Varejo paulista terá melhor dezembro da história em vendas, diz Fecomércio

Setor deve somar quase R$ 120 bilhões em receitas no mês, puxado por mercado de trabalho aquecido e aumento do crédito

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Varejo na Rua 25 de março (foto: Paulo Pinto, Fotos Públicas)
Varejo na Rua 25 de março (foto: Paulo Pinto, Fotos Públicas)

Este dezembro deverá ser o melhor da história do comércio paulista em temos de faturamento, que deve alcançar R$ 119,7 bilhões, o que representa uma alta de 5% em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

Farmácias e perfumarias, que tiveram desempenhos positivos durante todo o ano, vão faturar mais de R$ 11,3 bilhões em dezembro, crescendo suas receitas em 17%. Na esteira das compras de fim de ano, as lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos também vão aumentar as vendas em 12%.

Embora já seja possível notar uma leve desaceleração da atividade econômica no país, há uma série de fatores positivos que vão estimular o consumo dos paulistas em dezembro. O principal deles tem a ver com o mercado de trabalho.

Só em outubro, o Brasil gerou pouco mais de 190 mil empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número foi acima das expectativas do mercado para o mês. Só em São Paulo foram quase 70 mil novas vagas. Além disso, a taxa de desocupação, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 7,6% de agosto a outubro, a menor desde 2015. Em outras palavras, com mais gente empregada, a tendência é de aumento no consumo.

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Outro fator que vai impactar nas vendas do mês é a oferta de concessão de crédito. De acordo com o Banco Central, o saldo das operações com recursos livres para pessoas físicas cresceu 5,1% de janeiro a setembro. Tudo isso sem contar o ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic), que tende a baratear algumas linhas de financiamento.

Para a federação, entretanto, o fator que mais elevará as vendas do varejo é a injeção dos recursos do décimo terceiro salário na economia. O valor será superior aos dos anos anteriores justamente por causa do aumento dos empregados formais com direito ao benefício. Pelos cálculos da Entidade, R$ 85,1 bilhões serão colocados em circulação na economia no Estado de São Paulo, montante R$ 10,3 bilhões superior ao ano passado, e que serão destinados, principalmente, para pagamento de dívidas e despesas comuns desse período.

Mas o cenário não é apenas positivo: o elevado nível do endividamento das famílias, na casa dos 75%, além da inadimplência que se mantém em patamares historicamente altos desde a pandemia, pode inibir o comprometimento da renda futura com as compras.

Na perspectiva da entidade, o varejo paulista registrará uma alta de 4% nas vendas em comparação ao ano passado, totalizando R$ 1,2 trilhão. O desempenho das atividades que vendem bens essenciais foi fundamental para o resultado – inclusive, uma tendência desde a eclosão da pandemia. O faturamento dos supermercados, que representa mais de um terço da receita total do varejo de São Paulo, deve crescer 9% em 2023, enquanto as vendas das farmácias e perfumarias vão avançar 15%. É a maior taxa de crescimento entre as atividades pesquisadas pela federação.

Beneficiado por incentivos fiscais do governo federal ao longo de 2023, o segmento de concessionárias de veículos deverá ter um incremento de 13% nas vendas no ano, somando R$ 121 bilhões. Esse ritmo puxará, por consequência, o desempenho das lojas de autopeças e acessórios, que será 11% maior do que o de 2022.

Das nove atividades analisadas pela Fecomércio-SP, apenas três vão encerrar 2023 com uma receita menor do que o do ano passado: as lojas de materiais para construção (-3%), as de móveis e decoração (-4%) e o grupo outras atividades (-9%), em que predominam os combustíveis.

Dentre os fatores econômicos que possibilitaram esse desempenho, destaca-se, sobretudo, a queda da inflação ao longo dos últimos meses – principalmente sobre alimentos e bebidas -, que permitiu a volta de muitas famílias ao consumo e possibilitou o início do ciclo de redução da Selic. Embora exista uma defasagem até que os efeitos da queda na taxa básica de juros sejam sentidos no cotidiano da economia, a decisão tem o papel de melhorar a confiança dos consumidores.

Além disso, o mercado de trabalho segue cada vez mais aquecido, com a superação da marca de 100 milhões de brasileiros empregados e, no caso de São Paulo, a criação de 502 mil vagas formais entre janeiro e outubro.

A projeção de alta de 4% das vendas do varejo paulista em 2023 se baseia em um modelo preditivo da Fecomércio-SP que leva em conta fatores como padrões de consumo ao longo do ano, indicadores de renda e patamares da inflação acumulada, além dos dados já consolidados de trimestres anteriores.

No primeiro período, de janeiro a março, a alta do varejo foi de 6% em comparação ao mesmo período de 2022. No segundo (abril a junho), o setor cresceu 2%, e no terceiro (julho a setembro), o avanço foi de 5%. A expectativa, assim, é de que o último trimestre mantenha o ritmo, impulsionado pela demanda das festas de fim de ano e da Black Friday, em novembro, com nova elevação de 5%.

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