Vários tons de verde

PIB cresce mesmo que sociedade utilize processos intensivos em energia baseada em recursos renováveis.

Conceitos econômicos concebidos em épocas passadas continuam aprisionando os homens aos interesses de uns poucos. Falsos pressupostos persistem teimosamente, como o da disponibilidade ilimitada de recursos baratos para promover indefinidamente o crescimento econômico. Métricas e medidas enganosas contribuem para dar um verniz de certeza a premissas como esta.

Os preços dos bens que cada pessoa adquire no mercado não retratam o custo da exaustão dos recursos, nem do carbono emitido na produção ou no transporte de materiais empregados para se obter o que é produzido. A mentira dos preços tampouco permite remunerar na medida justa a exploração do trabalho, largamente convertido em ocupações degradantes e responsáveis pelo adoecimento e morte dos trabalhadores.

Símbolo das medidas mentirosas, a conhecida sigla PIB, que designa o produto interno bruto, é utilizada com frequência para mostrar o quanto um país “cresceu” e costuma ser comemorado quando a taxa de crescimento é alta, ou lamentado, se a o PIB não cresce de um ano para outro.

Na métrica do PIB, se uma sociedade utiliza-se de processos intensivos em energia baseada em recursos renováveis, ao invés de energia baseada em combustíveis fósseis, como o petróleo, isto não conta para aumentar a medida do que é produzido. Se, no entanto, é preciso corrigir os efeitos do aquecimento climático, decorrente da utilização do petróleo, o PIB cresce. Igualmente, se as condições degradadas do trabalho exigem medidas para recuperar a saúde afetada do trabalhador.

O sistema de medidas que retrata a economia, conhecido como contabilidade nacional, compreende apenas as características desse modo de produção em que só o resultado econômico importa. Outro modo de produção, em que o resultado ambiental e o resultado social não sejam subordinados ao econômico, é almejado por muitos. O PIB Verde aparece então como medida da sustentabilidade.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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