Vendas no varejo caem 5,4% em março, segundo pesquisa

Por outro lado, vendas pela internet cresceram, mas logística de entrega preocupa.

Conjuntura / 14:55 - 26 de mar de 2020

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As vendas no varejo caíram 5,4% em março, segundo levantamento realizado pela credenciadora de cartões Cielo. O motivo da queda é o impacto do coronavírus na economia brasileira. De acordo com o relatório, na primeira semana do mês a queda foi de 3,8%, seguido de 5,3% na segunda e encerrou a terceira semana em 8,1%, podendo chegar a 10% nos próximos dias.

Já a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) estima que a restrição das atividades no comércio devem ultrapassar uma perda de mais de R$ 100 bilhões no setor, se até maio as atividades estiverem normalizadas.

Por outro lado, levantamento realizado pela empresa de inteligência de mercado Compre & Confie e pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostra que as compras virtuais de supermercados aumentaram 80% em relação a fevereiro e março do ano passado e itens de higiene pessoal e perfumaria tiveram alta de 83%.

O estudo compara vendas realizadas em fevereiro e março de 2020 com as do mesmo bimestre de 2020 e mostra aumento significativo no consumo dentro do varejo digital.

A análise também mostra que houve aumento significativo no consumo das categorias de saúde (111%) e beleza e perfumaria (83%). Por outro lado, segmentos como câmeras, filmadoras e drones (-62%), games (-37%), eletrônicos (-29%) e automotivo (-20%), apresentaram forte queda no período.

"Houve uma mudança significativa no comportamento do consumidor com a chegada da Covid-19. Setores que geralmente apresentam bons resultados tiveram queda significativa, enquanto outros, de menor porte no e-commerce, ganharam o protagonismo. A tendência é que o cenário continue dessa forma, com consumidores cada vez mais engajados nas compras à distância e movimentando de forma significativa o consumo de categorias relacionadas às necessidades básicas do dia a dia e ao esforço de prevenção da Covid-19", destaca André Dias, diretor-executivo do Compre & Confie.

Mesma opinião tem Mauricio Salvador, presidente da ABComm, ao afirmar que a falta de mobilidade urbana é um atrativo valioso para o varejo digital. "As empresas que não levaram seu modelo de negócios para a Internet estão em desvantagem agora, correndo sérios riscos de sobrevivência, principalmente levando em conta o fato de que não sabemos quanto tempo vai durar essa crise. É preciso buscar presença digital. É possível começar a vender virtualmente de forma rápida e simples, sem a necessidade de investimentos massivos" completa.

Com relação à logística para as entregas, de acordo com a ABComm, o setor já mostra preocupação com medidas que possam restringir a circulação de empresas que realizam entregas nas cidades, fator que pode abalar a confiança do consumidor com o varejo digital.

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