Vendas em bares e restaurantes recuaram 0,5% em março

Setor avançou 2,8%, no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025

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Restaurante (foto de Tânia Rêgo, ABr)
Restaurante (foto de Tânia Rêgo, ABr)

As vendas no setor de bares e restaurantes recuaram 0,5% no mês de março, em comparação com o mês anterior. Em relação ao mesmo período de 2025, houve estabilidade, marcando o sexto mês consecutivo em que o setor opera em patamar igual ou superior ao do ano anterior. Os dados são do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone, em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, afirma que “o ano começou um pouco mais difícil, com aumento do número de empresas trabalhando em prejuízo e sem conseguir repassar a inflação. Mesmo assim, estamos com alta no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado. E esperamos um bom movimento nos próximos meses, com datas fortes como o Dia das Mães e a Semana dos Namorados, além da Copa do Mundo no meio do ano.”

No primeiro trimestre de 2026, o volume de vendas do setor ficou praticamente estável em relação ao último trimestre de 2025, com leve recuo de 0,3%. Já na comparação com o mesmo período de 2025, houve alta de 2,8%, indicando avanço do setor.

Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho recente reflete um cenário de resistência do segmento diante de pressões macroeconômicas.

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“Mesmo com oscilações mensais, o setor de bares e restaurantes tem conseguido sustentar um nível de atividade acima do observado no início de 2025, o que evidencia uma resiliência importante, especialmente considerando o ambiente de crédito mais restritivo”, afirma.

Freitas também destaca o papel do mercado de trabalho como principal fator de sustentação do consumo.

“A renda e o emprego seguem como vetores positivos, sustentando a demanda. Por outro lado, o elevado comprometimento da renda com dívidas e o custo do crédito continuam limitando o consumo discricionário, o que impede uma recuperação mais consistente do setor”, completa.

Dos 24 estados contemplados pelo levantamento, 14 apresentaram crescimento nas vendas de bares e restaurantes na comparação anual em março. Os destaques positivos foram Amazonas (19,5%), Tocantins (9,5%) e Paraíba (7,5%), seguidos por Sergipe (4,4%), Rondônia (4,2%), Mato Grosso (3,9%), Pernambuco (2,4%), Piauí (2%), Pará (1,9%), Mato Grosso do Sul (1,7%), Roraima (1,5%), Rio Grande do Sul (1,3%), São Paulo (1,1%), Ceará (0,8%) e Minas Gerais (0,7%). Alagoas apresentou estabilidade (0%).

Já entre os estados com desempenho negativo, as quedas foram observadas na Bahia (8,6%), Espírito Santo (8,2%), Rio Grande do Norte (4,7%), Goiás (4,5%), Maranhão (3,7%), Santa Catarina (3%), Rio de Janeiro (1,5%) e Paraná (0,2%).

Estabelecimentos seguem segurando preços mesmo com tendência de alta dos insumos

O índice de inflação da alimentação fora do lar ficou bem abaixo da alimentação no domicílio segundo o IPCA de março. Enquanto o índice geral avançou 0,88%, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56% e a alimentação no domicílio 1,94%. Já a alimentação fora do domicílio teve variação de 0,61%, o que mostra que bares e restaurantes seguem contendo os reajustes ao consumidor mesmo diante da tendência de alta dos custos.

Essa diferença entre os índices reforça um movimento que já vinha sendo observado no setor. Embora os principais insumos tenham voltado a pressionar a inflação, os estabelecimentos seguem com dificuldade para reajustar os cardápios na mesma intensidade. Assim, a distância entre o aumento da alimentação e bebidas e o avanço mais contido da alimentação fora do lar mostra que parte dessa pressão continua sendo absorvida pelos negócios.

Essa absorção de custos, por sua vez, aparece também na Pesquisa Abrasel. Segundo o levantamento, 35% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços nos últimos 12 meses, enquanto 56% realizaram ajustes conforme ou abaixo da inflação. Outros 9% reajustaram acima da inflação.

Esse retrato indica que a pressão inflacionária tem tendência de alta e que, apesar de uma recomposição parcial das margens observada no segundo semestre de 2025, os estabelecimentos voltaram a represar preços para o consumidor final.

Nesse contexto, a contenção dos repasses ajuda a preservar o consumo no curto prazo, mas tende a apertar novamente as margens, sobretudo em um ambiente em que os custos dos alimentos avançam com mais força do que os preços efetivamente praticados nos estabelecimentos.

Segundo Paulo Solmucci, a inflação acende um sinal de alerta para o setor, que volta a enfrentar dificuldade para recompor margens em um ambiente de custos elevados.

“Os dados mostram que os bares e restaurantes continuam fazendo um esforço importante para não repassar integralmente a inflação ao consumidor. Isso ajuda a preservar o consumo no curto prazo, mas tende a pressionar as margens dos negócios em um momento em que os custos dos alimentos seguem em alta”, comenta.

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