Variante Delta, retirada de estímulos e Bolsonaro

Na Ásia, Bolsas fecharam com quedas superiores a 1%, com destaque negativo para Hong Kong.

Na semana passada a Bovespa ainda conseguiu encerrar o período com alta leve de 0,42% e índice em 125.960 pontos e dólar em queda de 2,48%, com a moeda cotada em R$ 5,11. A nova semana está começando com quedas em todos os principais mercados acionários do mundo, como efeito da maior precaução dos investidores.

Na Ásia, as Bolsas terminaram o dia com quedas superiores a 1%, com destaque negativo para Hong Kong, depois dos EUA emitirem um alerta de problemas para empresas americanas que operam lá. Mercados da Europa iniciando o dia com quedas ao redor de 2% e mercados futuros dos EUA com variações negativas. Aqui será complicado manter o patamar de 125 mil pontos do Ibovespa, o que pode acelerar realizações.

Investidores, em todo o mundo, estão preocupados com o aumento da contaminação pela variante Delta da Covid-19, novas restrições impostas por países e regiões, apesar de internações e óbitos em queda. Aqui, mesmo com o recesso parlamentar, três questões se destacam no lado político e trazem ruídos para os mercados, além do início da safra de resultados do segundo trimestre que mexerá pontualmente com a precificação dos ativos: a LDO trazendo o fundo partidário triplicado para R$ 5,7 bilhões, o ajuste tributário muito questionado por diferentes segmentos da sociedade e a fala do presidente de ontem na saída do hospital (nas redes sociais também), atacando políticos, autoridades e a CPI da Covid-19.

Nos EUA, também temos a expectativa com relação à possível antecipação da retirada de estímulos (tapering), pelo Fed, depois da divulgação na semana passada de indicadores de inflação piores que o previsto e da fala do presidente do Fed, Jerome Powell, no Congresso. Ainda nos EUA, autoridades da área de saúde projetam elevação da contaminação nas próximas semanas.

O petróleo também mostra largo estresse hoje, depois da decisão do final de semana pela Opep+ de elevar a produção de óleo em 400 mil barris/dia. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava queda de 2,49%, com o barril cotado a US$ 70,02. O euro era transacionado em queda para US$ 1,178 e notes americanos de 10 anos com juros em queda para 1,242%, pela busca de aplicações mais conservadoras. O ouro e a prata mantinham quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

No segmento local, a Fipe anunciou que o IPC da segunda quadrissemana de julho subiu marginalmente para 0,87%, vindo de anterior em 0,86%. O presidente da CPI da Covid-19 reagiu às declarações de Bolsonaro dizendo que ele tenta desfazer fatos e criar versões. A CPI prorrogada vai apurar a propagação de mentiras. Ou seja, os ruídos vão continuar e deixar mercados instáveis.

A agenda do dia é fraca, com a divulgação da nova pesquisa semanal Focus do BC e saldo da balança comercial na semana anterior, enquanto nos EUA sairá a confiança do construtor NAHB de julho. Porém, a semana é intensa na divulgação de indicadores e decisões de Bancos Centrais sobre política monetária.

Expectativa para o dia de Bovespa em queda e podendo perder o patamar de 125 mil pontos e acelerar precipitações (apesar da pequena melhora de momento), dólar mais forte e juros em alta.

A última sexta-feira transcorreu em clima novamente de queda nos principais mercados acionários do mundo e, por aqui, não foi diferente. Dois fatores foram preponderantes: de um lado, indicadores mistos na maior economia do mundo e, de outro, o medo provocado por expansão dos casos de Covid-19 da variante Delta, relatado por vários países.

Além disso, investidores e grandes gestores de recursos ajustam posições para a perspectiva de mudanças de atitude pelos principais Bancos Centrais de países desenvolvidos, depois do discurso de Powell no Congresso americano, sobre retirada de estímulos sem discutida e ritmo insustentável da dívida americana. Além disso, no segmento local, foi dia de vencimento de opções do prazo que termina em julho, o que sempre agrega volatilidade e maior rotação de ativos.

Se quisermos somar mais preocupação, a própria China iniciou movimento de ampliar estímulos, já que, aparentemente, a economia mostrou alguma desaceleração que pode se prolongar. De qualquer forma, hoje, os EUA anunciaram que as vendas no varejo de junho cresceram 0,6%, de previsão de queda de 0,4%. Tirando o setor automotivo, as vendas no varejo cresceram 1,3%. Em compensação, a confiança do consumidor de Michigan mostrou contração maior que a prevista, atingindo 80,8 pontos, de esperados 86,3 pontos.

Já sobre a Covid-19, os EUA relataram aumento dos casos de infecção com predominância da variante Delta. Felizmente, esperam menor número de internações e óbitos e descartam, no momento, a aplicação de reforço de vacinas. Outros países e regiões (como Tóquio) também relataram aumento de casos.

Já a China ameaça responder com firmeza e vigor eventuais sanções dos EUA por intervenção em Hong Kong. Isso, depois de encontro de Joe Biden e Angela Merkel e de alerta feito pelo governo americano para empresas que operam em Hong Kong.

Os mercados responderam nos últimos dias a esses fatores buscando alguma proteção, ainda que de curto prazo, incluindo a sessão de hoje. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava recuperação da queda observada durante a manhã, revertendo para alta e voltando a cair 0,15%, e barril cotado em US$ 71,54. O euro era transacionado praticamente estável em US$ 1,181, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata mantinham quedas na Comex, e commodities agrícolas ficaram com desempenho positivo na Bolsa de Chicago. Minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, registrou pequena queda de 0,30%, com a tonelada em US$ 222,09.

No segmento doméstico, a FGV anunciou o IGP-10 de julho com desaceleração para 0,18%, vindo no mês anterior de 2,32%. No ano, o indicador mostra variação de +15,52% e, em 12 meses, com +34,61%. O IPA agrícola teve contração de 2,60% e o industrial com +0,92%. Matérias primas brutas com variação de -1,78%. O IPC-S da segunda quadrissemana de julho com alta para 0,88%, vindo de 0,80%. O monitor do PIB da FGV apontou +1,8% em maio, com o mês em +13,4%.

Investidores e entidades de classe ainda reverberam críticas para o substitutivo do relator do ajuste do Imposto de Renda e a prorrogação da CPI da Covid-19 ainda vai causar muito ruído, assim como o vídeo que circula de acordo fechado por Eduardo Pazuello para compra de vacinas com ágio.

No mercado, a sexta foi dia de dólar oscilando bastante, mas seguindo fraqueza externa, para encerrar o dia estável e cotado a R$ 5,11. No segmento Bovespa da B3, os investidores estrangeiros na sessão do último dia 14 retiraram recursos da ordem de R$ 1,26 bilhão, deixando o saldo do mês negativo em R$ 2,51 bilhões, mas com ingresso líquido de R$ 45,58 bilhões. No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,06%, Paris com -0,51% e Frankfurt com -0,57%. Madri e Milão com perdas de 0,40% e 0,33%, respectivamente. No mercado americano, o Dow Jones fechando em queda de 0,86% e Nasdaq com -0,80%. Na Bovespa, dia de queda de 1,18% e índice em 125.960 pontos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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