Conversamos sobre o resultado da Vale no 1T26 com Gabriel Uarian, analista da Cultura Capital.
Qual a sua avaliação sobre o resultado da Vale no 1T26?
A Vale teve um bom resultado em termos operacionais, com destaque para suas vendas e a evolução de metais básicos, mas o que pesou foram as perdas nas linhas financeiras e a pressão de custos cambiais, que já eram, de certa forma, previsíveis.
Para o investidor que acredita em um preço da tonelada do minério de ferro entre US$ 90 e 100, e na tese de transformação da Vale em metais básicos, o papel continua atrativo para o médio e longo prazo, essencialmente por causa dos generosos pagamentos de proventos, mas, para o curto prazo, o cenário externo pode pesar um pouco para a Vale.
Qual a sua avaliação sobre o endividamento da Vale?
O endividamento da Vale segue com uma perspectiva construtiva. Como disse, os eventos operacionais, como volumes e preços, foram positivos, o que dá robustez a empresa, mas isso foi ofuscado, temporariamente, pelos custos cambiais, tanto que a ação teve uma queda considerável após a divulgação do resultado, já que esses custos trouxeram um certo receio para os investidores.
Qual a sua avaliação sobre a carteira de projetos da Vale?
A Vale tem vários projetos muito interessantes, principalmente em relação às suas exportações. A China é um dos principais destinos da companhia, mas ela vem expandindo a sua atuação para outros destinos. Como a Vale continua bastante resiliente nos seus projetos e na sua atuação no exterior, isso fez com que a companhia tivesse um forte resultado no 1T26.
A Vale pode tirar benefícios sobre a discussão de terras-raras no Brasil?
A Vale tem uma exposição indireta muito pequena às terras-raras, mas o atual conflito geopolítico e os interesses dos Estados Unidos e da China podem trazer algumas oportunidades a médio prazo.
No passado, a Vale fez alguns estudos de viabilidade em depósitos herdados em Araxá, Minas Gerais, e Catalão, Goiás, mas não chegou a avançar para a produção em escala. A companhia participa desse mercado de forma indireta, investindo, junto com o BNDES, em empresas juniores de minerais estratégicos, o que inclui as terras raras, mas isso é mais uma aposta de diversificação do que um negócio central.
A confusão no Oriente Médio afeta a Vale?
Com toda certeza, pois o aumento do petróleo faz com que muitos custos fiquem mais caros, o que acaba criando uma bola de neve. Como a produção, a exportação e o transporte ficam mais caros, a Vale acaba sendo afetada de forma indireta.
Qual a sua avaliação sobre o preço da ação da Vale?
Tendo em vista o longo prazo, a ação da Vale está barata, mas ela não está com um preço que pode ser considerado uma barganha. Quando consideramos o seu fluxo de caixa descontado e o seu payout, a Vale está com um preço razoável, mas quando consideramos o seu yield e o seu Ebitda, ela está mais barata que muitas mineradoras globais.
Como disse, para quem acredita em um preço da tonelada do minério de ferro na faixa de US$ 90 a US$ 100, e na tese de diversificação da companhia, a Vale está com um preço razoável, mas não absurdamente barato como estava em 2024 e 2025. Cabe ressaltar que a Vale oferece um bom dividend yield e um upside, de certa forma, moderado.
Após a valorização da ação registrada desde o final do 3T25, o que pode fazer com que o preço da ação da Vale caia?
Existem vários fatores que podem fazer com que o preço da ação da Vale caia, sendo que o preço do minério de ferro é o maior driver dessa sensibilidade. Se a China tiver uma desaceleração da sua construção civil, ficar com estoques altos ou a sua produção de aço diminuir, a Vale cai direto.
Outro ponto é o câmbio. Isso porque o real forte faz com que os custos em dólar, como salários, royalties e energia, aumentem, o que diminui as margens. Com o câmbio abaixo de R$ 5,10, a balança entre exportação e importação começa a ficar um pouco desequilibrada, o que também pode fazer com que a ação caia.
O aumento de custos operacionais; o sentimento global ao risco, que nós vimos, principalmente, em fevereiro e março; uma alta dos juros nos Estados Unidos; uma aversão de risco aos emergentes ou uma queda das commodities em geral também podem fazer com que a ação caia.
Todos esses fatores podem fazer com que a ação caia no curto prazo, mas quando pensamos no longo prazo, no trabalho de diversificação da Vale e na robustez apresentada pela companhia nos últimos anos, essa é uma ação para continuar na carteira.
Qual a sua projeção de dividend yield para a Vale em 2026?
Com a cotação em torno de R$ 81, a Vale tem um dividend yield projetado em torno de 6%, 6,75%. Esse dividend yield projetado é atrativo e fica em linha com o que a companhia vinha oferecendo nos últimos períodos.
Como você está vendo as perspectivas da Vale?
Para quem acredita na empresa e na sua execução, o papel continua muito interessante para o médio e longo prazo, sendo que um dos seus principais atrativos são os seus dividendos. Um ponto de atenção, que vale para todas as empresas exportadoras, é a situação geopolítica dos Estados Unidos com o Irã e com a China, o que pode trazer impactos diretos para a Vale.
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