‘Vacina não é uma questão de dinheiro’

Após recomendar atenção aos problemas da pandemia, recomendando o uso de máscaras e lembrar que fazem quase três anos que saiu da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, para se entregar à Polícia Federal, decisão que “fui, obviamente, contra a minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente. Muitos dos que estavam aqui não queriam que eu fosse me entregar”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo negando uma possível candidatura à Presidência da República nas eleições de 2022, fez um pronunciamento típico de campanha.

“Queria dizer para vocês que eu nasci politicamente nesse sindicato. Em 1969, eu virei delegado de base desse sindicato, trabalhando na Villares. Em 1972, eu virei primeiro secretário, e cuidava da previdência social. Na verdade, eu cuidava dos velhinhos aqui. Em 1975, eu virei presidente. Em 1978, nós fizemos as primeiras greves desde as greves de Osasco e de Contagem, em 1968. E depois vocês já conhecem a história. Veio a criação de muitos dos movimentos que estão aqui, e eu participei de quase todos eles.

 

Trajetória politica

 

Explicou que sua trajetória política foi iniciada como sindicalista. “O movimento mais importante foi a minha tomada de consciência de que, através do sindicato, eu não iria conseguir resolver os problemas do país. Eu poderia, no máximo, conseguir alguma conquista dentro da fábrica, mas era uma luta muito economicista. É aquela que você ganha uma hoje, e perde amanhã com a inflação. É aquela que você pensa que está ganhando, e daqui a pouco a empresa fecha, como fechou a Ford aqui, sem prestar contas a ninguém.”

Lula descartou revanchismos, mesmo tendo criticado o uso da política do ódio. “Quando resolvi marcar essa entrevista, muita gente ficou preocupada com o meu humor. ‘Como é que o Lula vai estar? Ele vai estar bravo? Ele vai estar xingando alguém? Ele vai falar palavras de esperança?”.

Então, lembrou de um escravo que leu num livro, que foi condenado a tomar 100 chibatadas. “Depois que o cara da chibata deu 98, chegou pra ele e falou: “eu vou parar de dar chibatada se você agradecer ao seu dono. Se você agradecer ao seu dono, eu não dou mais as duas que faltam.” E o cara falou: “como é que eu vou agradecer? Eu já estou todo arrebentado. Por que eu vou parar? Me dê as outras duas.”

“Não importa as cicatrizes que ficam nas pessoas”, disse ao relembrar que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. E que a minha mulher, a Marisa, morreu por conta da pressão, e o AVC (Acidente Vascular Cerebral) se apressou.” Também lembrou que foi proibido até   de visitar o meu irmão dentro de um caixão, “porque tomaram uma decisão que queria que eu visse para São Paulo, que eu fosse para o quartel do 2º Exército, no Ibirapuera, e meu irmão, dentro do caixão, fosse me visitar. E ainda disseram que não podia ter nenhuma fotografia.

“Então, se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não tenho. Sinceramente, eu não tenho porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal”, ressaltou.

 

Desigualdades

 

Lamentou as desigualdades sociais, principalmente no momento em que o país está vivendo. “É essa dor que a sociedade brasileira está sentindo agora que me faz dizer pra vocês: a dor que eu sinto não é nada, diante da dor que sofre milhões e milhões de pessoas. É muito menor que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrerem. Seus pais, seus avós, sua mãe, sua mulher, seu marido, seu filho, seu neto, e sequer puderam se despedir dessa gente na hora que nós sempre consideramos sagrada: a última visita e o último olhar na cara das pessoas que a gente ama.

Elogiou o pessoal da área de saúde “sobretudo dos heróis e das heroínas do SUS, que durante tanto tempo foram descredenciados politicamente. Foram descredenciados no exercício da sua profissão. Porque só mostravam as coisas ruins que aconteciam no SUS, e quando veio o coronavírus, se não fosse o SUS a gente teria perdido muito mais gente do que perdeu. Apesar de o governo tirar tanto dinheiro do SUS e de o governo ser um verdadeiro desgoverno no trato à saúde.”

 

Críticas

 

Ao criticar o presidente Jair Bolsonaro, deixou claro que vacina não é uma questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro. “É uma questão se eu amo a vida ou amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da República no cuidado do seu povo. Porque o presidente não é eleito para falar bobagem e fake news. Ele não é eleito para incentivar a compra de armas, como se nós tivéssemos necessitando de armas.”

Nos seus agradecimentos citou o presidente Alberto Fernandez, da Argentina, Papa Francisco, a

Aloizio Mercadante, do Grupo de Puebla, líderes da América Latina inteira, Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, Bernie Sanders, senador dos Estados Unidos, Anne Hidalgo, prefeita de Paris, José Luis Rodríguez Zapatero, Evo Morales, a monja Coen, Martinho da Vila, Chico Buarque, Noam Chomsky, Fernando Haddad, Martin Schulz, ministro na Alemanha e representa a social democracia. O Roberto Gualtieri, do Podemos espanhol, e o ex-primeiro ministro italiano (Massimo) D’Alema.

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