Vendas de autoveículos caem no semestre

Fenabrave ainda acredita em atingir meta de crescimento de 4%.

Nova Fiat Strada: a mais vendida nos primeiros 6 meses de 2022

 

O primeiro semestre contou com o licenciamento de 851.444 automóveis e comerciais leves (autoveículos) no mercado brasileiro, resultado que representa queda de 15,4% sobre o volume licenciado no janeiro-junho de 2021.

Ainda assim, Andreta Jr, presidente da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, percebe uma evolução gradativa. Ele aponta problemas de abastecimento de componentes e piora nos indicadores econômicos, como a alta nas taxas de juros, aumento do custo do crédito e constantes reajustes nos preços dos combustíveis.

A média diária mensal das vendas saltou de 5.550 unidades em janeiro para 8.270, em junho. “Havendo retomada na produção e a possível recomposição das frotas de empresas (vendas diretas), podemos ter o resultado previsto no início desse ano, que apontava aumento de mais de 4% para esse segmento”, diz Andreta Jr.

O executivo diz que as autorizadas no país têm mais de 500 mil pedidos represados de veículos e casos de fila de espera de 1 ano.

 

Ranking dos mais vendidos no Brasil no 1º semestre
Modelo Unidades
1º Fiat Strada 53.185
2º Hyundai HB20 43.851
3º Chevrolet Onix 35.365
4º Volkswagen T-Cross 34.084
5º Fiat Mobi 32.405
6º Jeep Compass 32.151
7º Hyundai Creta 30.693
8º Chevrolet Tracker 28.367
9º Chevrolet Onix Plus 28.287
10º Fiat Toro 27.288

Fonte: Fenabrave / de janeiro à 1ª semana de julho

Honda CG 160 (foto divulgação)
Honda CG 160: moto mais vendida do País (foto divulgação)

Motos e caminhões impulsionam mercado

Quando analisamos o mercado geral – emplacamentos de autoveículos, caminhões, ônibus e motos – a perspectiva é um pouco melhor: em vez de uma alta de 5,3% projetado em janeiro, o cenário que se desenha agora é que o ano encerrará com aumento de 5,5%. O otimismo vem da boa performance de caminhões e motocicletas.

O setor de duas rodas empurrou uma alta de 23% de janeiro a junho. Para Andreta Jr., há um claro efeito de substituição do carro pela moto em função dos preços dos combustíveis, da queda na renda pela inflação e a priorização do transporte individual. O segmento já vinha crescendo em função do aumento dos serviços de entrega.

 

Produção em queda

A produção no semestre acumula 1,092 milhão de autoveículos, queda de 5% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. “A crise global dos semicondutores vem se prolongando, em função de novos fatores como a guerra na Ucrânia e os lockdowns na China, que afetam o fornecimento de insumos e a logística global”, afirma Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea.

Em suas projeções para 2022, a nova expectativa da produção é de fechar o ano com 2,340 milhões de unidades, alta de 4,1% sobre 2021. Para vendas internas, espera-se chegar a 2,140 milhões de autoveículos licenciados, crescimento de 1%.

Nova Hilux 2022 (foto divulgação Toyota)
Nova Hilux 2022: primeira no ranking dos veículos que vêm de fora (foto divulgação Toyota)

Marcas de importados também recuam

A situação da Abeifa, que representa 11 marcas de veículos importados, não é diferente. No acumulado do semestre, a entidade anota baixa de 37,3% (8.265 unidades este ano x 13.181 veículos em 2021).

“A demanda de mercado continua aquecida. Mas, infelizmente, a oferta de produtos importados esbarra na falta de componentes, o que provoca desabastecimento. Também observamos diversas atualizações de portfólio e aceleração no crescimento da eletrificação veicular, demandando algum tempo de adaptação do mercado”, opina João Henrique de Oliveira, presidente da Abeifa.

 

Importados mais vendidos no Brasil no 1º semestre
Modelo Unidades Origem
1º Toyota Hilux 22.783 Argentina
2º Peugeot 208 15.774 Argentina
3º Toyota SW4 7.117 Argentina
4º Ford Ranger 6.885 Argentina
5º Nissan Versa 4.266 México
6º Volkswagen Taos 4.218 Argentina
7º Nissan Frontier 4.211 Argentina
8º Peugeot Expert 2.062 Uruguai
9º Volkswagen Amarok 2.053 Argentina
10º Citroën Jumpy 1.618 Uruguai

Fonte: Fenabrave

 

Com larga vantagem para a picape Hilux, os importados mais emplacados nos primeiros seis meses do ano vêm da Argentina, México e Uruguai. Nesse ranking, contam os veículos associados à Anfavea e Abeifa.

Destaque também para as boas vendas de modelos de luxo, elétricos e esportivos que vêm de fora, a exemplo dos Volvos XC60 (1.009 unidades) e XC40 (795), ambos importados da Suécia, Ford Bronco (838 unidades vindas do México) e até dos alemães Porsche, com 544 emplacamentos do Macan e 368 do Cayenne. Da Kia, o Stonic teve 480 unidades importadas do México.

Novo HB20 2023 (foto divulgação Hyundai)
Novo HB20 2023 (foto divulgação Hyundai)

Com novos design e conteúdos, será que o HB20 continuará líder?

O Hyundai HB20 chega à linha 2023 com a mesma alma, mas renovado. Mesma alma porque o atual líder de vendas nacional manteve os bons motores, ganhou uma reestilização após uma 2ª geração que não agradou tanto e aproveita a mudança de linha para receber um upgrade de tecnologias e segurança.

O design da 3ª geração tem tudo para agradar: mais agressivo e esportivo, o compacto exibe frente imponente e traseira com destaque às novas lanternas interligadas por uma faixa.

Mantendo os bons motores 1.0 aspirado de 80 cv e 1.0 turbo de até 120 cv, o novo HB20 terá seis versões entre R$ 76.690 e R$ 114.390 (preços baseados em Brasília e podem variar conforme o ICMS de cada estado).

Todas as configurações são equipadas com 6 airbags, freios ABS com EBD, limitador de velocidade, piloto automático, controles eletrônicos de estabilidade e tração, sinalização de frenagem de emergência e assistente de partida em rampa.

A topo de linha conta ainda com assistências ao motorista só vistas em carros maiores: de permanência e centralização na faixa de rodagem, frenagem autônoma de emergência que detecta ciclistas e pedestres e alerta de tráfego na traseira com frenagem autônoma.

Entre os itens de conforto, conforme a versão, a possibilidade de ligar o carro a distância, conexão e carregamento sem fio e sistema Bluelink com wi-fi gratuito por 3 anos.

Não há dúvidas que o novo HB20 reúne credenciais para se manter no topo: design mais harmonioso e uma oferta atraente de features. Ao volante, o HB20 turbo é arisco e divertido. E, para finalizar, é um carro com excelente aceitação no mercado de usados. A concorrência é que vai ter de se mexer para alcançá-lo.

Lucia Camargo Nunes
Economista e jornalista especializada no setor automotivo. [email protected]

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