Olimpíadas alavancam vendas de pranchas de surfe e skate

Número de posts que relacionam skate a mulheres subiram 15 vezes numa semana; homens falaram mais sobre conquista de Ítalo Ferreira.

Nos últimos dias, os Jogos Olímpicos em Tóquio ganharam as manchetes dos jornais ao redor do mundo. Assim como o skate street, o surfe era uma das modalidades mais aguardadas pelos brasileiros. De acordo com levantamento realizado pela plataforma OLX, as vendas de pranchas de surfe tiveram um aumento de 41%, enquanto as buscas pelo mesmo item cresceram 26%. Esta análise compara os dias 26 e 27 de julho, quando o Brasil ganhou o primeiro ouro olímpico, com os mesmos dias do mês anterior.

“Na estreia nas Olimpíadas, o surfe, modalidade bastante popular no litoral brasileiro, mostrou sua força com a primeira medalha de ouro do país na edição deste ano. A vitória incentivou novos participantes da modalidade e os reflexos foram percebidos rapidamente na OLX, com crescimento expressivo nas vendas. Itens usados tem um ótimo custo x benefício para iniciantes de esportes, que encontram produtos de qualidade com preços mais acessíveis, com benefícios para o bolso e para a economia circular”, explica Andries Oudshoorn, CEO da OLX Brasil.

As vendas de skate também não devem ficar atrás. Uma fabricante de Votorantim (MG) espera aumento de 35% nas vendas para o próximo semestre. De acordo com o gestor da empresa, Alessandro Costa a indústria já havia registrado aumento na pandemia de Covid-19, que estimulou pessoas a praticarem esportes individuais. ¨Considero que tivemos dois aumentos na área de skate, pois sentimos uma diferença entre o início da pandemia e o período anterior, entre 2019 e 2018. O aumento foi em razão do skate ser um esporte individual, onde não aglomera. Já em 2021, tivemos o aumento em razão de ter virado esporte olímpico¨.

Para Alessandro Costa, a medalha de prata dos skatistas impactará a indústria em curto prazo. Com isso, ele estima um aumento expressivo nas vendas para o segundo semestre. “Antes das olimpíadas tivemos um aumento de 15% por mês nos últimos três meses. Só em julho já tivemos um aumento de 27%, onde praticamente dobrou referente ao mês passado e retrasado. Por conta do ¨hype¨ das olimpíadas, já estamos colhendo os frutos e no segundo semestre, acreditamos em um aumento realista de 35% e em um cenário muito otimista de até 50%”, afirma.

Alessandro também explica que o skate é uma modalidade consumida majoritariamente por jovens, mas que também encontra demanda entre pessoas com mais idade, em busca de nostalgia. “O gosto por skate vai de crianças até adultos, e a faixa etária que mais consome está entre 15 e 25 anos. Tem pessoas de 50 anos que compram para dar uma voltinha ou mesmo guardar por conta do lançamento de novidades em marcas que são possíveis de coleção. O skate nas décadas de 80 e 90 tinha um outro formato e nos últimos dez, 15 anos, ele passou a ser um formato mais ¨street¨. As pessoas mais velhas compram por conta da nostalgia no lançamento de marcas que remetem aos modelos antigos”, finaliza.

Na Web

A participação vitoriosa dos atletas nas Olimpíadas bombou no ambiente digital e resultou em novas conversas entre os internautas. Para entender melhor essas interações, a Stilingue realizou uma análise integrada de dados coletados via Social Listening sobre os dois esportes e seus protagonistas.

Segundo o estudo, foram mais de 324 mil publicações sobre Rayssa Leal desde o início das Olimpíadas 2020 até 26 de julho, quando ela subiu ao pódio. O maior registro de posts (217 mil) teve início na noite do dia 25 e atingiu o pico na madrugada e manhã do dia seguinte. Desse total, 138.284 publicações (60%) foram feitas por mulheres, enquanto os homens compartilharam 85.008 postagens (37%) a respeito. O restante das publicações foi feita por organizações.

Nas 31.257 publicações com termos relacionados a Rayssa entre os dias 20 e 26, foi possível notar que os posts que relacionam o skate com o gênero feminino subiram 15 vezes no período, e as discussões sobre andar de skate estão presentes em 6% do total. O desejo de comprar um skate foi mencionado em quase 2% das postagens, sendo que 53% delas foram feitas por mulheres. A conquista da maranhense também fez com que 1% dos posts exaltasse o orgulho de pertencer ao estado. Por fim, a calça modelo cargo usada por Rayssa esteve presente em 1% das publicações.

Os posts com sentimentalização positiva foram maioria (45%), seguidos pelos neutros (31%) e negativos (25%). O Twitter foi o canal mais utilizado para os posts (94%), mas também houve quem preferisse o Facebook (4%), Instagram e portais de notícias (ambos com 1%).

Os perfis que tiveram posts com mais interações foram o de Hugo Gloss, Time Brasil (ligado ao Comitê Olímpico Brasileiro), Subcelebrities e o Instagram pessoal de Rayssa Leal. E, quando se fala em hashtags, as mais usadas foram #BrasilNasOlimpíadas, #RayssaLeal e #FadinhaemTokyo.

Quando se analisa o termo skate na Tokyo 2020, o pico de registros aconteceu no dia 25, com 194 mil publicações, sendo 52% feitas por mulheres. Uma das coisas que mais chamou atenção dos usuários foi o fato de os fones de ouvido usados pelos atletas não caírem durante as provas. A Apple foi lembrada em 3% dos posts, superando os 2% da Samsung e 1% da Xiaomi.

Kelvin Hoefler, que conquistou a medalha de prata no skate street (a primeira medalha do Brasil nesta edição das Olimpíadas), foi mencionado em 99 mil posts, sendo 66 mil feitos por perfis pessoais. Novamente, o público feminino (58%) superou o masculino (42%) no número de postagens. Entre os principais assuntos relacionados a Kelvin estava a primeira medalha, a comemoração do peruano Angelo Caro Narvaez pela vitória do brasileiro, e o termo orgulho.

Ítalo Ferreira e Gabriel Medina foram os destaques brasileiros na modalidade e a torcida nas redes sociais foi grande. Foram 189 mil posts somente entre os dias 26 e 27, datas das etapas decisivas do surfe nas Olimpíadas 2020 e que consagraram Ítalo como campeão. Ao contrário do skate, os homens foram os que mais publicaram a respeito da vitória do potiguar (51%), enquanto as mulheres foram responsáveis por 41% dos posts. Os demais 9% foram feitos por organizações. Na madrugada dourada do surfe brasileiro, 39% das publicações foram consideradas positivas, superando as negativas (33%) e as neutras (28%).

O Twitter foi a rede mais utilizada para comentar sobre o esporte (83%), seguida por portais de notícias (10%), Facebook (5%) e Instagram (1%). Já as hashtags mais utilizadas nos posts foram #tokyo2020, #surfeing, #jogosolímpicos e #bra.

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