Vandalismo$

Duas notícias desta semana foram pedagógicas para ilustrar como funciona a engrenagem da objetividade jornalística. A invasão do MST à fazenda da Aracruz, no Rio Grande do Sul, foi classificada em uníssono como “vandalismo”. Afinal, as perdas, segundo a empresa, somaram US$ 400 mil (cerca de R$ 800 mil). Um dia, depois, a mesma mídia noticiou com discrição auto-explicativa que a arrecadação dos bancos instalados no país com tarifas bancárias superaram a arrecadação de todos estados brasileiros, excetuando São Paulo. O vandalismo contra o bolso dos clientes, fruto de cerca de 70 tipos de tarifas e da complacência do Banco Central, atingiu R$ 31 bilhões, 38.750 mais que as perdas sofridas pela Aracruz.

Falsa ecologia
“Todos os reservatórios existentes no país desmataram menos de 1% do que se desmata no Brasil durante um ano.” Assim, o vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Eduardo Carlos Spalding, rebate os argumentos de “ecologistas” contra a construção de usinas hidrelétricas no Brasil. A matriz hidrelétrica é considerada a mais barata e pouco disponível para os grandes consumidores de energia ao redor do mundo. Entretanto, o Brasil “corre privilegiadamente na contramão do mercado global, com capacidade significativa de geração nas bacias da Amazônia não exploradas. Trata-se de uma energia limpa, que não polui”.

Sem horizonte
O vice-presidente da Abrace acrescentou que, para daqui a 30 ou 40 anos, os combustíveis fósseis usados para geração de energia, como petróleo e gás natural, muito possivelmente irão se exaurir. Em contrapartida, o consumo cresce anualmente e há necessidade de substituição das matrizes energéticas. “Os países que dependem desses combustíveis não-renováveis tentam controlar as regiões que ainda dispõem de reservas, a exemplo do conflito no Iraque”, alertou Spalding.
A geração termelétrica a gás no Brasil enfrenta problemas, já que as reservas nacionais são consideradas pequenas ou suficientes para, no máximo, dez anos de produção: “Acredito que o gás deveria ser explorado, principalmente, por indústrias petroquímicas. Analisando a situação do gás, em termos de Cone Sul, temos de considerar que as reservas provadas também não durarão por muito tempo”, avalia.

Montaria
Prefeito de São Fidélis, norte do Estado do Rio, David Loureiro, critica a privatização das rodovias BR-101 e BR-393: “A concessionária vai entrar com o bolso e o povo com o dinheiro. Isso não é parceria, é montaria.”

Barra cresce
A Gafisa lança na terça-feira o SunPlaza, que marca a conclusão do Condomínio Américas Park, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O empreendimento terá dois blocos e mais de 300 salas comerciais, além de 16 lojas. O SunPlaza será construído em uma área de mais de 7 mil m².

Telefonia sem fim
A Redecard nega que tenha havido qualquer tipo de pane ou paralisação em seu sistema de captura e transmissão de transações no Rio de Janeiro. No início da semana, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Rio de Janeiro (Sindcomb) reclamara, como registrou esta coluna, de problemas com as máquinas Redecard, que, segundo o Sindcomb deixaram dezenas de postos sem operar com cartões de crédito e débito. Para o sindicato, o problema teve início com a troca do sistema de funcionamento de linha telefônica para on line, via satélite. A Redecard, porém, nega que ter trocado de sistema ou de máquinas.

Canelada
Ao se comparar ao ataque Ronaldinho, do Real Madri, o presidente Lula corre o risco de ouvir de seus críticos que a comparação é procedente. A exemplo do atacante, Lula, há muito tempo não faz gol e vive apenas do nome e da marquetagem.

“Trash”
Os tucanos inovaram. Pela primeira vez, o país assiste a uma novela interminável – soap opera, na linguagem globalizada – não para conhecer o final feliz do mocinho com a mocinha, mas para saber quem será o roto na luta contra o esfarrapado petista.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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