Venda externa de sucata ferrosa fecha mês com queda de 62%

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na composição de aço pelas usinas siderúrgicas, atingiram 19 mil toneladas em janeiro de 2021, queda de 62% em comparação ao mesmo mês do ano passado, quando somaram 50,3 mil toneladas. Em compensação, as importações pelas usinas apresentaram um grande salto no primeiro mês deste ano, com 35 mil toneladas, ante a pouco mais de 1 mil toneladas em janeiro de 2020.

A expressiva retração nas exportações confirma a tendência de recuperação do consumo de sucata no mercado interno pelas siderúrgicas e fundições, puxada por setores consumidores de aço, tais como a construção civil e a indústria automotiva.

Segundo o presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), Clineu Alvarenga, as processadoras de sucata já percebem, desde o final do ano passado, uma recuperação do mercado local e esperam que o consumo do insumo em 2021 possa superar as estimadas 8 milhões de toneladas de 2020 (números ainda não fechados).

“Apostamos em um ano melhor, mas ainda distante do pico de 2013, com a venda de 11,171 milhões de toneladas.”

O expressivo crescimento das importações se deve, conforme Alvarenga, aos baixos níveis de estoques das usinas siderúrgicas.

“As usinas estão recorrendo às importações com o objetivo de recompor estoques e conter aumento de preços da sucata ferrosa no mercado interno. Temos sucata suficiente nas empresas processadoras para atender as siderúrgicas instaladas no Brasil”.

Todas as importações que ocorreram no passado, acrescenta Alvarenga, foram na tentativa de evitar majoração de preços.

A tendência, em sua avaliação, é que o mercado interno volte à normalidade, com mais de 90% da produção de sucata sendo absorvida pelas siderúrgicas brasileiras, enquanto ao exterior continuará restando o excedente não adquirido no Brasil. Tradicionalmente, as exportações representam cerca de 5% de toda a produção de sucata metálica no país, enquanto as usinas siderúrgicas adquirem, em anos normais, o restante.

Sempre damos prioridade ao mercado interno. A exportação, que cresceu nos últimos anos, é hoje importante alternativa das empresas de sucata em momentos de crises econômicas com forte retração do consumo, como forma de manter as operações, o equilíbrio ao meio ambiente e evitar demissões”, diz o presidente do Inesfa.

“Estamos otimistas com 2021, já que se percebe uma retomada na produção industrial de bens de capital e de consumo, que fazem uso de muito aço, o que leva as usinas siderúrgicas e fundições a demandarem mais sucata”, avalia.

Leia mais:

Exportações de sucata de ferro e aço caem 18% em outubro

Exportações de sucata de ferro e aço caem 19,7% em agosto

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