Vale tudo

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, ironiza a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de aceitar papéis podres dos bancos europeus como garantias para novas injeções de liquidez: “Costumo dizer que o BCE já está quase aceitando como garantia tíquete-refeição e vale-transporte”, diz Barros.

360º
Mais uma vez, porém, o dinheiro liberado pelo BCE a juros camaradas não servirá à retomada do crédito e à reativação das economias locais. Em sua maior parte, vai acabar depositado no próprio BCE, para desfrutar dos juros pagos, ou se deslocar em busca de ganhos mais robustos em países, como o Brasil, que pagam taxas básicas de dois dígitos.

Dilma na História
Dizem que originalmente a CPMF seria batizada de Imposto sobre Transações Financeiras. O então presidente Itamar Franco, porém, teria sido alertado que, toda vez, que um brasileiro fosse assinar um cheque, iria associar a sigla ITM a Imposto do Itamar Franco. Na verdade, o pecado da CPMF não estava em taxar movimentações financeiras e conceder subsídio valioso à Receita Federal, mas em desviar parte do montante arrecadado para a Saúde para financiar o Bolsa Juros.
A presidente Dilma vive, em outras circunstâncias, dilema comparável ao de Itamar, ao ceder à pressão para privatizar os mais lucrativos aeroportos brasileiros, com o agravante da obrigatoriedade de que o futuro concessionário se associe a um parceiro estrangeiro. No futuro, quando os brasileiros se derem conta de que perderam o controle sobre um segmento estratégico para qualquer país e se virem vítimas da disparada dos preços dos aeroportos que tornem o ato de viajar de avião uma prática elitista, certamente, associarão tal opróbrio ao nome de Dilma.
Uma pequena amostra do que se deve esperar da privatização do setor vem da taxa de conexão, por enquanto em R$ 7, a ser paga por qualquer um que voe de qualquer aeroporto tupiniquim. A justificativa: tornar a concessão mais atraente. Atraente para quem, cara pálida?

Oportunismo?
A propósito, é significativo o silêncio estrondoso do PT, do PCdoB, da CUT, e de todos que, durante as campanhas eleitorais, criticam – com razão – o desastroso programa de privatizações do PSDB. Ou críticas contra a privatização são apenas bravatas eleitorais?

Reconhecimento
Um dos colunistas teve a oportunidade de conhecer a nova sede – ainda em fase pré operacional – da Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro. Mais do que as conquistas tecnológicas – como a central de controle do sistema de abastecimento, capaz de abrir um registro que pode estar a quilômetros de distância – chamam a atenção as homenagens feitas a pessoas que foram importantes para a empresa e para o estado, incluindo neste rol ex-funcionários da estatal. O auditório principal, por exemplo, chamado de sala de cinema pelo presidente da empresa, Wagner Victer, leva o nome de Raphael de Almeida Magalhães, ex-ministro e ex-governador do estado, que inaugurou Guandu, a maior em estação de tratamento de água em produção contínua do mundo.

Transparente
Por trás da fachada – que ainda ganhará dois painéis do pintor brasileiro radicado em Miami Romero Brito – a Cedae busca mais do que racionalizar sua operação, reunindo em um só prédio o que estava disperso em dez edifícios. Dois auditórios da nova sede serão utilizados para as concorrências realizadas pela empresa. Tudo será filmado, inclusive os corredores.

Reconstruindo
O Sescon-RJ, entidade que representa empresas de contabilidade, obteve o aceite da Receita Federal para isentar de multas os escritórios do setor que funcionavam em um dos três edifícios que desabaram no Centro do Rio, mediante a apresentação, por parte do sindicato, da relação de empresas contábeis localizadas no local do desabamento. Segundo a presidente da entidade, Márcia Tavares, reunindo todos os casos será possível solicitar junto aos órgãos governamentais prorrogações de prazos e anistia de multas de tributos que dificilmente conseguirão ser pagos no atual contexto pós-tragédia. O Sescon pede que pessoas físicas e jurídicas procurem o sindicato através do email [email protected]

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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