Vai piorar

O crescente fluxo de capital pelo mundo, sem quaisquer controles, levou o Banco da Inglaterra – o banco central britânico – a prever um agravamento da crise nos próximos anos: “A turbulência financeira atual pode ser apenas um precursor de algo ainda pior nos próximos anos. Por enquanto, os desequilíbrios globais que ajudaram a criar a recente crise financeira não diminuíram, pelo contrário”, argumenta o BC inglês em documento, “é provável que eles se tornam consideravelmente maiores – não menores – nos próximos anos”.

Fortes emoções
Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o rombo nas contas externas do país, que este ano, até novembro, já atinge US$ 456,83 bilhões, pode saltar para US$ 80 bilhões, em 2012, se a previsão para o saldo comercial do BC, de US$ 23 bilhões, não se confirmar: “Em 2012, certamente teremos fortes emoções”, prevê o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, alertando que “a forte redução no superávit comercial ou, pior ainda, a eventual geração de déficit comercial, impactará o resultado da conta de transações correntes, podendo gerar a necessidade de captar mais recursos externos ou consumir as reservas cambiais, em época de crise, com reflexos imprevisíveis”.

2012 é incerto
Castro salienta que, apesar de a AEB prever para ano que vem superávit comercial de US$ 3 bilhões – contra US$ 23 bilhões projetados pelo Banco Central – um eventual déficit não pode ser descartado para 2012: “Com a China exportando menos para Europa, evidentemente isso vai se refletir nas compras do país e afetar nossos vizinhos. A Argentina, por exemplo, será mais protecionista em 2012. Este ano ela teve superávit comercial de US$ 11 bilhões, mas com queda já verificada no preço da soja, deve cair para US$ 6 bilhões. Ou seja, nosso principal vizinho terá de segurar importações, principalmente do Brasil”, alertou Castro.

Rio em festa
Puxado por shows internacionais, festivais de música e feiras e convenções, o setor cenográfico girou R$ 120 milhões em 2011. Só a M Checon, empresa de montagem e cenografia, faturou R$ 30 milhões este ano. Com alta demanda em alta no setor, a empresa pretende investir R$ 400 mil para abrir uma filial no Rio, em janeiro. A M Checon, que, este ano, executou projetos como o Festival Planeta Terra e o Rock in Rio, já montou estandes em Portugal, Espanha, Itália, Estados Unidos, Uruguai e Argentina.

Pouco gás
Em sua última sessão do ano, o Conselho Diretor (Codir) da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) decidiu, terça-feira, multar a Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG) em R$ 125 mil pela má qualidade das obras no Centro do Rio de Janeiro. Entre outras irregularidades, a Agenersa detectou falta de sinalização, canteiros malconservados e obras paralisadas.

Obra de igreja
Diante do incômodo causado pela concessionária, a multa é modesta no valor e na abrangência. Na Região Oceânica de Niterói, por exemplo, as obras da CEG se arrastam por quase cinco anos e, também, são desorganizadas

Espelho
Na cobertura da morte do presidente da Coréia do Norte, Kim Jong-il, chama a atenção que o tom de deboche adotado pela imprensa ocidental diante das demonstrações de fervor dos coreanos ao seu líder não se repita em outras manifestações de convulsão coletiva, quando estas ocorrem no Ocidente. Por exemplo, no fetichismo histérico de adolescentes e adultos que varam a madrugada em extensas filas para comprarem a nova versão do seu tablet. Ou ainda no fanatismo de fãs do artista adolescente da vez produzido nos laboratórios das gravadoras ou na Internet. Como já cantou Caetano, Narciso acha feio o que não é espelho.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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