Venda de imóveis usados cresce 43,26% em São Paulo com preços estáveis

Saldo acumulado de vendas em 2019 ficou positivo em 43,26%, menor que o de 2018, de 51,03%; dados são do Creci-SP.

São Paulo / 13:19 - 2 de mar de 2020

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As vendas de imóveis usados na cidade de São Paulo fecharam o quarto ano consecutivo de crescimento com o resultado positivo registrado em dezembro do ano passado, de 11,1% em relação a novembro. Segundo pesquisa feita com 272 imobiliárias pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), dos imóveis que foram vendidos na capital, houve predominância dos apartamentos (73,15%) sobre as casas (26,85%).

O saldo acumulado de vendas em 2019 ficou positivo em 43,26%, menor que o de 2018, de 51,03%. Em 2017, o saldo positivo foi de 114,89%, o dobro do registrado em 2016, de 74%. Em 2015, quando o PIB do país recuou 3,8% sobre o ano anterior, marcando o pior ano de recessão econômica dessa década, o saldo acumulado das pesquisas mensais do Creci-SP havia ficado negativo em 21,36%.

O crescimento das vendas de casas e apartamentos usados em dezembro foi inflado pela queda dos preços médios do metro quadrado dos imóveis vendidos, que recuaram 24,1% em comparação com novembro. Em 2019, o preço do metro quadrado acumulou alta média de 5,72%, pouco mais de 1 ponto percentual acima da inflação de 4,31% medida pelo IPCA do IBGE.

"Mas não é uma onda generalizada em que se vende de tudo e em pouco tempo, e sim um movimento marcado pela lentidão do processo de venda e centrado em imóveis mais baratos e de padrão mais simples", ressalva José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, ao refutar especulações de que o mercado imobiliário estaria a caminho de um novo boom.

"Não vemos essa perspectiva no mercado de casas e apartamentos usados, pelo menos", acrescenta, ao afirmar que o segmento de usados "continua extremamente dependente de financiamento bancário ainda caro para a maioria das famílias que, se empregadas, não têm recursos para bancar a parcela de entrada e têm salários comprimidos numa Economia que patina e arrasta consigo uma legião de 12 milhões de desempregados".

Em dezembro, 53,7% dos apartamentos e casas vendidos tinham preço final de até R$ 400 mil, valor que tem oscilado muito pouco ao longo dos meses.

O preço do metro quadrado da maioria dos imóveis vendidos, 59,09% do total, fixou-se em torno das faixas de até R$ 6 mil o metro quadrado, preço 50% inferior, em muitos casos, ao de imóveis novos ou em lançamento de tamanho semelhante e localização similar.

O crédito bancário, ou a dificuldade de acesso a ele, é outro grande limitador da expansão mais robusta das vendas de imóveis usados. O presidente do Creci-SP lembra que, em dezembro, 56,48% das unidades foram vendidas com pagamento à vista enquanto os financiados por bancos somaram 39,81%. "É um fato que tem se repetido", diz Viana Neto. "Em nove meses de 2019, o pagamento à vista sobrepujou as outras formas de venda, com os financiamentos bancários liderando em apenas três dos 12 meses", acrescenta.

O presidente do Creci-SP espera que, este ano, com a queda dos juros, mais bancos se disponham a ampliar as margens de concessão do crédito imobiliário, "com financiamento de 90% do valor do imóvel ou até mesmo 100% e pagamento em prazos de até 30 anos pois, afinal, como os próprios bancos dizem, não há jeito melhor de fidelizar um cliente do que lhe permitindo o acesso à casa própria", pondera Viana Neto.

Em dezembro, segundo a pesquisa Creci-SP, apenas 3,7% dos imóveis usados foram vendidos com pagamento parcelado pelos proprietários, e não se registrou nas 272 imobiliárias pesquisadas nenhuma compra feita com carta de crédito de consórcio.

Para vender, os donos dos imóveis concederam descontos médios sobre os preços anunciados de 4,94% para aqueles situados em bairros da Zona B; de 6,81% para os da Zona C; de 5,88% para os da Zona D; e de 4,75% para os da Zona E. Foi em bairros da Zona C, como Jabaquara e Santana, que a pesquisa Creci-SP registrou o maior volume de vendas, 40,72% do total. Em segundo lugar, com 23,11% das vendas, ficou a Zona B, que agrupa bairros como Aclimação e Pompeia; e, em terceiro, a Zona A, onde estão os Jardins, como 17,6%.

O mesmo percentual de vendas (9,28%) foi registrado na Zona D, onde estão reunidos bairros como Casa Verde e Jaguaré, e na Zona E, que tem agrupados bairros como Lauzane Paulista e M´Boi Mirim. Nas 272 imobiliárias consultadas, imóveis de padrão construtivo médio foram os mais vendidos, como 74% do total, seguidos pelos de padrão standard, com 14%, e luxo, com 12%.

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