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O presidente da Infraero, Gustavo Vale, tem dupla razão para entregar sua carta de demissão à presidente Dilma. Se, de fato, crê que o modelo estatal de administração de aeroportos está esgotado, deixam de existir motivos para permanecer à frente da estatal responsável justamente pelos aeroportos. Vale também deve pedir o boné por considerar irrelevante o debate sobre programas de governo numa democracia, como mostra ao tratar como irrelevante o principal assunto que opos sua chefe ao então candidato do PSDB, José Serra: “A discussão ideológica da privatização não faz nascer um pé de alface no país”, desdenha Vale, errando o alvo. Afinal, não são exatamente pés de alface que a privataria tupiniquim faz crescer.

Conta não fecha
Segundo a visão de Vale, o Estado deveria se concentrar na administração de aeroportos não rentáveis, mas de importância estratégica para o país. O tecnocrata, no entanto, não explicou de onde, nesse modelo, a  Infraero tiraria recursos. Hoje, o sistema funciona com uma espécie de subsídios cruzados, com os aeroportos mais rentáveis financiando os deficitários.

Carteira Mantega
A notícia “plantada” pela equipe econômica sobre a possibilidade de limitar o ganho da caderneta de poupança a uma variação de 0,23% a 047% ao mês, a depender da trajetória da taxa básica de juros (Selic), além de se configurar em novo confisco da poupança, põe o governo na esdrúxula situação de indutor de portfólios dos investidores do país. É o que se deduz da justificativa de que o ataque à caderneta visa a manter a competitividade dos fundos de investimento. Desde o confisco perpetrado por Collor, a caderneta tem sua competitividade rebaixada, sem causar qualquer comoção às sucessivas equipes econômicas, inclusive quando é batida pela inflação. A função do governo não é garantir mercado para produtos bancários e se a preocupação for o financiamento da dívida pública bastaria criar um robusto programa do tipo Tesouro Direto, sem os entraves impostos pela banca à democratização do investimento.

Receita antiga
Comentário de um consultor que teve muita experiência na área estatal no trato com empreiteiras: “Basta correr por aí e verificar que as obras de arte (pontes, túneis, viadutos) do PAC são feitas em primeiro lugar – vejam o Arco Rodoviário do Rio. Depois falta dinheiro e tome reajustes e paralisação de obras.”

Irlanda entra na dança
Até o “lorde da dança” Michael Flatley, descendente de irlandeses, entrou em cena para pedir ajuda ao país de seus avós: “Precisamos fazer com que a Irlanda volte a trabalhar. Precisamos criar empregos, muitos empregos, e cada um de nós pode fazer sua parte para que isso aconteça”, diz o rei do sapateado em um vídeo, junto com Martin Sheen e Saoirse Ronan, pedindo que as cerca de 70 milhões de pessoas do mundo inteiro que dizem ter antepassados irlandeses usem suas conexões para ajudar a criar empregos na ilha, através do programa Tenha Sucesso na Irlanda, para ajudar a promover o país como destino para negócios internacionais.
Quem tiver sucesso em apresentar uma companhia à Irlanda que crie empregos por lá receberá um mínimo de 1.500 euros por posto, até um máximo de 100 empregos, com esses valores sendo pagos no prazo de dois anos.

Marca
Ao analisar o grupo Anonymous, o diretor global de pesquisas da companhia finlandesa F-Secure, Mikko Hypponen,acabou abraçando tese que merece estrondoso silêncio da grande mídia internacional:  para ele, o grupo de hackers se transformou em uma marca como a Al-Qaeda, à qual qualquer um pode creditar determinado ataque, assim como acontece com a organização terrorista. Qualquer um pode promover um ataque e creditar ao Anonymous e não haverá ninguém para contestar, observa Hypponen.

Vai se catar
À falta de explicações mais convincentes da parte de Ricardo Teixeira para justificar sua demissão da presidência da CBF, após intermináveis 23 anos, leitores criativos sugerem um quebra-cabeça, fornecendo algumas palavras para montar uma versão mais robusta: Qatar, Rússia, Blatter, ISL, família…

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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