – informou que com a cotação do dólar será impossível continuar buscando soluções que reduzam o preço para a população. De saída, somem os descontos que vinham sendo dados aos revendedores. O mercado de genéricos já representa 9% das vendas em unidades da indústria farmacêutica.

Alvo
Diferentemente do que alguns mídias apressados afirmaram, as declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O”Neill, acusando os governos de Brasil, Argentina e Uruguai de desviar empréstimos internacionais para a Suíça, não se limitam a uma retórica enviesada. Na verdade, O”Neill apenas vocaliza de forma mais escancarada o principal objetivo do Estado norte-americano para as Américas: impor a governos fracos e vacilantes na defesa dos interesses nacionais a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para alcançar essa meta, é fundamental o desmonte do Mercosul.

Primeiro passo
Apesar de permanecer na UTI, a Argentina começa a mexer alguns dedos. A arrecadação de julho deve ter fechado em alta de 25% em relação ao mesmo mês do ano passado. Sem descartar o efeito estatístico – em junho de 2001, o país já se encontrava em recessão – a melhora na coleta de impostos é fruto de dois fatores principais: as receitas do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), em alta desde o avanço da inflação, e das recém-criadas taxas sobre transações bancárias e sobre as exportações.

Completar o ciclo
Embora represente um alento, a melhora na arrecadação na Argentina, no entanto, somente será mantida se o país voltar a crescer de forma consistente. E crescimento contínuo é incompatível com a manutenção e com o aprofundamento das políticas exigidas pelo FMI, particularmente a insistência no confisco dos depósitos bancários e a suspensão das emissões de moedas pelas províncias. Apesar da anarquia monetária, que tanto arrepia fundamentalistas mais ortodoxos, a emissão de moedas paralelas pelas províncias se transformou no principal oxigênio que impede que a Argentina entre em estado terminal.

Prejuízo
Por onde andam os analistas que, quando eram necessários R$ 2,60 para comprar um dólar, avisavam aos investidores que não era vantagem investir na moeda norte-americana? Essa cotação não ocorreu há tanto tempo assim – foi no início de junho. De lá para cá, o dólar ficou quase R$ 0,90 mais caro. Só em julho, o dólar comercial teve valorização de 23,41%; o futuro, de 12,68%, e o paralelo, na lanterna, 11,91%. Acostumados a fazer previsão olhando o videotape, tais especialistas devem agora estar dando aulas do que fazer para sair da crise, com veementes defesas de um acordo com o FMI.

Projeção
O candidato tucano à Presidência da República, José Serra, acusa seu adversário da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, de ser culpado pela disparada do dólar. Antes, acusava o presidenciável do PT, Lula. Pelo visto, o governo do qual Serra fez parte e do qual é candidato é apenas um privilegiado espectador da cena brasileira nos últimos oito anos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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