Vale o escrito?

“Os altos juros aumentam o déficit das contas públicas e cria-se um círculo vicioso. O governo aumenta os juros, para elevar a receita, mas a receita cai. Em janeiro de 1998, já houve queda de 10% em relação a janeiro de 97. É um tiro no próprio pé esse ajuste cambial recessivo, que aumenta impostos e corta gastos. E agora, a situação é ainda mais delicada, porque o governo, que previa queda de 1% do PIB, já admite 3,5%.” O diagnóstico, traçado, em 1998, no início do segundo mandato do presidente FH, e que pode ser transposto, sem grandes mudanças, para o final do governo FH, foi feito por Guido Mantega, um dos principais assessores econômicos de Luiz Inácio Lula da Silva. Sua materialização em forma de política econômica traz a boa nova de que, no novo governo, a política de juros altos será aposentada.

Jogo político
As acusações feitas pela equipe de transição da governadora eleita do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PSB), não incomodam a atual governadora, Benedita da Silva (PT): “Acho que isso faz parte do jogo político. Tenho relatórios oficiais que mostram a situação em que encontrei o estado e como deixarei.” Bené reuniu-se na sexta-feira com o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu, deixando claro que a transição está correndo de forma tranquila. A governadora defendeu uma boa relação entre os governos federal e estadual, já que o Rio sofre com falta de oportunidades de geração de emprego e renda. “É preciso retomar o crescimento do Rio de Janeiro”, finalizou.

Fundo
A governadora eleita do Rio, Rosinha Matheus, diz que, se o atual governo estadual não conseguir pagar o 13°, ela o fará assim que tomar posse. Para quem não tem curso de mágica, essa coluna dá uma de Mister M e revela o truque: em 2003 o Estado do Rio poderá movimentar os recursos existentes no fundo de recebíveis (iniciativa da secretário de Controle, Renê Garcia). Criado este ano, o fundo só poder ser movimentado, por lei, no ano seguinte. Mas Benedita deverá confirmar os recursos para pagar o 13° do funcionalismo ainda em 2002.

Pantomina
A última ou, segundo o mordaz julgamento de Janio de Freitas, única reunião do presidente FH com seu ministério foi, de um jeito ou de outro, emblemática. Afinal, ou ela produziu fatos decisivos para o futuro do país, ou sua desimportância, além de favorecer o caráter de convescote da efeméride, sintetizou o estilo FH de governar.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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