Vale o dito

“Pelo menos um chefe de Estado na América Latina cumpre as promessas de campanha.” A observação foi feita pelo professor de economia internacional da UFRJ Reinaldo Gonçalves ao comentar a nacionalização das reservas de petróleo e gás na Bolívia. Para Gonçalves, a nacionalização será positiva “para a economia e para a sociedade boliviana”.
No Brasil, cumprimento de promessa de campanha parece soar como exotismo populista.

Não é vosso!
A nacionalização dos campos de petróleo e gás decretado pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, chocou os que, há cerca de dez anos, assistiram embevecidos ao presidente da agência reguladora do setor no Brasil declarar a um grupo de investidores de estrangeiros que “o petróleo é vosso”. Bem como aos que, num tempo em que os contratos futuros de petróleo ultrapassam a marca de US$ 70 o barril, consideram natural concessões do produto serem repassadas a preços inferiores aos dos carros importados da elite local.
Vai ser difícil, porém, convencer os bolivianos de que bom era o tempo em que o controle das suas riquezas estava na mão de grandes grupos estrangeiros. Nesse período de 30 anos, apesar dos gordos lucros remetidos às matrizes, a Bolívia se manteve como o país mais pobre da América do Sul, embora detentor de um dos mais ricos subsolos do mundo.
Longe de representar uma derrota da afirmativa política externa do Itamaraty, o episódio revela os equívocos de transformar uma empresa estratégica como a Petrobras em mera companhia de negócios. Nessa condição e, embora detenha apenas 35% do campo de San Alberto e 50% do poço de Sábalo, em Santo Antonio, a Petrobras acabou servindo de guarda-chuva para os interesses de grandes grupos internacionais que têm relações distintas com o Estado boliviano das que deveriam ser mantidas pela principal estatal brasileira.
Respeitado esse caráter distinto, as duas partes estão fadadas a negociações que considerem os interesses soberanos de ambos países: o Brasil, como principal mercado para o gás boliviano, e a nação de Morales, como principal fornecedor dessa matriz energética para nosso mercado.

Fora da área
A Vivo não está cumprindo a Lei 4.737, que proíbe a fixação de prazo para utilização de crédito no celular pré-pago. A operadora  ignora a lei, sancionada pela governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho (PMDB), e publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Usuários que recorrem à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ouvem da agência que ela desconhece a  existência da lei e que não tem como cobrar providências da operadora.

Mista
As sociedades de economia mista devem seguir as mesmas regras das empresas privadas e não tem sentido que paguem eventuais perdas na Justiça através de precatórios. Essa é a tese de Daniela Arid, advogada trabalhista da Innocenti Advogados Associados, que frisa que há anos obtém êxito em ações trabalhistas contra empresas de economia mista. Ou seja, quando houver briga na Justiça contra a Cia. Do metropolitano de São Paulo, Sabesp ou Cedae, por exemplo, não é preciso ficar na interminável fila dos precatórios.

Show
Dia 10, às 17h30m, o Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio recebe como palestrante o professor Mauricio Werner, presidente da consultoria Planet Work e coordenador adjunto do Curso e do MBA em Turismo da UniverCidade. O tema será “100% cliente – Um show de atendimento”.

Adeus, lanterna
Depois de cair 18 posições no ranking da produtividade industrial da CNI e seis posições no de tecnologia da informação do Fórum Econômico Mundial; de estar na lanterna no ranking de patentes do escritório norte-americano de propriedade industrial e também nas estatísticas de crescimento do PIB latino-americano, à frente apenas do Haiti; só resta ao Brasil investir seriamente em inovação tecnológica para tentar crescer de forma sustentada, como fizeram Coréia do Sul, China e Índia. O diagnóstico é da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), que reúne as principais entidades empresariais do país.

Altas calorias
Em vez de fazer greve de fome, o ex-governador Anthony Garotinho deveria cobrar dos meios de comunicação que o acusam de receber financiamentos irregulares para a sua pré-campanha a presidente que mostrem o mesmo apetite investigativo em relação ao conjunto dos candidatos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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