Varejo deve criar 40 mil empregos no 4º trimestre

E-commerce deve finalizar 2021 com alta de 39% em relação a 2020. Faturamento de R$ 43,4 bi.

Apesar da inflação e do endividamento, que podem atingir o ritmo de recuperação de vendas e, consequentemente, dos investimentos em mão de obra formal, o varejo paulista deve criar 40 mil postos de trabalho no último trimestre do ano, de acordo com estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Segundo dados da Pesquisa do Emprego (PESP), realizada pela entidade, em outubro, o varejo foi responsável por 13.952 novas vagas. Se a perspectiva de crescimento para o trimestre se confirmar, o resultado ficará próximo ao de 2019, quando houve criação de 41 mil empregos nos últimos três meses do ano.

Até o fim de outubro, no acumulado do ano, o comércio registrava criação de 119.344 empregos. O varejo contava com saldo de 70.723 vagas, enquanto o atacado, de 34.691 postos de trabalho, ao passo que o comércio de peças e veículos, 13.930. Os destaques ficaram por conta do varejo de ferragens, madeira e materiais de construção (13.810), do atacado de resíduos e sucatas (2.673) e do comércio de peças e acessórios novos para veículos (4.396). Em 12 meses, foram criadas 177,7 mil vagas – quase 120 mil apenas no varejo, com significativo avanço dos segmentos de materiais de construção (15.629).

Em 12 meses, foram 423.525 mil vagas criadas no setor, com destaque para os serviços de escritório e apoio administrativo empresarial (58.534) e atividades de atendimento hospitalar (23.000). No décimo mês do ano, o mercado de trabalho apresentou o segundo melhor resultado mensal de 2021, com a criação 58.657 vagas celetistas. Os maiores avanços foram observados nos serviços administrativos e complementares (20.378) e na divisão de serviços de alojamento e alimentação (11.164). No acumulado do ano, até outubro, o setor gerou 394.383 empregos, alavancado principalmente pelos serviços de saúde humana e sociais (57.744) e serviços administrativos (86.500).

O avanço da geração de emprego nos setores de comércio e serviços em outubro já era esperado. No primeiro, houve os impactos iniciais da sazonalidade de contratação relacionada às festas de fim de ano, principalmente no comércio varejista. Já no setor de serviços, os dados são alavancados pela recuperação de vagas em importantes divisões – como a de alojamento e alimentação –, após a reabertura das atividades econômicas.

De janeiro a outubro, o comércio paulistano criou 37.196 empregos celetistas. O varejo contribuiu com 22.806 vagas; o comércio e reparação de veículos, com 4.336; e o atacado, com 10.054. No acumulado de 12 meses, houve avanço de 50.776 postos de trabalho, dos quais 34.177 criados só no varejo. Em outubro, foram 6.166 empregos no total do setor (4.100 no varejo, 1.300 no atacado e 766 em comércio e reparação de veículos). O destaque ficou por conta do desempenho dos estabelecimentos varejistas de vestuário e acessórios, que geraram 874 vagas no mês.

Nos serviços paulistanos, em 12 meses, houve criação de quase 197 mil vagas com carteira assinada. Os melhores resultados ocorreram nos serviços administrativos e complementares (53.427), influenciados predominantemente pelas atividades profissionais, científicas e técnicas (31.211) e pelos serviços de escritório e apoio administrativo empresarial (27.441), que, por sua vez, foram puxados pelo segmento de atividades jurídicas, de contabilidade e de auditoria (9.055). No décimo mês do ano, foram criadas 31.219 vagas. O desempenho geral foi influenciado pelos grupos de serviços administrativos e complementares (12.086) e alojamento e alimentação (4.789).

E-commerce

O e-commerce deve finalizar 2021 com alta de 39% em relação ao ano passado, obtendo faturamento de R$ 43,4 bilhões. As projeções são baseadas nos dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Eletrônico (PCCE), elaborada pela FecomercioSP em parceria com a Ebit/Nielsen. Seguindo a tendência verificada no ano anterior, as vendas obtiveram crescimento generalizado em todos os segmentos pesquisados.

Observou-se uma consolidação significativa das vendas pela internet, impulsionadas pela realidade dos anos de pandemia. Com as pessoas trabalhando em casa, muitos se utilizaram do comércio eletrônico para ter as demandas atendidas. Prova disso é que a participação das vendas dos bens duráveis – ou seja, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, entre outros –, no total das vendas do varejo físico, passou de 9%, em 2019, para 14%, em 2020. Em 2021, os bens duráveis devem registrar alta de 46% no faturamento real em comparação ao ano passado, alcançando a quantia de R$ 31,3 bilhões.

Na sequência, dentre os destaques setoriais no balanço deste ano, estarão os não duráveis (alimentos, por exemplo), com alta de 29%, R$ 5 bilhões em valores absolutos, e semiduráveis (vestuários, calçados, entre outros), com crescimento de 19%, R$ 7 bilhões também em valores absolutos. Quando se compara os trimestres de 2021, verifica-se que o tíquete médio também apontou crescimento em relação ao ano passado. Só entre abril e junho, cresceu, em relação a 2020, 20,4% (R$ 482), alavancado pela venda de bens duráveis, que contam com mais valor agregado e foram impactados pelas altas da inflação e do dólar durante o ano.

Em 2021, a participação do e-commerce no varejo físico no Estado de São Paulo chegou a 5,4%. Apesar de ter crescido em relação a 2020, quando era de 3,3%, ainda é baixo, o que demonstra a relevância do varejo físico para a economia. De acordo com dados de mercado, mais de 13 milhões de consumidores realizaram a primeira compra online na pandemia. Os clientes perceberam as vantagens do meio, como a facilidade e a variedade de produtos. Além disso, as formas de pagamentos digitais, como o PIX, atraíram novos consumidores (como os que ainda não têm cartão de crédito), potencializando as vendas.

Projeções

Considerando o forte desempenho obtido pelo comércio eletrônico em 2021 e o contexto de incertezas no ambiente econômico, com elevado nível de endividamento das famílias, inflação e alta dos juros, a FecomercioSP estima que as vendas cresçam de forma menos acelerada no ano que vem. De acordo com as projeções, o faturamento real do e-commerce no Estado de São Paulo deverá aumentar em torno de 7%, alcançando R$ 46,2 bilhões. A expectativa é de que haja crescimento nas vendas de não duráveis, especialmente de alimentos, bebidas e itens de cuidados pessoais pelo comércio eletrônico. Por sua vez, os setores tradicionais no comércio eletrônico, como é o caso de duráveis, devem continuar a curva de crescimento, porém, num ritmo menor.

A tendência, na avaliação da Entidade empresarial, é de que o conceito O2O (Online to Offline) cresça cada vez mais, beneficiando comerciantes e consumidores. A digitalização do comércio, acelerada pela crise sanitária, deve continuar mesmo com a abertura dos estabelecimentos. De forma a melhorar a experiência de compra do cliente, o varejo poderá mesclar vendas presenciais com as online. Assim, o consumidor poderá fazer compras pelo comércio eletrônico e retirar o produto no estabelecimento, comparar preços em diversas plataformas e negociar presencialmente, além de comprar online após ter experimentado o produto na loja física.

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