Vade retro

     
          Vários governos europeus estão dificultando a participação dos grandes bancos estadunidenses nos leilões dos seus títulos de dívida pública, informa o boletim eletrônico Resenha Estratégica. Pela primeira vez em cinco anos, nenhum das instituições dos EUA aparece entre os principais detentores de títulos europeus (o Morgan Stanley surge apenas em décimo lugar).

Para o petróleo ser nosso
A luta pelo destino dos royalties e das participações especiais do petróleo mistura três aspectos: a demagogia rasteira, a relação dos diferentes entes com a Federação e o direito de o Brasil ser dono das suas riquezas. No primeiro caso, inscreve-se a Emenda Ibsen Pinheiro, que, ao retroceder a proposta de redistribuição de recursos ao petróleo do pós-sal, cujas verbas já integram orçamentos de estados e município produtores, inviabiliza e desmonta a maioria deles.
O fato de que a Câmara dos Deputados a tenha aprovado por tão larga maioria demonstra, não apenas a baixa capacidade de articulação do governador do Rio (PMDB), Sérgio Cabral, mas como a principal Casa de debates do Congresso Nacional descolou-se do mundo real, depois de aceitar ser rebaixada ao papel de anexo do Executivo.
A redistribuição dos recursos do pré-sal é pleito legítimo, na medida em que a riqueza a ser explorada insere-se num patamar inédito para o país. No entanto, o mero aumento de recursos destinados à maioria dos municípios e estados sem estar vinculado a um projeto de desenvolvimento nacional é desperdício de dinheiro e oportunidades.
Na verdade, a descoberta de reservas fabulosas de petróleo deve ser um impulsionador do desenvolvimento nacional, projeto ao qual a redistribuição dos recursos dos royalties precisa estar subordinada.
O debate sobre a distribuição de recursos, porém, não deve servir de abrigo para os contrabandistas que se opõem a que o país seja dono de suas riquezas e que, se aproveitando da confusão desencadeada por esse embate, tentam derrubar o marco regulatório que repõe nas mãos do Estado, via modelo de partilha e maior protagonismo da Petrobras, grande parte do petróleo. Para estes, o emblemático slogan “O petróleo é nosso” tem significado bem mais financeiro do que patriótico.

Civismo
A presença do governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), na passeata em defesa dos recursos dos royalties produziu um choque administrativo em algumas áreas do Centro da capital. Pela primeira vez, em anos, motoristas viram guardas municipais atuando no trânsito e, raridade ainda maior, num dia de chuva.

Partidos
O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, vê com “certa tristeza” a ação de alguns jornais cariocas que, segundo ele, estão agindo de maneira “político-partidária” na questão dos royalties do petróleo: “Os jornais estão dando ampla cobertura, mandando repórteres, como no ato da Alerj e no Palácio Guanabara. Mas dentro de um mesmo jornal deve haver liberdade de expressão, com idéias diferentes. Hoje vemos alguns jornais funcionarem, uníssonos, como partidos políticos. Isso me deixa arrepiado só de pensar. É andar para trás”, criticou.

Rio exportação
O Projeto Rio 2016 será apresentado para 500 empresários alemães pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, e pela secretária de Turismo, Esporte e Lazer, Marcia Lins, à frente de uma delegação do estado e do município. Organizado pela Câmara Brasil-Alemanha do Rio, a idéia é mostrar as diversas oportunidades de investimento que o Estado do Rio oferece. Integram a delegação representantes da Firjan e o diretor executivo da AHK-Rio, Hanno Erwes. Os encontros serão dia 25, em Munique, e 26 de março, em Hamburgo.

“Joelhaço”
Roberto Requião, do Paraná, lidera o ranking de governadores no Twitter. Segundo o site Twitterank, Requião tem 75 pontos, cinco a mais que o segundo colocado, José Serra, de São Paulo. Aécio Neves, de Minas, aparece na parte de baixo do ranking, com 40 pontos. O fluminense Sérgio Cabral nem aderiu ao Twitter. O governador do Paraná – elogiado por seus seguidores por sua combatividade e franqueza – já conquistou 5.931 seguidores, 92,95 pontos de influência, 44,51 pontos de popularidade e 83,20 pontos de envolvimento. A análise leva em conta a repercussão das “tuitadas”.
     
     

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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