Verdadeiro “Eixo do mal”

“O criminoso regime Bush já assassinou mais iraquianos que Saddam Hussein. O regime Bush também é responsável por 20 mil baixas estadunidenses (mortos, mutilados para toda a vida e feridos). Bush amaldiçoa o “Eixo do mal”. Mas quem o “Eixo do mal” atacou? O Irã não atacou ninguém; a Coréia do Norte não atacou nenhum país em mais de meio século; o Iraque atacou o Kuwait há uma década e meia, aparentemente, depois de assegurar a permissão da embaixadora dos EUA. O verdadeiro eixo do mal não será Bush-Blair-Olmert?” O violento ataque ao presidente dos EUA e seus aliados não foi feito pelos presidentes Chávez ou Ahmadinejad, mas por Paul Craig Roberts, conservador subsecretário do Tesouro do Governo Reagan. Seu texto foi divulgado em 27 de maio no sítio político Counterpunch e parcialmente reproduzido pelo boletim eletrônico do Movimento de Solidariedade Ibero-americana.

Desconstruindo Parreira
Enquanto mantenha suas especificidades e magias, o futebol também não escapa da política de terra arrasada do neoliberalismo e da anarquia que essa ideologia provoca por onde circula. Assim, como nos mercados financeiros a alavancagem de ativos leva os investidores do céu à depressão em curto espaço de tempo, no futebol a incorporação da unidade de medida dos interesse$ dos patrocinadores produz ídolos de pés de barro com a mesma facilidade com que os destina ao banco de reservas.
Transformado em Fenômeno desde que assinou contrato de garoto propaganda vitalício da Nike – embora a manutenção dessa condição fosse condicionada por cláusulas somente conhecidas após a CPI do Futebol – Ronaldinho, rebatizado de Ronaldo para evitar confusões de imagem com seu xará mais habilidoso, vive e somatiza, pela terceira Copa consecutiva, o drama das tensões que as exigências sobre-humanas impõem a atletas que, em condições não-mercadológicas, não ingressariam no Olimpo dos deuses do futebol por atalhos estranhos a este universo.
O viés de prolongada baixa em que se encontra o atacante do Real Madri/Nike é inverso e diretamente proporcional à mitificação a que foi elevado pelo casamento de poderosos interesses comerciais com uma mídia acrítica e interessada em se associar aos gordos ganhos proporcionados pelos produtos associados aos grandes ídolos midiáticos. Nesse processo, vale desde coroar precocemente jovens promessas antes mesmo que passem pelo périplo exigido dos heróis não-midiáticos até promover eleições de “melhor do mundo” de prazo de validade restrito até a próxima temporada européia de futebol.
Ao se permitir associar, consciente ou inconscientemente, à alavancagem midiática que transformou a atual seleção brasileira num time de 11 homens de ouro liderados por um quadro mágico, no qual apenas um dos integrantes acumula magias capazes de encantar seus fãs em todos cantos do planeta, Carlos Alberto Parreira se viu elevado aos céus. Com isso, teve direito a que sua imagem – borrada desde o insosso time que dirigiu em 1994 – fosse polida com as tintas carregadas da adjetivação e do deslumbramento, que, embaladas por algumas exibições promissoras, fechou os olhos para limitações já cristalizadas há alguns anos.
Como a roda da fortuna precisa continuar a girar, Ronaldo corre o risco de ser rebaixado da condição de fenômeno a filho enjeitado que deve ser escorraçado para o ostracismo. Assim, como na operação de alta havia exuberância irracional, a queda livre que se destina a Ronaldo, a Parreira e à seleção brasileira carece de bons fundamentos. Como em toda Copa do Mundo, o Brasil – bem como seus rivais tradicionais Alemanha, Argentina e Itália – pode ser, mais uma vez campeão, como eliminado na segunda fase. No entanto, a dura prova dos nove a que estão agora expostos deveria servir de alerta para que, para fugir da gangorra da euforia e da depressão, o Brasil precisa amadurecer sem se curvar aos interesses não-futebolísticos que tomam carona num dos principais fatores constitutivos da identidade nacional.

Carona
Quem pretende viajar de avião nesses dias de Copa do Mundo, principalmente de partidas do Brasil, deve estar ciente de que, nem sempre, a proibição de usar celular a bordo é seguida por todos pilotos. A informação é da mulher de um piloto que, não raro, recebe telefonemas do marido à cata de notícias sobre o Botafogo.

Gol contra
Caso se confirme, nesta segunda-feira, a interrupção das atividades da Varig, o governo Lula vai acrescentar a seu currículo incômodo item: assistir de braços cruzados à principal empresa aérea do Brasil e um dos símbolos nacionais arremeter para a falência em plena euforia da Copa do Mundo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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