Vai a zero projeção de lucro das empresas nos EUA

Alegação da vez é que o coronavírus chegará a nível de pandemia global.

Acredite se Puder / 19:11 - 27 de fev de 2020

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O medo do coronavírus, agora, é tão grande que os economistas do Goldman Sachs cortaram para zero a projeção para o crescimento dos lucros das empresas norte-americanas. Na Alemanha, para que isso não aconteça, o governo estuda medidas de estímulo para evitar uma estagnação. Devido aos receios cada vez maiores com a epidemia de coronavírus, as principais bolsas europeias intensificaram as quedas na sessão dessa quinta-feira, com o Stoxx600 registrando perdas de 3,75% para 389,45 pontos. Por causa disso, retornou aos níveis mínimos registrados em 11 de outubro do ano passado, com todos os setores sofrendo desvalorização, sendo a maior a do turismo, que apresentou baixa superior a 5%. E o sell-off nos mercados de ações provocou a repetição da maior queda em um só dia, verificada no dia seguinte ao referendo britânico de 2016, que deu a vitória ao Brexit.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a epidemia está chegando ao ponto de pandemia global, contribuindo para o aumento da preocupação dos investidores quanto ao impacto do vírus na evolução da economia mundial. E o pior, no momento em que o ritmo de crescimento de novos casos é maior fora da China, o que não tinha sido verificado desde que foi identificado o surto.

 

Berkshire triplica e faz IRB subir 9%

As ações do IRB, no pregão desta quinta-feira, chegaram a subir mais de 9%, mesmo com o temor mundial do coronavírus. Só porque os investidores tomaram conhecimento de, entre os dias 6 e 18 deste mês, a Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, teria realizado diversas compras e triplicado sua posição acionária na resseguradora, Parece que existe alguma coisa estranha com essa informação do jornal Estado de São Paulo. Desde o IPO, os três acionistas são: Bradesco Seguros, com 15,23%; Itaú Seguros, com 11,14%; e a Blakrock, com 5,1%, posição que continua mantida. Então, a Berkshire tinha uma microposição que não deve ter chegado aos 5%, nível que a empresa tinha obrigação de informar ao mercado que surgiu novo investidor com posição relevante. As compras devem ter sido realizadas, pois as ações do IRB perderam 30% neste ano, por causa das dúvidas apresentadas pela Squadra.

Para complicar, o jornal paulista afirma que, segundo o relatório anual divulgado no início da semana, a Berkshire agora detém uma cerca de R$ 900 milhões em ações do IRB, algo em torno de 2,7% das ações ordinárias, mas não esclarece se tal posição foi a de antes ou é a atual, triplicada em meados deste mês. Além disso, afirma que o fundo de ações Dunamis Master, do Itaú, e o fundo soberano de Cingapura, aumentaram suas participações na resseguradora na mesma proporção.

A alta das ações foi exagerada. Então, seria de bom tom que Sandra Matsumoto, diretora de Relações com Investidores do IRB, informasse ao mercado como é a nova composição acionária de sua empresa.

 

Resultado fraco faz Ambev cair 9%

As ações da Ambev chegaram a cair 9%, pois os analistas não gostaram do resultado. Para os do Credit Suisse foram fracos, sendo que o crescimento de 3,4% no volume foi anulado pela queda de 4,2% de receita por hectolitro. Além disso, revelam pessimismo em relação ao desempnho deste ano pelos seguintes motivos: a) pressão de custo pelo câmbio; b) Ebitda do segmento de cerveja no Brasil reduzindo entre 17% e 20% na base de comparação anual no primeiro trimestre de 2020 e que deve ir gradualmente se recuperando ao longo do ano e c) tendência de receita favorável para LAS.

Os do Bradesco BBI se fixaram no Ebitda 2% abaixo do consenso do mercado para o quarto trimestre de 2019, embora o lucro tenha sido 6% superior às suas estimativas, e também dos descontos que foram maiores que os previstos. A avaliação dos técnicos do Itaú BBA destaca que os resultados foram mais fracos que os projetados para a divisão de cervejas, com um Ebitda 4% abaixo das estimativas do banco. Como destaques positivos, o BBA indicou o crescimento de 16% nas vendas das bebidas não alcoólicas e lucro líquido 1% superior às projeções. O cenário para 2020, contudo, não é positivo, porque são esperadas maiores pressões de custos e competição no mercado brasileiro de cervejas. O Itaú BBA manteve a classificação de média do mercado, com preço-alvo de R$ 22,00 para ação, com alta de 39,1% sobre R$ 15,82.

 

Bradesco vê baixo impacto nos planos

O especialistas do Bradesco BBI acreditam que o impacto do coronavírus no Brasil para as operadoras de planos de saúde será pequeno, semelhante ao do vírus H1N1 em 2009, que teve custo baixo para as empresas do setor. Apesar de adotar postura cautelosa, a instituição monitora de perto a situação. Numa rápida avaliação, destaca a da Notre Dame Intermédica, que já tinha um plano de contingência que foi revisado após o primeiro caso da doença ser confirmado na terça-feira em São Paulo e a empresa planeja aumentar o estoque de luvas, máscaras e sedativos, além de reservar 30 leitos hospitalares. A Amil tem feito comunicados aos pacientes nos hospitais e aos clientes sobre o problema.

 

Fundo de Cingapura tem 6,49% da Locaweb

Como manda a legislação e que também deve ser seguida pelo IRB, a Locaweb comunicou ao mercado que o Fundo Soberano de Cingapura – GIC Private Limited (GIC) passou a deter 6,49% das ações ordinárias da empresa, o que não representa uma tomada de controle.

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