Vídeo mostra governo em realidade paralela

Reunião revela ministros que não entendem gravidade da crise.

Conjuntura / 21:48 - 22 de mai de 2020

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A Nasa divulgou esta semana que encontrou indícios do que seria um universo paralelo, em que o tempo se passa no sentido oposto ao nosso, do futuro para o passado. O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, liberado no final da tarde desta sexta-feira pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou em muitos do que já o assistiram a impressão de que o Governo Bolsonaro vive neste universo, porém em um passado distante.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu que se aproveitasse que todos estão concentrados na pandemia para fazer modificações nas leis ambientais; o ministro Paulo Guedes, da Economia, insistiu no superado – pela realidade – discurso de que o Brasil estava pronto para decolar quando veio a crise do coronavírus.

Coube ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, fazer um chamado isolado à gravidade do momento por que o mundo passa e, de quebra, enquadrar Guedes, que falava em ganhar dinheiro salvando grandes empresas, enquanto desdenhava as pequenas, dizendo que “vamos perder dinheiro salvando as pequenininhas”.

Marinho lembrou que o mundo passa por uma situação excepcional única em 100 anos e cobrou: “Por favor, não podemos começar uma discussão com verdades absolutas e dogmas estabelecidos (…) Vamos deixar os dogmas de lado”

O ministro do Desenvolvimento Regional chamou a atenção para o que acontece nos outros países, com governos liberais preparando programas em que o Estado passa a liderar programas de reconstrução. Para ele, trata-se de uma oportunidade de novo pacto social, reduzindo as desigualdades no Brasil. “Essa pode ser uma catástrofe que pode nos afundar, ou ser uma onda para a gente surfar, uma alavanca para recuperar o país.”

Para essa recuperação defende que, dos R$ 600 bilhões que estão sendo gastos, pegue-se “6%, 7%, 10% para “alavancar recursos privados, com a injeção de recursos públicos, sim”, deixando claro o dogma a que se referia.

Sem verdades absolutas. Sem a preocupação de que as coisas continuam como eram antes. Não são como eram antes. Aqui e no mundo inteiro”, finalizou.

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